42% dos brasileiros inadimplentes em 2026 já enfrentaram restrições há 10 anos

42% dos brasileiros inadimplentes em 2026 já enfrentaram restrições há 10 anos

Mulheres passam a ser maioria entre os inadimplentes, segundo a Serasa

Quatro em cada dez brasileiros que estão inadimplentes hoje estavam com nome negativado há uma década, segundo levantamento inédito sobre os 10 anos do Mapa da Inadimplência da Serasa, divulgado desde 2016. O dado de reincidência aparece em um cenário de avanço consistente da inadimplência no país. Ao longo dos últimos 10 anos, o número de brasileiros com contas em atraso cresceu 38,1%.

Na fotografia mais recente, referente a fevereiro de 2026, o país alcança 81,7 milhões de pessoas em situação de inadimplência. Ao todo, são mais de 332 milhões de dívidas — volume 43% superior ao registrado em 2016. Como consequência, a dívida média por consumidor avançou 12,2%, passando de R$ 5.880,02 para R$ 6.598,13, considerando valores corrigidos pela inflação entre os anos.

“O avanço da inadimplência ao longo da última década reflete uma combinação de fatores econômicos e comportamentais”, afirma Aline Vieira, especialista da Serasa em educação financeira. “O período foi marcado por juros elevados e pressão inflacionária, que impactaram diretamente o orçamento das famílias. Ao mesmo tempo, houve ampliação do acesso ao crédito, muitas vezes sem o devido planejamento, levando parte dos consumidores a utilizá-lo como complemento de renda, e não como um recurso pontual”.

 Perfil do inadimplente muda ao longo da década

O estudo também mostra transformações no perfil dos consumidores endividados, com destaque para o avanço da inadimplência entre a população com mais de 60 anos. Em 2016, esse grupo representava 12,23% do total de inadimplentes — a menor participação entre as faixas etárias. Dez anos depois, o cenário se inverte: enquanto os jovens de 18 a 25 anos reduzem sua participação em 4 pontos percentuais, os consumidores acima de 60 anos ampliam sua fatia em 7 pontos percentuais.

Outra mudança relevante é a de gênero. Ao longo da década, as mulheres passaram a ser maioria entre os inadimplentes. Em 2016, elas representavam 49,8% do total, ante 50,2% dos homens. Hoje, somam 50,5%, enquanto eles respondem por 49,5%.

 

Reincidência reforça desafio estrutural da educação financeira

Ao analisar o contingente de brasileiros que estão inadimplentes e estavam na mesma situação há dez anos — 34 milhões de consumidores —, a especialista destaca a importância do planejamento financeiro para garantir estabilidade a longo prazo.

“Negociar as dívidas é um passo fundamental, mas o acesso a condições facilitadas precisa vir acompanhado de informação e organização, para que o consumidor consiga manter o equilíbrio de forma sustentável”, afirma. “Ao combinar oportunidades com ações contínuas de educação financeira, como oferecemos em nossos mutirões, ajudamos a transformar hábitos e evitar o retorno à inadimplência”.

Neste cenário, a Serasa reforça os últimos dias do Feirão Limpa Nome, que reúne descontos de até 99% e mais de 2 mil empresas parceiras de diversos segmentos. Consumidores de todo o país podem acessar as oportunidades disponíveis até às 23h59 do dia 1º de abril.

Crédito da foto: Freepik

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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