Menos estoque, mais eficiência: IA já gera cortes de 30% nas empresas

Inteligência artificial redefine o planejamento empresarial e acelera competitividade das empresas brasileiras
Empresas brasileiras vêm enfrentando pressão crescente para reduzir custos, aumentar eficiência e responder de forma mais rápida às mudanças de demanda — especialmente em setores como varejo, bens de consumo e alimentos, onde estoques altos ou rupturas geram perdas imediatas. Nesse cenário, ferramentas de planejamento e tomada de decisão impulsionadas por inteligência artificial têm se tornado decisivas para transformar dados dispersos em previsões confiáveis e processos mais ágeis. Segundo Gabriel Vasconcellos, CEO Latam da o9 Solutions, os maiores avanços surgem quando a IA moderna, presente em copilotos e agentes autônomos que contextualizam informações, é combinada à IA tradicional, responsável por simular cenários e otimizar processos.
Para Vasconcellos, a principal mudança é a forma como a IA reorganiza a tomada de decisão dentro das empresas. A IA moderna atua como um “copiloto” que traduz dados complexos, aponta riscos e apresenta caminhos possíveis, reduzindo incertezas que antes dependiam apenas de intuição. Já a IA tradicional complementa esse processo ao projetar, com precisão matemática, os resultados de cada decisão. “Essa combinação preenche a lacuna entre entender o que está acontecendo e saber qual é o próximo passo. O gestor toma decisões mais rápidas, embasadas e estratégicas”, afirma.
Diante da necessidade de evitar rupturas e responder com mais agilidade às oscilações do mercado, empresas brasileiras têm recorrido a soluções impulsionadas por inteligência artificial para tornar seus processos de planejamento mais precisos. É o caso da o9 Solutions, cuja plataforma já é utilizada por companhias como Natura, M. Dias Branco e Zamp em processos que vão da previsão de demanda ao planejamento comercial, produção e abastecimento de lojas. Segundo Vasconcellos, os benefícios aparecem principalmente na redução de estoques — com otimizações de pelo menos 30% — e na queda significativa do tempo dedicado às rotinas de planejamento.
“Quando você combina agentes de IA com uma plataforma integrada, elimina retrabalho, reduz inconsistências e acelera a análise de cenários. Os ganhos se tornam exponenciais”, afirma.
IA redefine estratégias de pricing e melhora rentabilidade
A inteligência artificial também tem redefinido a forma como as empresas constroem suas estratégias de pricing. No modelo tradicional, encontrar o equilíbrio entre volume, preço e margem, levando em conta a concorrência, elasticidade, posicionamento de marca e regiões de atuação, exige cálculos complexos e múltiplas combinações que o ser humano não consegue processar em escala. A IA elimina essa limitação. Segundo Vasconcellos, os algoritmos conseguem cruzar variáveis como brand equity, metas de margem, comportamento do consumidor, preços praticados pelos concorrentes e padrões de demanda em cada região, identificando automaticamente o preço ideal para cada produto e cada contexto comercial.
“A máquina analisa branding, concorrência, regiões, comportamento do mercado e objetivos de margem. Isso permite posicionar o produto com muito mais precisão e gerar ganhos de múltiplos dígitos no EBITDA”, afirma.
Apesar dos avanços, Gabriel ressalta que o sucesso da IA depende da qualidade dos dados e dos processos internos das empresas. Para ele, a primeira etapa é garantir bases confiáveis. “Tudo começa com bons dados. Sem isso, qualquer modelo vai gerar ruído. Também é essencial evitar que a empresa vire refém da máquina. O humano tem que direcionar a IA, e não o contrário”, explica. A plataforma da o9, de acordo com ele, apoia as empresas ao identificar lacunas, melhorar a qualidade dos dados e aplicar modelos de referência específicos para cada indústria.
Futuro da IA: agentes automatizando decisões
O executivo também alerta que a adoção de IA deixará de ser diferencial competitivo e se tornará requisito básico de sobrevivência empresarial nos próximos dois anos. Para ele, qualquer companhia que não conseguir responder de forma rápida e automatizada a três perguntas fundamentais – o que aconteceu ontem?, por que aconteceu? e como evitar que aconteça de novo? – ficará em desvantagem. Essas três perguntas representam o mínimo necessário para entender a saúde do negócio, diagnosticar falhas e corrigir rotas em tempo real. Hoje, muitas empresas ainda dependem de análises manuais, que demoram dias e chegam tarde demais para influenciar decisões.
No horizonte de médio prazo, Vasconcellos acredita que o modelo de operação das empresas deve mudar radicalmente. Ele prevê que, em até cinco anos, ecossistemas completos, envolvendo fornecedores, distribuidores, clientes e parceiros, estarão interligados por agentes de IA capazes de automatizar decisões e fluxos entre múltiplas organizações.
“As empresas que combinarem IA tradicional e IA generativa estarão preparadas para esse futuro de ecossistemas conectados. Essa será a grande disrupção dos próximos anos”, afirma. Embora reconheça o poder transformador da tecnologia, Gabriel reforça que o papel humano permanece central. “A IA deve ampliar a inteligência humana, não substituí-la. O objetivo é oferecer ao decisor a melhor informação no momento certo. O humano continua no comando”, conclui.







