Código de Defesa do Contribuinte muda relação entre cidadão e Fisco

Código de Defesa do Contribuinte muda relação entre cidadão e Fisco

Nova legislação rompe lógica punitiva, reduz burocracia e garante presunção de boa-fé tanto para pessoas físicas quanto jurídicas

A sanção do Código de Defesa do Contribuinte (Lei Complementar nº 225/2026) inaugura uma importante mudança na relação entre Estado e contribuinte nas últimas décadas: a presunção de boa-fé. Inspirado em princípios já consolidados em países da OCDE, a premissa é inédita no Brasil. Trata-se de uma mudança estrutural, baseada na segurança jurídica, previsibilidade e cooperação entre Fisco e sociedade.

O modelo anterior era baseado na punição preventiva, enquanto o novo marco legal corrige uma distorção histórica ao retirar o contribuinte de uma posição automática de suspeita. “Um dos efeitos mais concretos para o cidadão aparece na declaração do Imposto de Renda. Erros formais deixam de ser tratados como fraude”, afirma Humberto Falconi, advogado e professor do curso de Direito da Uniasselvi.

A lógica agora é permitir a correção antes da penalidade. O contribuinte é notificado, se autorregulariza e evita multas desproporcionais por falhas simples. Na prática, essa mudança tende a reduzir conflitos e judicializações.

Para o professor da Uniasselvi, historicamente, muitos processos nasciam de falhas meramente burocráticas, não de má-fé, o que sobrecarregava tanto o contribuinte quanto a administração pública.

“A proibição de solicitar informações que o próprio Estado já possui representa um avanço significativo na desburocratização. A medida reduz custos indiretos e elimina práticas que, por anos, penalizaram o cidadão comum”, explica Falconi.

A importância da definição de prazos

A definição de prazos para decisões administrativas é apontada como outro marco importante. De acordo com Falconi, processos que ficavam indefinidamente parados passam a ter limite temporal, o que reduz a sensação de insegurança e devolve ao contribuinte a previsibilidade mínima necessária para organizar sua vida financeira.

O reforço ao direito de defesa gratuita também é primordial. Ao vedar a exigência de depósitos prévios em primeira instância, o código amplia o acesso à justiça fiscal, especialmente para contribuintes de menor renda, que antes desistiam de recorrer por incapacidade financeira.

Um patamar diferente

A comunicação entre Fisco e contribuinte também muda de patamar. A exigência de linguagem clara nas notificações rompe com o juridiquês que sempre funcionou como uma barreira invisível, afastando o cidadão do entendimento real de seus direitos e deveres. Um dos avanços da mudança no Código da Defesa do Contribuinte é a valorização do bom histórico fiscal. Programas como Confia e Sintonia passam a reconhecer empresas adimplentes, oferecendo prioridade em restituições e benefícios tributários.

Para as empresas, os impactos são igualmente relevantes e permitem discutir a cobrança sem sofrer penalidades financeiras antes do fim do processo.

Perfil do devedor

O código também estabelece uma separação mais precisa entre o devedor eventual e o devedor contumaz. Segundo o professor, essa diferenciação evita punições generalizadas e fortalece a livre concorrência. Ele ressalta que empresas que enfrentam dificuldades pontuais deixam de ser tratadas da mesma forma que aquelas que estruturam o negócio para não pagar tributos.

Ao fortalecer direitos, garantir previsibilidade e promover uma atuação mais educativa do Fisco, o Código de Defesa do Contribuinte sinaliza uma mudança estrutural na cultura tributária brasileira. Sendo assim, a nova lei transforma o pagamento de impostos “de um campo minado jurídico em uma relação baseada em confiança, transparência e responsabilidade compartilhada”.

Foto: Divulgação Uniasselvi

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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