Consórcio supera 12 milhões de participantes e se consolida como ferramenta de planejamento financeiro no Brasil

Consórcio supera 12 milhões de participantes e se consolida como ferramenta de planejamento financeiro no Brasil

Projeção de crescimento de 11% em 2026 reforça mudança estrutural no comportamento do consumidor

Em um ambiente de crédito mais caro e maior cautela na tomada de decisões financeiras, o consórcio vem deixando de ser apenas uma alternativa ao financiamento tradicional para se consolidar como instrumento de planejamento patrimonial no Brasil. A modalidade tem atraído consumidores que priorizam previsibilidade orçamentária, disciplina financeira e organização de médio e longo prazo.

Esse movimento já aparece nos números do setor. Em 2025, o sistema de consórcios alcançou o maior patamar da história, com mais de 12,7 milhões de participantes ativos, segundo dados da Associação Brasileira de Administradoras de Consórcios (ABAC). No mesmo período, as vendas de cotas superaram 5 milhões, mantendo trajetória de expansão mesmo em um cenário macroeconômico desafiador.

O desempenho indica uma mudança mais estrutural no comportamento do consumidor. Em vez de recorrer ao crédito com juros para antecipar a compra de bens, parte dos brasileiros tem optado por modelos de aquisição programada, que permitem organizar o fluxo financeiro sem comprometer excessivamente a renda mensal.

“Há um amadurecimento evidente do consumidor. O consórcio deixou de ser visto apenas como alternativa quando o crédito está caro e passou a integrar estratégias de organização patrimonial”, afirma Luis Toscano, vice-presidente de Vendas e Marketing da Embracon, uma das maiores administradoras independentes de consórcios do Brasil.

Segundo o executivo, a modalidade tem sido utilizada não apenas para aquisição de veículos e imóveis, mas também como instrumento complementar dentro da estratégia financeira familiar.

“Muitos clientes combinam consórcio com outras formas de investimento. O foco não é antecipação imediata do bem, mas construção de patrimônio com previsibilidade”, avalia.

Movimento estrutural

A expansão do setor ocorre em um contexto em que educação financeira e controle do endividamento ganham relevância. Dados do Banco Central mostram que o endividamento das famílias permanece em patamares próximos a recordes históricos, com cerca de 48% da renda comprometida com dívidas e mais de 28% da renda mensal destinada ao pagamento de obrigações financeiras no Brasil em 2025. Esses indicadores refletem um cenário em que consumidores buscam alternativas menos onerosas ao crédito tradicional.

Para administradoras, o crescimento não está atrelado apenas ao ciclo de juros, mas a uma mudança estrutural na forma como o brasileiro organiza seus projetos de aquisição.

A própria Embracon registrou R$ 39,5 bilhões em créditos comercializados em 2025, crescimento de 78% em relação ao ano anterior, refletindo o avanço da modalidade no mercado.

Perspectivas para 2026

A ABAC projeta crescimento de aproximadamente 11% para o sistema de consórcios em 2026, considerando indicadores como adesões, volume de negócios e participantes ativos. A estimativa sinaliza continuidade da expansão da modalidade mesmo diante de um cenário macroeconômico ainda desafiador.

Para analistas do setor, o número reforça a consolidação do consórcio como instrumento recorrente dentro do planejamento financeiro do brasileiro.

Mais do que alternativa pontual ao financiamento, a modalidade passa a ocupar espaço estratégico na formação de patrimônio, um movimento que pode redefinir o papel do crédito no país nos próximos anos.

Crédito da foto: Freepik

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná. Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social. Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos. Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas. Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005). Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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