Cimento e fio de cobre puxam alta nos preços dos insumos da construção civil

Cimento e fio de cobre puxam alta nos preços dos insumos da construção civil

Sul e Nordeste lideram alta nos custos dos principais materiais, enquanto Norte e Centro-Oeste registram queda

Os preços dos principais insumos da construção civil no Brasil fecharam 2025 com aumentos expressivos no cimento e no fio de cobre, segundo o Índice de Preços de Materiais de Construção (IPMC) divulgado pelo Ecossistema Sienge. O levantamento mostra que o Sul e o Nordeste foram as regiões que mais sofreram pressão nos custos, com altas de até 11,9% no cimento e quase 20% no fio de cobre, enquanto o Norte e o Centro-Oeste registram um cenário mais favorável, com predominância de quedas e menor disseminação de altas

O IPMC é desenvolvido pelo Ecossistema Sienge, com metodologia da Cica Rev Consultoria e apoio institucional da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC). O índice acompanha mensalmente insumos que podem representar até 55% dos custos totais de materiais de obra. A íntegra do índice pode ser acessada neste link.

“2025 marcou um período de acomodação da inflação nos materiais de construção. No recorte nacional, não houve uma pressão generalizada de preços, mas as diferenças regionais seguem relevantes. Um mesmo insumo pode apresentar variações significativas entre regiões, o que reforça a importância de uma leitura regionalizada dos dados.” explica Gabriela Torres, gerente de Inteligência Estratégica do Ecossistema Sienge.

Sul : maior pressão de custos

A região Sul lidera a alta nos preços dos insumos essenciais da construção. O cimento avançou +8,4% no acumulado do ano, enquanto o fio de cobre teve a maior alta do país, com +19,5%. Esses aumentos exerceram forte pressão sobre os orçamentos locais, refletindo a dinâmica econômica e a demanda na região. Outros insumos, como ferro, tinta e argamassa, mostraram deflação ou estabilidade, mas o peso dos dois principais materiais pesou no custo total.

José Carlos Martins, presidente do Conselho Consultivo da CBIC, explica que a variação regional apresentada pelo IPMC dá luz a como os insumos são trabalhados dentro do país, mesmo sem uma causa óbvia aparente. “Em 2025, vimos um descolamento preocupante entre câmbio e preços de insumos dolarizados, como o cobre, que subiu mesmo com a queda do dólar. Além disso, produtos comoditizados, como o cimento, tiveram variações regionais muito disformes. Esses movimentos fogem da lógica histórica.”

Nordeste: forte impacto do cimento eleva custos das obras

No Nordeste, o cimento foi o principal vetor de alta, com avanço acumulado de +11,9%, contribuindo significativamente para o aumento dos custos de construção. Embora o fio de cobre também tenha registrado aumento, a variação foi mais moderada em relação ao Sul. Argamassa e tinta apresentaram queda nos preços, amenizando parcialmente o impacto da inflação do cimento.

Sudeste: pressão moderada com compensação da deflação em outros insumos

A região Sudeste apresentou uma pressão moderada nos custos dos principais materiais. O cimento e o fio de cobre tiveram alta menos expressiva do que nas regiões Sul e Nordeste, enquanto o ferro, a argamassa e a tinta registraram deflação, compensando parte da inflação e ajudando a equilibrar o orçamento das obras. Essa dinâmica regional reflete um mercado mais estável, embora atento às oscilações dos insumos mais pesados.

Norte e Centro-Oeste : cenário mais favorável

Nas regiões Norte e Centro-Oeste, o cenário foi mais positivo para os construtores, com predominância de deflação na maior parte dos insumos acompanhados pelo IPMC. O Norte, por exemplo, registrou queda de -4,46% no cimento, enquanto o Centro-Oeste teve deflação expressiva no fio de cobre (-8,77%) e estabilidade relativa em outros materiais. Esse contexto favorece o controle dos custos e indica um mercado com menor pressão inflacionária em 2025 nessas regiões.

Outro insumo que chama atenção é o ferro. Embora todas as regiões tenham registrado deflação no acumulado de 12 meses, o Norte apresentou a maior queda do período, com retração de 18,59%. Já o Centro-Oeste, teve a menor redução entre as regiões, ainda assim significativa, com deflação de 6,77%.

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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