Setor de Shopping Centers supera R$ 200 bilhões em faturamento

Setor de Shopping Centers supera R$ 200 bilhões em faturamento

De centros de compras a espaços de convivência, o setor consolida sua transformação, bate recordes e reforça seu papel como motor econômico e social do país

Mais do que centros de compras, verdadeiras “plataformas de viver”. É sob esta premissa de reinvenção que o setor de shopping centers no Brasil celebra um marco histórico. Segundo os novos dados do Censo Brasileiro de Shopping Centers 2025-2026, elaborado pela Abrasce (Associação Brasileira de Shopping Centers), o setor superou, pela primeira vez em sua trajetória, a barreira dos R$ 200 bilhões em faturamento, atingindo R$ 201 bilhões em vendas anuais, uma alta de 1,2% em relação a 2024.

O anúncio ganha um contorno ainda mais especial: em 2026, a Abrasce comemora 50 anos de história, consolidando um legado que caminha lado a lado com os 60 anos do setor de shopping centers no Brasil. Os dados do novo Censo revelam um momento de maturidade do mercado, marcado por recorde histórico de vendas, aumento na geração de empregos e, sobretudo, por uma mudança efetiva no comportamento do consumidor. Cada vez mais associados a lazer, serviços e convivência, os shopping centers registram um tempo médio de permanência de 80 minutos — o maior já observado na história do setor.

Mais do que locais para compra, os dados revelam que o shopping center moderno se consolidou como um verdadeiro hub de conveniência. Se antes o foco era quase exclusivamente o varejo, hoje o mix de operações reflete essa transformação: serviços e conveniências estão presentes em cerca de 90% dos empreendimentos, com serviços estéticos, academias e até clínicas médicas, além de outros formatos que ampliam a frequência e o vínculo com o público.

“Acompanhamos a tendência dos shoppings se consolidarem como espaços de convivência e oásis urbanos”, afirma Glauco Humai, presidente da Abrasce. “Essa capacidade de adaptação ágil, incorporando opções focadas em experiência, foi o que permitiu ao setor fechar 2025 com mais espaço na vida do brasileiro, mesmo diante de desafios econômicos”.

Radiografia de um setor em expansão

Os números do Censo ajudam a dimensionar a robustez dessa indústria:

● Capilaridade: São 658 shoppings em operação no Brasil, somando uma Área Bruta Locável (ABL) de 18,3 milhões de m², distribuídos por 253 cidades.
● Empregabilidade: O setor é um dos grandes motores da economia, gerando mais de 1 milhão de empregos diretos, alta de 1% em relação ao ano anterior.
● Perfil dos empreendimentos: Mais de 60% dos shoppings são de porte pequeno ou médio, enquanto os shoppings especializados (como outlets e open malls) ganharam espaço, saltando de 13,8% para 16% de participação.
● Fluxo e atendimento: Mensalmente, mais de 471 milhões de pessoas circulam pelos empreendimentos.
● Taxa de ocupação: A vitalidade dos espaços físicos é comprovada pela ocupação média, que atingiu 95,4% em 2025.

Abrasce inaugura a era dos dados no setor de shopping centers

Há 25 anos, o setor de shopping centers no Brasil viveu uma verdadeira virada de chave. À medida que ganhava cada vez mais escala, complexidade e relevância econômica, tornou-se evidente a necessidade de dados estruturados, confiáveis e contínuos que refletissem essa evolução. Atenta a esse movimento e ao crescente grau de profissionalização do mercado, a Abrasce deu início à criação e à medição sistemática dos dados do setor, iniciativa que mais tarde se consolidou como o Censo Brasileiro de Shopping Centers, estabelecendo um novo padrão de inteligência de mercado no país.

Desde então, os números passaram a traduzir, de forma consistente, essa trajetória de crescimento. Ao longo dos últimos 25 anos, o número de empreendimentos cresceu, em média, 18,9% a cada cinco anos, enquanto a Área Bruta Locável (ABL) avançou 30,4% e o total de lojas aumentou 31,2%, ampliando o mix de varejo, serviços e conveniência. Esse avanço teve impacto direto na economia: a geração de empregos diretos cresceu, em média, 28,7% a cada cinco anos, saltando de 328 mil postos em 2000 para 1,083 milhão em 2025, enquanto o faturamento apresentou crescimento médio de 56,1% por quinquênio, culminando no recorde histórico de R$ 201 bilhões em vendas anuais.

A força da interiorização

A consolidação da interiorização é um dos exemplos mais claros de como o Censo Abrasce é um instrumento vivo, em constante atualização. À medida que o setor se transformava e novas dinâmicas ganhavam força, a Abrasce ampliou análises para acompanhar mudanças estruturais relevantes, como a expansão acelerada dos shoppings para além das capitais. Os dados mostram que essa tendência se intensificou a partir de 2015, quando os empreendimentos estavam presentes em 196 municípios; em 2020, esse número chegou a 226; e, em 2025, atingiu 253 cidades — uma expansão territorial de 29% em dez anos, evidenciando uma estratégia sólida e sustentável de crescimento fora dos grandes centros.

Esse movimento atingiu um novo patamar de maturidade: hoje, mais da metade dos shoppings brasileiros já está localizada fora das capitais, transformando esses empreendimentos em polos de desenvolvimento socioeconômico regional. Regionalmente, o Sudeste manteve a liderança, respondendo por 57% do faturamento do setor, enquanto o Nordeste se destacou pela maior produtividade, com faturamento médio por shopping de R$ 350,4 milhões, acima da média nacional de R$ 305,3 milhões. Já o Norte despontou como importante fronteira de infraestrutura, liderando o aumento na média de vagas de estacionamento no país.

Perspectivas para 2026

Para o ano do cinquentenário, o otimismo prevalece. A Abrasce prevê a inauguração de 11 novos shoppings em 2026, com destaque para a região Sudeste, que deve receber seis novos empreendimentos. A projeção de crescimento para o setor é de 1,4%.

“Chegamos aos 50 anos com um setor forte, resiliente e em constante evolução”, conclui Humai. “O shopping do futuro é aquele que resolve a vida do consumidor em um só lugar, oferecendo segurança, entretenimento e, acima de tudo, conexão humana”.

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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