Escala 6×1: Menos horas exigem mais clareza da liderança e de metas

Escala 6×1: Menos horas exigem mais clareza da liderança e de metas

A aprovação, pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado, da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 148/2025, que prevê a redução gradual da jornada semanal de trabalho para 36 horas e o fim da escala 6×1, reacendeu um debate central para o ambiente corporativo brasileiro: como equilibrar conformidade legal, sustentabilidade financeira e bem-estar dos empregados.

Para Patricia Barboza, sócia e head da área Trabalhista do CGM Advogados, escritório de advocacia full service que atende grandes empresas do Brasil e do exterior em mais de 30 áreas do Direito Empresarial, a discussão vai muito além da carga horária em si.

“O fim da escala 6×1 não é apenas uma mudança operacional. Ele altera a lógica de custo da mão de obra, o desenho de turnos e a forma como as empresas organizam sua produção e seus serviços. Na prática, estamos falando de uma revisão do próprio modelo de negócio de muitos setores, porque a jornada passa a ser menor e os recursos alocados com outros critérios. Menos horas exigem mais clareza da liderança, de metas, de papéis e de limites”, diz Patricia.

Do ponto de vista jurídico, a proposta, ainda em tramitação no Congresso Nacional, veda expressamente qualquer redução salarial, o que, na prática, eleva o custo da hora trabalhada. Estudos da FecomércioSP indicam que a redução de 44 para 36 horas semanais, mantendo salários, pode gerar um aumento de até 37,5% no custo da hora de trabalho, especialmente quando há necessidade de horas extras ou contratação adicional.

“Não existe direito adquirido nesse contexto. Se a PEC for aprovada, todas as empresas terão de se adaptar, inclusive nos contratos já em vigor, por meio de ajustes formais na atualização dos contratos de trabalho e, certamente, essa será uma pauta que entrará nas negociações coletivas”, explica a advogada trabalhista. “O passivo trabalhista do futuro nasce, quase sempre, das decisões de organização do trabalho tomadas no presente.”

Apesar do aumento de custos no curto prazo para alguns setores, Patricia destaca que a discussão também abre espaço para uma revisão mais estratégica do modelo de gestão. “Quando o tempo disponível diminui, gerir apenas por tempo e presença deixa de fazer sentido. Empresas que não evoluírem para modelos orientados a eficiência e resultados correm o risco de gerar ambientes tóxicos, com mais estresse e passivo trabalhista”, pontua.

Experiências internacionais mostram que a redução de jornada pode vir acompanhada de ganhos de produtividade, menor absenteísmo e queda no turnover, desde que haja planejamento.  Segundo Patricia, mesmo que a PEC ainda enfrente um longo caminho até uma eventual promulgação, o tema já deve entrar no radar estratégico das companhias.

“A discussão sobre a escala 6×1 é, na prática, uma discussão maior sobre o futuro do trabalho no Brasil. Ela expõe uma tensão estrutural entre modelos produtivos construídos sobre longas jornadas e que vem sendo questionadas por novas gerações de trabalhadores. Para as empresas, o tema funciona como um teste de maturidade: quem tratar a mudança apenas como custo tende a perder competitividade; quem enxergar a reorganização da jornada como uma oportunidade pode ganhar eficiência”, destaca.

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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