Confira os principais erros que as empresas devem evitar ao implementar a NR-1

Confira os principais erros que as empresas devem evitar ao implementar a NR-1

Pesquisa mostra que apenas 23% possuem políticas formais e estruturadas voltadas à saúde emocional

Com prazo final até 26 de maio de 2026, as empresas brasileiras entram na fase decisiva de adequação às mudanças estabelecidas pela Portaria MTE nº 1.419/2024, que atualiza a Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1). A principal novidade é a obrigatoriedade de identificar, avaliar e controlar riscos psicossociais no ambiente de trabalho, como estresse crônico, assédio moral e sobrecarga de funções.

A atualização ocorre em um cenário crítico. Dados do Ministério da Previdência Social indicam que 472.328 trabalhadores foram afastados por questões de saúde, o maior número dos últimos dez anos, representando um crescimento de 68% em relação ao ano anterior. Em 2025, o Brasil registrou ainda 546 mil afastamentos por adoecimentos mentais, o maior volume da década.

Mesmo diante desse quadro, estudos mostram que a maioria das empresas ainda atua de forma reativa. Uma pesquisa nacional revela que 78% das organizações afirmam se preocupar com o bem-estar psicológico das equipes.

Apesar de positivo, o dado tem um contraponto interessante: apenas 23% possuem políticas formais e estruturadas voltadas à saúde emocional. Levantamento divulgado pela Revista Exame reforça o problema: 58% das empresas só formalizam questões de saúde mental após o afastamento do colaborador.

Para a Sólides, HR Tech especializada em gestão de pessoas, esse descompasso entre discurso e prática é um dos principais fatores de risco no processo de implementação da NR-1.

Os principais erros que o RH deve evitar na implementação da NR-1

Diante desse cenário, nossa redação conversou com Távira Magalhães, Diretora  de Recursos Humanos (CHRO), da Sólides. A proposta é entender alguns equívocos que vêm se repetindo entre as empresas que se preparam para atender às exigências da norma.

Juntos, esses erros que podem resultar em passivos trabalhistas que podem chegar a cada dos R$7.00 (em caso de reincidência, a multa pode chegar a até 50 vezes o valor da infração), autuações e danos à reputação da marca empregadora:

1. Tratar a NR-1 apenas como uma exigência legal

Muitas organizações encaram a norma como um checklist burocrático. Para Távira Magalhães, embora tenha um impacto legal, é necessário olhar para outros aspectos.

“Quando a NR-1 é tratada apenas como obrigação regulatória, perde-se a oportunidade de transformar dados de saúde emocional em inteligência de gestão. A norma exige mais do que documentos; ela exige maturidade organizacional para olhar o comportamento das equipes de forma estruturada e contínua”, aponta.

2. Realizar mapeamentos superficiais dos riscos psicossociais

Com a nova medida, a expectativa é que o trabalhador seja amparado mentalmente pelas empresas, haja vista que muitos trabalhos podem promover os chamados “riscos psicossociais”.

Diante desse contexto, a especialista comenta que organizações devem fazer um mapeamento dessas questões com uma metodologia consistente para não gerar uma falsa sensação de segurança.

“É fundamental combinar indicadores quantitativos com escuta ativa das equipes, porque fatores como clima, pressão e relacionamento não aparecem de forma clara sem análise contextual.”, comenta.

3. Atuar somente após o adoecimento ou afastamento do colaborador

Levantamentos mostram que a maioria das empresas só reage quando o problema já se materializou. Não por acaso, Távira Magalhães comenta que hoje a maior mudança cultural proposta pela NR-1 é sair do modelo reativo.

“Quando a empresa só age após o afastamento, ela já está lidando com o impacto e não com a causa. A prevenção passa por monitoramento frequente e por decisões baseadas em padrões de comportamento organizacional”, diz.

4. Ignorar o papel das lideranças no processo

Cada vez mais é sabido pelas empresas que gestores despreparados dificultam a identificação precoce de sinais de sofrimento emocional e comprometem a eficácia das ações do RH.

Lideranças são pontos-chave na identificação de sinais de sobrecarga ou desgaste emocional. Sem preparo adequado, gestores podem reforçar riscos sem perceber. Por isso, capacitar lideranças intermediárias é uma das etapas mais estratégicas da implementação

5. Falta de preparo técnico do RH e do DP

A Diretora  de RH da companhia comenta ainda que a falta de preparação do RH e do DP é um dos fatores que mais podem impactar em erros após o fim do prazo do dia 26 de maio.

“Não basta conhecer processos administrativos; agora é necessário interpretar dados, estruturar indicadores e dialogar com áreas jurídicas e de segurança do trabalho de forma integrada”, relaciona.

Além disso, Távira Magalhães  ressalta os recursos disponíveis inclusive na internet, gratuitos, para dar conhecimento às pessoas que trabalham nesses setores para lidar com a nova época.

Tecnologia como aliada na adequação à NR-1

Atenta a esse cenário, a Sólides lançou um novo módulo voltado especificamente para apoiar profissionais de RH e DP a como implementar a NR-1, com foco na gestão estruturada dos riscos psicossociais, coleta de dados, acompanhamento de indicadores e suporte à tomada de decisão.

A solução foi desenvolvida para orientar as empresas nesse processo de forma prática, integrada e alinhada às exigências legais, reduzindo riscos trabalhistas e fortalecendo a estratégia de cuidado com as pessoas.

“A tecnologia passa a ter um papel importante ao organizar informações que antes ficavam dispersas. Quando os dados são consolidados, o RH consegue acompanhar tendências, priorizar ações e garantir rastreabilidade das decisões, o que reduz riscos e fortalece a governança interna.”, finaliza Távira Magalhães.

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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