Ressaca financeira pós-Carnaval: especialista orienta como “estancar” gastos e se preparar para o IR

Ressaca financeira pós-Carnaval: especialista orienta como “estancar” gastos e se preparar para o IR

Deslizes resultam em endividamento

Com o fim do Carnaval, muitas famílias começam a sentir o impacto da conta que ficou para depois, principalmente quando o feriado se soma às despesas típicas do início do ano. Para a professora Joenice Diniz, do curso de Ciências Contábeis da UniCesumar de Londrina, a chamada “ressaca financeira” é até frequente, mas não deveria ser tratada como algo aceitável. “Ter ressaca financeira não é bom para ninguém”, afirma.

Segundo a docente, o aperto no orçamento costuma ser resultado da concentração de gastos fixos e sazonais em um curto período, caracterizada por contas acumuladas do fim do ano, como IPTU e custos escolares, além de férias, viagens e lazer. “A combinação desses gastos fora do orçamento, somada ao uso de crédito fácil, cria um aperto no caixa logo no início do ano”, explica Joenice.

Por que o começo do ano pesa mais no bolso?

A especialista aponta que o problema não começa no Carnaval, mas se intensifica nele. No início do ano, muitas famílias precisam lidar ao mesmo tempo com despesas que não param, como aluguel, alimentação e contas do dia a dia, e com gastos sazonais, como matrícula, material escolar e seguros.  Com esse cenário, qualquer gasto extra, mesmo que pareça pequeno durante a folia, pode virar um desequilíbrio no mês seguinte.

Entre os deslizes mais frequentes que resultam no endividamento, Diniz cita o uso do cartão de crédito sem planejamento, o gasto além do previsto para “curtir o momento”, a subestimação de custos de viagem e lazer (como transporte e alimentação) e as compras por impulso. Para ela, um orçamento mensal simples já evitaria grande parte desses problemas. “O maior problema é achar que o cartão de crédito é vilão. Ele é apenas um meio de pagamento. Vilão é quem usa esse meio de pagamento de forma indiscriminada”, diz.

O que fazer ao se deparar com a fatura?

Para quem já está assustado com o valor que vai chegar, a orientação é agir rápido e com método. “Primeira coisa é reconhecer o erro e encarar de frente a dívida”, afirma Diniz. Ela recomenda, como primeiros passos:

  • Separar despesas essenciais das supérfluas;
  • Priorizar dívidas com juros mais altos;
  • Negociar com credores;
  • Montar um orçamento mensal simples (entrada e saída) para enxergar o fluxo.

Consequências da ‘ressaca financeira’ na declaração do IR

Para a professora, a “bagunça” pós-Carnaval pode virar problema na hora de declarar o Imposto de Renda. Quando as finanças estão desorganizadas, ela afirma que é comum perder comprovantes, deixar de conferir extratos e esquecer informações importantes, o que pode gerar erros e aumentar o risco de inconsistências.

Para evitar correria, a professora sugere que o contribuinte comece a organizar os seguintes informes e comprovantes:

  • Informes de rendimentos (CLT, autônomo, aposentadoria);
  • Informes de bancos, corretoras e investimentos;
  • Comprovantes de despesas dedutíveis (como saúde e educação);
  • Recibos relacionados a dependentes;
  • Documentos de bens e direitos (imóveis, veículos, participações);
  • Extratos de saldo em 31/12 do ano-base.

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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