Escalada no Oriente Médio pressiona petróleo encarece crédito e alimentação

Escalada no Oriente Médio pressiona petróleo encarece crédito e alimentação

Alta do barril pode encarecer combustíveis, alimentos e crédito no Brasil e exige reorganização imediata do orçamento doméstico

Com cerca de 20% do petróleo mundial passando diariamente pelo Estreito de Ormuz, segundo a U.S. Energy Information Administration, qualquer interrupção na rota tende a elevar rapidamente o preço do barril no mercado internacional. O efeito não se limita às bolsas ou às petroleiras. Ele chega ao consumidor por meio da gasolina, do diesel, do gás de cozinha, da energia elétrica e, de forma indireta, dos alimentos e do crédito.

Para Ricardo Hiraki Maila, especialista em educação financeira e sócio-fundador da Plano, o impacto é encadeado. “O petróleo é insumo básico da economia. Quando sobe, encarece transporte, produção e pressiona a inflação. A família sente no supermercado e nas contas fixas”, afirma.

O Brasil, embora seja exportador líquido de petróleo, forma preços com base no mercado internacional. Isso significa que uma disparada do barril tende a pressionar os combustíveis. Como o diesel é essencial para o transporte de cargas, o aumento se espalha para alimentos e produtos básicos. Dados do IBGE mostram que combustíveis e energia têm peso relevante no Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que mede a inflação oficial. Em momentos de choque externo, esses itens costumam liderar as altas.

A energia elétrica também pode sofrer impacto indireto. Parte da geração mundial ainda depende de combustíveis fósseis e, quando o custo global sobe, o repasse afeta cadeias produtivas. Além disso, um ambiente internacional de incerteza tende a pressionar o dólar. Moeda americana valorizada encarece importações e amplia a inflação doméstica.

Crédito

No crédito, o reflexo é igualmente sensível. Segundo dados mais recentes do Banco Central, o rotativo do cartão de crédito supera 400% ao ano em juros médios, enquanto o cheque especial gira em torno de 130% ao ano.

Em caso de inflação persistente, a autoridade monetária tende a manter juros elevados por mais tempo, o que encarece financiamentos e dificulta renegociações. “Se a renda não cresce no mesmo ritmo dos preços, o consumidor recorre ao cartão e ao cheque especial. O problema é que essas linhas têm os juros mais altos do sistema. A guerra lá fora pode virar dívida impagável aqui dentro”, diz Ricardo.

O primeiro impacto na economia doméstica costuma aparecer na alimentação. Com frete mais caro e insumos pressionados, supermercados repassam aumentos. Em paralelo, contas de luz, transporte e gás comprometem parcela maior do orçamento. “A família precisa agir antes de a fatura chegar. Esperar acumular é o que leva ao vermelho”, afirma.

Entre os cuidados recomendados, Ricardo destaca cinco frentes práticas. A primeira é revisar gastos fixos imediatamente, cortando assinaturas e despesas recorrentes pouco utilizadas.

A segunda é evitar parcelamentos longos, principalmente no cartão, priorizando pagamento à vista quando houver desconto real.

A terceira é renegociar dívidas enquanto ainda estão sob controle, buscando trocar juros mais altos por linhas mais baratas. A quarta é reforçar uma reserva de emergência, mesmo que com aportes menores, para evitar recorrer ao crédito caro diante de imprevistos. Por fim, acompanhar semanalmente o orçamento, registrando despesas essenciais como alimentação, transporte e energia.

“O consumidor não controla o preço do petróleo, mas controla a própria organização. Em períodos de instabilidade global, disciplina financeira deixa de ser opção e passa a ser proteção”, afirma.

Ele também recomenda cautela com compras por impulso, sobretudo em momentos de incerteza. “Se a inflação sobe, o poder de compra cai. Antecipar consumo com dívida cara é comprometer renda futura em um cenário ainda indefinido.”

A combinação de petróleo valorizado, dólar pressionado e juros elevados forma um tripé que afeta diretamente o bolso das famílias. Diante desse quadro, planejamento e prudência tornam-se instrumentos centrais para atravessar períodos de turbulência internacional sem transformar um choque externo em crise pessoal.

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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