Varejo físico recua 0,7% em março, mesmo com retomada pós-Carnaval

Varejo físico recua 0,7% em março, mesmo com retomada pós-Carnaval

Consumidor está mais cauteloso diante de juros altos e cenário global instável

O varejo físico brasileiro apresentou retração de -0,7% no número de visitantes em março de 2026 na comparação com o mesmo período do ano anterior, segundo o Índice de Intenção de Compra do Varejo (IICV SEED), estudo divulgado mensalmente pela Seed Digital. O resultado indica uma retomada do fluxo após o Carnaval, mas ainda sem força suficiente para sustentar crescimento, evidenciando um consumidor mais seletivo e sensível ao cenário econômico.

Baseado em dados de cerca de 58 milhões de visitantes mensais em milhares de lojas em todo o país, o índice mostra que março foi marcado por uma recomposição do calendário comercial e pela volta gradual da rotina de consumo. Datas como o Dia do Consumidor e o Dia Internacional da Mulher ajudaram a reativar a demanda, mas não foram suficientes para impulsionar o desempenho geral.

A expectativa de uma recuperação mais robusta não se confirmou, mesmo com uma base comparativa favorável, já que, em 2025, o Carnaval ocorreu em março. Entre os fatores que pressionaram o consumo estão a manutenção da taxa de juros em patamar elevado, entre 14,75% e 15%, o aumento dos custos logísticos impulsionado pela alta dos combustíveis e a instabilidade internacional, além do cenário eleitoral no Brasil.

Desempenho regional desigual

O levantamento revela um cenário fragmentado no país. As regiões Norte (+4,1%) e Sul (+3,6%) lideraram o crescimento, impulsionadas por maior eficiência logística e pela antecipação das coleções de outono, que estimularam o consumo.

Por outro lado, Centro-Oeste (-4,6%), Sudeste (-1,7%) e Nordeste (-0,7%) registraram queda. No Centro-Oeste, o recuo reflete a cautela associada à acomodação dos preços das commodities agrícolas, enquanto no Sudeste houve maior dispersão do consumo para canais digitais, impactando o varejo físico.

Shoppings mostram maior resiliência

O desempenho também variou entre os canais de lojas de rua e shoppings. Enquanto o varejo de rua apresentou alta volatilidade no trimestre — com crescimento em janeiro (+7,3%), forte queda em fevereiro (-11,8%) e leve retração em março (-1,2%) —, os shoppings mantiveram trajetória mais estável, com crescimento de 2,3% no último mês.

A resiliência dos centros de compras está associada ao ambiente controlado e ao perfil de consumo mais orientado à conveniência, o que contribui para maior conversão de visitas em vendas.

Cenário exige adaptação do varejo

O estudo aponta que o setor deve enfrentar um período desafiador ao longo de 2026, marcado pela convergência de fatores como a reforma tributária, a possível redução da jornada de trabalho, a Copa do Mundo e o ciclo eleitoral.

Esse conjunto de variáveis tende a aumentar a volatilidade do consumo e exigir maior capacidade de adaptação das empresas, com uso intensivo de dados, revisão de estratégias comerciais e ganho de eficiência operacional.

“O mês de março cumpriu um papel importante de reorganização do varejo após o impacto do Carnaval, mas os dados mostram que o consumidor segue mais criterioso. O ambiente de juros elevados, somado às incertezas externas e internas, tem levado a uma decisão de compra mais racional, em que preço e percepção de valor são determinantes. Nesse cenário, a conversão depende cada vez mais de estratégia, eficiência e estímulos muito bem calibrados”, conclui Sidnei Raulino, fundador e CEO da Seed Digital.

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná. Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social. Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos. Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas. Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005). Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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