Copa do Mundo de 2026 acelera contratações temporárias e reforça polos logísticos no país

Copa do Mundo de 2026 acelera contratações temporárias e reforça polos logísticos no país

Levantamento indica abertura de até 4 mil vagas até o torneio, com destaque para logística e varejo

A Copa do Mundo de 2026 já produz efeitos concretos sobre o mercado de trabalho brasileiro, mesmo sendo realizada fora do país. Em meio a um cenário de crescimento moderado, o evento tem impulsionado a abertura de vagas temporárias, sobretudo nos setores de logística e varejo.

O mercado de trabalho temporário no Brasil iniciou 2026 com forte tração e, segundo a ASSERTTEM, a previsão é de mais de 600 mil vagas temporárias no primeiro semestre, sendo entre 150 mil e 200 mil diretamente associadas ao chamado “efeito Copa”, especialmente em cadeias como eletroeletrônicos, bebidas e eventos.

Levantamento da Mendes Talent aponta que, desde o início de 2026, foram 1.485 vagas trabalhadas na área de logística, com foco em operações ligadas à Copa. Apenas na semana atual, já foram abertas 404 novas posições, e a projeção é de mais 2.800 a 4.000 vagas adicionais até o início do torneio, concentradas principalmente em atividades operacionais.

Diferentemente de edições anteriores, o pico de contratações ocorreu entre março e abril deste ano, em um movimento de antecipação para viabilizar o treinamento de equipes em tecnologias de atendimento e automação.

Centros de distribuição

A maior parte das oportunidades está em regiões com forte presença de centros de distribuição. O polo de Extrema (MG), Cajamar e Jundiaí (SP), além de cidades do entorno, como Vargem, Itapeva, Piracaia, Atibaia e Bragança Paulista, têm se destacado como eixos de expansão das contratações temporárias, refletindo o avanço da logística no Sudeste. No varejo, por sua vez, as admissões se concentram principalmente nas grandes capitais, como São Paulo e Rio de Janeiro.

Segundo Renato Mendes, CEO da empresa, a demanda é puxada pela necessidade de reforçar estoques e garantir eficiência operacional. “Há um aumento consistente na busca por profissionais temporários, principalmente em logística, que hoje é um dos pilares para sustentar o consumo durante a Copa”, afirma.

O movimento também evidencia a descentralização das oportunidades, com avanço para cidades de médio porte, ainda que Sudeste e Sul concentrem mais de 60% das vagas abertas no início do ano, consolidando sua posição como principais eixos de geração de trabalho temporário.

Consumo impulsiona contratações

Pesquisa da Data-Makers, realizada com mil brasileiros, indica que 95% dos fãs de esporte pretendem assistir à Copa, e oito em cada dez devem acompanhar o torneio com intensidade igual ou superior à edição anterior.

O estudo também mostra que 71% dos consumidores afirmam consumir mais produtos e serviços durante a Copa, com destaque para alimentos, bebidas e vestuário. Esse comportamento pressiona a cadeia produtiva e amplia a necessidade de reforço operacional em áreas como estoque, transporte e atendimento.

Para Renato Mendes, o ciclo de 2026 reforça uma mudança estrutural no mercado de trabalho. “O temporário deixou de ser apenas uma solução emergencial e passou a integrar a estratégia das empresas, com mais planejamento e uso de dados”, diz. O cenário também expõe desafios na contratação. Há dificuldade de preenchimento de vagas operacionais, especialmente em logística, diante da maior complexidade das operações e da disputa por profissionais. Soma-se a isso o desafio de retenção nesses projetos.

Impacto indireto

Embora o Brasil não seja sede do torneio, o impacto indireto da Copa sobre o consumo interno e a atividade econômica tem se mostrado relevante. Dados da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo indicam que o setor de comércio e serviços responde por mais de 40% do PIB nacional, ampliando o efeito multiplicador de eventos de grande apelo popular. Além disso, parte das vagas abertas neste ciclo reflete a antecipação de demandas típicas do fim do ano, puxadas para o primeiro semestre pelo calendário da Copa.

Nesse contexto, a Copa de 2026 se consolida como vetor de dinamização do emprego, especialmente temporário, ao mesmo tempo em que acelera tendências como a interiorização das vagas e a profissionalização da gestão de mão de obra.

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná. Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social. Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos. Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas. Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005). Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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