Volta aos escritórios muda regras do jogo para quem busca espaço no mercado de trabalho

Volta aos escritórios muda regras do jogo para quem busca espaço no mercado de trabalho

Fim do home office reacende a importância da convivência, da comunicação intencional e da postura profissional desde o estágio

A redução do home office e a retomada do expediente presencial por empresas de diferentes setores estão alterando critérios de avaliação e permanência no mercado de trabalho. O movimento, intensificado ao longo de 2025, recoloca a convivência diária como eixo das relações profissionais e exige de estagiários e jovens talentos habilidades que vão além da formação técnica. A mudança ocorre em meio à preocupação das companhias com a rotatividade nessa faixa de entrada.

Levantamento divulgado em outubro de 2025 pelo CIEE, com 260 responsáveis por programas de estágio, indica que parte significativa das empresas enfrenta dificuldade para reter jovens profissionais. A adaptação à cultura organizacional e à rotina presencial aparece entre os principais entraves apontados pelos gestores.

Na prática, o retorno ao escritório tornou mais visível algo que, durante a pandemia, ficou diluído pelas telas. A forma de se posicionar em reuniões, a disposição para ouvir, a leitura do ambiente e o modo de reagir a contratempos passaram a pesar com mais nitidez na avaliação de desempenho.

Para o especialista em comunicação intencional Cristian Magalhães, a mudança não se limita à logística de sair de casa. “A presença física recoloca a comunicação no centro da vida profissional. Não se trata apenas de cumprir tarefas, mas de entender como cada atitude repercute na equipe e na própria carreira”, afirma.

Segundo Cristian, empresas têm observado com maior atenção aspectos comportamentais como clareza na fala, postura ética, capacidade de colaboração e abertura ao feedback. “O conhecimento técnico continua relevante, mas não sustenta sozinho uma trajetória. O mercado quer profissionais que saibam conviver e construir relações de confiança”, diz.

Peso da entrevista

O impacto dessa nova exigência começa antes da contratação. A entrevista, nesse contexto, ganha peso estratégico. “Não é espaço para improviso por necessidade nem para espontaneidade sem filtro. O candidato precisa se comunicar de forma intencional, organizar o raciocínio, alinhar expectativas e demonstrar maturidade”, observa Magalhães.

Responder de forma estruturada sobre objetivos profissionais, apresentar experiências anteriores com equilíbrio e evidenciar disposição para aprender são pontos que costumam influenciar a decisão dos recrutadores. Relatos sobre dificuldades ou conflitos também são analisados, sobretudo pela maneira como o candidato interpreta essas situações.

No ambiente presencial, a coerência entre discurso e prática se torna mais evidente. A convivência diária amplia o alcance de gestos e palavras, o que pode acelerar tanto o reconhecimento quanto o desgaste da imagem profissional.

Para quem busca espaço no início da carreira, compreender essa dinâmica deixou de ser diferencial e passou a ser requisito. “Pensar estrategicamente sobre a própria postura é parte do trabalho. Quem desenvolve essa consciência desde o período de estágio amplia suas possibilidades de crescimento”, afirma o especialista.

Ao priorizar novamente o contato direto, as empresas sinalizam que a empregabilidade, neste momento, está fortemente associada à capacidade de interação. “Comunicação assertiva não é retórica elaborada, é saber se posicionar com clareza e respeito, no contexto adequado”, diz Magalhães.

Crédito da foto: Banco de imagem Pexels

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná. Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social. Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos. Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas. Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005). Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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