Na gastronomia o lucro começa no controle

Na gastronomia o lucro começa no controle

Erros no cálculo dos custos e ausência de especialização levam restaurantes ao prejuízo silencioso

Abrir um restaurante ou operar no delivery sem controle financeiro é um dos caminhos mais rápidos para o prejuízo, mesmo com a casa cheia ou alto volume de pedidos. A avaliação é de Edher Brandão, especialista em gestão de restaurantes da ConceptFood, que alerta para erros básicos cometidos diariamente no setor, como a ausência de cálculo de custo hora, Custo de Mercadoria Vendida (CMV) descontrolado e falta de leitura correta da  Demonstração do Resultado do Exercício (DRE).
Segundo Brandão, muitos empresários sentem que “o dinheiro não sobra” sem entender exatamente onde estão perdendo margem. “Tudo isso traz um custo que, muitas vezes, o dono não está preparado para assumir, porque ele não calculou o custo hora e não sabe quanto realmente gasta para operar. O CMV acaba ficando alto, principalmente por erro de estoque e falta de controle”, explica.
De forma didática, o especialista resume o DRE como o retrato financeiro do restaurante. “É no DRE que está tudo o que acontece com o dinheiro do negócio, contas a pagar, mão de obra, férias, estoque, fornecedores, taxas de aplicativo e plataforma. Restaurante movimenta dinheiro todos os dias, por isso esse controle precisa ser diário, não semanal”, afirma.

Importância da consultoria

Um exemplo prático acompanha essa realidade. Um cliente atendido por Brandão em Curitiba iniciou a consultoria antes mesmo da abertura do negócio. “Ele queria vender esfirra e pizza, mas o público pedia esfirra. Fizemos engenharia de cardápio, definimos o público e focamos na especialização. No primeiro mês vendeu pouco, no segundo já saltou para mais de 40 pedidos diários. Hoje, um ano e meio depois, ele opera quatro lojas na cidade, com média entre 90 e 120 pedidos por dia”, relata.
Para o especialista, tentar fazer tudo ao mesmo tempo é um erro comum. “Se especializar é fundamental. Quando o empresário tenta abraçar tudo, ele se atropela. Restaurante é igual futebol, cada um tem sua posição. Quando o negócio foca no que faz melhor, a operação destrava”, pontua.
Brandão também reforça que existem dois perfis principais de quem abre restaurante, o investidor e o apaixonado pela cozinha, e ambos precisam tratar o negócio com racionalidade.
“Amor não paga conta. Se a pessoa ama cozinhar, precisa entender que aquilo é um negócio. Se não sabe gerir, tem que buscar ajuda. Já o investidor precisa começar com alguém que traga visão financeira real desde o primeiro dia”, destaca.
Para quem quer voltar a lucrar ou abrir um restaurante hoje, o especialista é direto. “O primeiro passo é entender que delivery e salão são pilares diferentes. Quem começa agora deve olhar primeiro para o delivery, cuidando de três pontos, logística, embalagem e comida. A entrega bem feita gera satisfação, a embalagem vende conceito e a comida sustenta o retorno”, conclui.

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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