Investir com estratégia vale mais do que acertar o ativo da vez

Investir com estratégia vale mais do que acertar o ativo da vez

Planejamento financeiro, definição de objetivos e disciplina são fatores decisivos para a construção de patrimônio no longo prazo, enquanto decisões impulsivas tendem a comprometer os resultados dos investidores

A busca pelo investimento ideal faz parte da rotina de muitos brasileiros. Mas, na prática, especialistas afirmam que o desempenho de uma carteira depende muito mais do planejamento do que da escolha de um ativo específico. Definir objetivos, estabelecer prazos e respeitar a própria estratégia são fatores que costumam fazer mais diferença do que tentar prever os movimentos do mercado.

O tema ganha relevância em um momento em que o número de investidores pessoa física na bolsa brasileira ultrapassa a marca de 5 milhões. Grande parte desse crescimento ocorreu entre 2019 e 2021, período de forte entrada de novos investidores. Muitos, no entanto, iniciaram a jornada motivados pela euforia do mercado e sem um planejamento estruturado, o que aumentou a frustração diante das primeiras oscilações.

Planejamento antes da escolha do investimento

Ao contrário do que muitos imaginam, escolher um ativo é apenas uma das últimas etapas do processo de investimento. Antes disso, é preciso entender qual é o objetivo financeiro, o prazo disponível e o nível de risco adequado para cada perfil.

“Existe uma falsa percepção de que o sucesso está em encontrar o ativo certo. Na realidade, a estratégia pesa muito mais. Sem planejamento, até um bom investimento pode se transformar em um problema, porque o investidor compra sem saber por quanto tempo pretende permanecer aplicado e acaba vendendo no momento errado”, afirma Daniel Abrahão, economista do Grupo Fatorial.

Segundo ele, estudos clássicos sobre alocação de ativos mostram que a maior parte da variação dos resultados de uma carteira ao longo do tempo está relacionada à distribuição entre diferentes classes de ativos, e não à escolha pontual de papéis ou ao chamado timing de mercado.

Objetivos claros reduzem decisões impulsivas

Outro erro frequente é acompanhar diariamente as oscilações dos investimentos e tomar decisões baseadas em movimentos de curto prazo. Para o especialista, esse comportamento costuma aumentar a ansiedade e prejudicar os resultados.

“Quem investe para comprar um imóvel em dois anos precisa de uma estratégia completamente diferente de quem está formando patrimônio para a aposentadoria. O objetivo define prazo, liquidez e o risco que faz sentido assumir. Já acompanhar a carteira todos os dias gera mais ruído do que informação e aumenta a chance de decisões precipitadas”, explica.

Essa ansiedade, segundo o especialista, também ajuda a explicar por que muitos investidores obtêm retornos inferiores aos do próprio mercado. Isso acontece porque compram ativos após períodos de forte valorização e resgatam aplicações justamente durante as quedas, transformando perdas temporárias em prejuízos definitivos.

Manter a estratégia é mais eficiente

Em cenários de maior volatilidade, manter a estratégia costuma ser mais eficiente do que tentar antecipar os movimentos do mercado. Para isso, o planejamento financeiro também deve contemplar uma reserva de emergência, aportes periódicos e revisões programadas da carteira, evitando mudanças motivadas apenas pelo noticiário.

“A estratégia deve mudar quando a vida muda, não somente quando o mercado oscila. Quem possui uma reserva financeira e mantém aportes regulares consegue atravessar períodos de volatilidade sem precisar vender ativos de longo prazo por impulso”, destaca Abrahão.

Para quem está começando a investir, a recomendação é priorizar a organização financeira antes de buscar aplicações mais sofisticadas. Construir uma reserva de emergência, automatizar aportes mensais, definir objetivos por escrito e buscar orientação profissional são hábitos que contribuem para decisões mais consistentes ao longo do tempo.

“Assim como ninguém deveria se automedicar diante de um problema de saúde, também não faz sentido tomar decisões financeiras importantes sem conhecimento ou orientação adequada. Planejamento é o que transforma investimento em construção de patrimônio”, conclui.

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *