Operação Azul United deve ir para Tribunal do Cade

Operação Azul United deve ir para Tribunal do Cade

Aprovação na Superintendência-Geral do órgão ocorreu em apenas 15 dias e deixou lacunas nas informações sobre concorrência

A presidente do Instituto de Pesquisas e Estudos da Sociedade e Consumo (IPS Consumo), Juliana Pereira, avalia que a rápida aprovação, sem restrições, da aquisição de participação minoritária da Azul pela United Airlines terá consequências negativas para os passageiros e os consumidores.

A operação foi aprovada pela Superintendência-Geral do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), na terça-feira (30), e ocorreu em apenas 15 dias, antes mesmo do esgotamento do prazo legal para habilitação de terceiros interessados. A decisão a jato ocorre, mesmo depois de o processo, a pedido da própria SG/CADE, ter sido classificado como de rito ordinário, o que indica maior aprofundamento da análise, com consultas ao mercado.

No parecer, a Superintendência-Geral afirma não ter havido pedidos de ingresso como terceiro interessado. Ocorre que, o Instituto de Pesquisas e Estudos da Sociedade e Consumo (IPS Consumo) protocolou pedido formal de intervenção em 30 de dezembro, com registro eletrônico no Sistema Eletrônico de Informações do CADE.

O parecer foi publicado como se não houvesse manifestações externas, o que, na prática, diz Juliana, esvazia o sentido do prazo legal previsto em lei e o controle social de terceiros sobre atos de concentração.

“O prazo de 15 dias assegura controle social e técnico, porque, mesmo com boa fé, o órgão público pode errar ou precisar de informações que só o mercado consegue prestar. Essa operação é bastante complexa e vai impactar os passageiros”, explica Juliana Pereira.

A decisão está, agora, nas mãos do Tribunal do Cade, que deve avaliar o ato de concentração. O IPS Consumo sustenta que há importantes lacunas na notificação feita por Azul e United Airlines ao Cade, em particular, acerca do entrelaçamento societário da Azul com outros players do mercado e os riscos de coordenação entre concorrentes.

O instituto menciona, por exemplo, a importância de se examinar o caso em conjunto com a participação da American Airlines na Azul. United e American Airlines se tornarão “acionistas de referência” na Azul, ocupando posições relevantes no Conselho de Administração e Comitê Estratégico da Azul. Ao mesmo tempo, as aéreas norte-americanas possuem presença societária e/ou comercial na ABRA, holding da Gol e Avianca, concorrentes diretas em importantes rotas brasileiras e para os Estados Unidos.

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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