Bolsa brasileira descola do exterior e Ibovespa valoriza 1,35%

Dólar recua e fecha cotado a R$ 5,23
O mercado brasileiro descolou do exterior nesta quinta-feira (19). Enquanto as bolsas europeias e de Nova Iorque fecharam em queda, pressionadas pela escalada da tensão geopolítica entre Estados Unidos e Irã e por balanços corporativos abaixo do esperado, como os de Airbus e Rio Tinto, o Ibovespa avançou 1,35%, aos 188.534,42 pontos, um ganho de 2.518,11 pontos. É o segundo maior patamar de fechamento da história, atrás apenas de 11 de fevereiro último, antes dessas três quedas seguidas, quando chegou a 189.699,12 pontos.
O principal vetor foi a divulgação do IBC-Br, prévia do PIB, que mostrou retração de apenas 0,2% em dezembro, melhor que a expectativa de -0,5%, levando o acumulado do ano a 2,5%. O dado reforça a percepção de resiliência da atividade econômica, especialmente puxada pelo agronegócio (+13,05%), mesmo com juros ainda elevados.
No câmbio, o dólar recuou levemente para R$ 5,23, enquanto a curva de juros futuros avançou, refletindo uma leitura mais cautelosa do mercado em relação ao ritmo de cortes da Selic, dado o nível ainda robusto de atividade.
Entre os destaques corporativos locais, a Petrobras apresentou alta superior a 2%, acompanhando a sustentação do petróleo em meio ao aumento do risco geopolítico.
Na ponta oposta, Azul (AZUL53) registrou queda superior a 30%, refletindo forte diluição acionária após a conclusão de sua oferta pública primária no valor de R$ 4,98 bilhões. A companhia emitiu um volume expressivo de novas ações a preço significativamente reduzido, dentro do seu plano de reestruturação conduzido sob o Chapter 11 nos Estados Unidos.
De acordo com Luiz Ormeneze, sócio da Manchester Investimentos, no exterior, o foco permanece na retórica do presidente Donald Trump, que indicou que decidirá em até 10 dias sobre possíveis medidas adicionais contra o Irã. A possibilidade de escalada militar mantém o petróleo e ativos de proteção, como o ouro, em alta, enquanto aumenta a aversão a risco nos mercados globais.
Greve na Argentina
Além disso, a Argentina também entrou no radar dos investidores. O presidente Javier Milei enfrenta uma greve geral contra sua reforma trabalhista, que propõe redução de indenizações, ampliação da jornada de trabalho e mudanças nas regras sindicais. “O avanço ou não da proposta no Congresso pode influenciar a percepção de risco institucional no país e impactar ativos da região”, avalia Ormeneze.
O sócio da Manchester Investimentos destaca que o pano de fundo segue sendo um ambiente de volatilidade elevada, com investidores monitorando simultaneamente risco geopolítico, dados econômicos nos Estados Unidos, incluindo o PCE nesta sexta-feira (20), e os desdobramentos da política fiscal e monetária nas principais economias.







