Veja as habilidades que você precisa desenvolver para acompanhar as mudanças do trabalho futuro

Veja as habilidades que você precisa desenvolver para acompanhar as mudanças do trabalho futuro

Maior desafio do momento não está apenas em dominar a tecnologia, mas em mudar a forma de trabalhar

A atual fase do mercado de trabalho já vem sendo chamada por especialistas de “década da desorientação”. O termo resume um cenário marcado por mudanças rápidas, excesso de informação e pressão constante por adaptação. Nesse ambiente, a inteligência artificial transformou profundamente a rotina profissional. Automatiza tarefas, acelera processos e amplia a capacidade de produção. Ainda assim, cresce a sensação, entre profissionais, de estarem sempre correndo, lidando com incertezas sobre o futuro e enfrentando dificuldades reais para avançar.

Esse aparente paradoxo foi um dos pontos centrais discutidos no SXSW 2026, um dos principais eventos globais de inovação, tecnologia e comportamento, realizado em março, em Austin (EUA). Reconhecido por antecipar tendências que rapidamente impactam o mercado, o encontro trouxe um alerta claro: o desafio atual não é apenas acompanhar a tecnologia, mas adaptar a forma de trabalhar a um cenário mais complexo do que no passado.

Durante o evento, os pesquisadores Kai Riemer e Sandra Peter, da Universidade de Sydney, destacaram mudanças em curso nas organizações que explicam por que o trabalho se tornou, ao mesmo tempo, mais intenso e mais difuso. Na prática, a ideia reforça a percepção de que já não basta dominar ferramentas. É preciso desenvolver novas habilidades para lidar com um ambiente mais dinâmico, interdependente e menos previsível.

“A tecnologia aumentou a velocidade, mas não necessariamente a clareza. As pessoas lidam com mais informação, mais decisões e pressão, tudo ao mesmo tempo. E isso exige preparo para priorizar melhor, analisar com maior senso crítico e tomar decisões com mais segurança”, afirma Carol Garrafa, neurocientista e especialista em comportamento e formação de equipes de alta performance.

Trabalho mais complexo exige novas formas de pensar

Um dos principais movimentos no mercado é a mudança na natureza dos problemas. Eles deixaram de ser lineares e passaram a envolver múltiplas áreas, interesses e variáveis ao mesmo tempo. Por isso, ganha força o pensamento sistêmico, ou seja, a capacidade de enxergar conexões, entender impactos e tomar decisões considerando o todo.

“Hoje, os problemas raramente estão isolados. Eles envolvem diferentes áreas e contextos. Quem não consegue enxergar essas conexões tende a simplificar demais e tomar decisões piores”, explica Carol. “Além disso, nem sempre haverá respostas claras. Portanto, saber interpretar cenários e deliberar com segurança se torna cada vez mais importante”, completa.

Saber usar IA virou básico, o diferencial está em como usar

Com a inteligência artificial cada vez mais presente no dia a dia, saber utilizar essas ferramentas deixa de ser um diferencial e passa a ser o mínimo esperado. O que muda é o tipo de habilidade valorizada. Em vez de execução pura, cresce a importância da capacidade de interpretar, questionar e validar o que a tecnologia entrega. “A IA entrega rápido e com aparência de qualidade, mas isso pode levar a decisões superficiais. O profissional precisa desenvolver senso crítico para analisar e não apenas aceitar o que recebe”, afirma Carol.

A especialista avalia que este cenário também impacta diretamente o desenvolvimento de profissionais mais jovens. “Com menos contato com o processo de construção do conhecimento, o aprendizado pode se tornar mais rápido, porém menos profundo”, alerta a neurocientista. “Isso porque aprender envolve esforço, erro e reflexão. Quando tudo vem pronto, existe o risco de formar profissionais com menos repertório”, diz.

Por isso, indica Carol, a alfabetização em inteligência artificial se consolida como uma habilidade essencial: não apenas para usar ferramentas, mas para interpretar, questionar e tomar decisões mais consistentes.

O desalinhamento no trabalho exige mais clareza e comunicação

Outro ponto que merece atenção é o desalinhamento entre o que as empresas esperam e o que os profissionais consideram adequado como forma de trabalho. Diferenças de visão sobre produtividade, autonomia e presença física têm gerado ruídos cada vez mais frequentes, segundo a especialista. “Quando não há clareza, cada pessoa opera com uma lógica própria. Isso gera retrabalho, desgaste e uma sensação constante de desconexão entre esforço e resultado”, afirma Carol. “A chave, então, é comunicação clara, alinhamento de expectativas e capacidade de negociação, que passam a ser cada vez mais valorizadas.”

Mais informação, menos foco. E decisões mais frágeis

Se por um lado a tecnologia ampliou o acesso à informação, por outro ela trouxe um novo desafio: a dificuldade de manter o foco. Hoje, o trabalho acontece em meio a múltiplos estímulos simultâneos. Mensagens, reuniões, e-mails e conteúdos competem pela atenção ao longo do dia. “Existe uma sensação de produtividade porque as pessoas estão sempre ocupadas. Mas isso nem sempre se traduz em qualidade. Sem foco, a tendência é tomar decisões mais rápidas e menos consistentes”, explica Carol. “Nesse contexto, a capacidade de priorizar e sustentar a atenção passa a ser uma habilidade central para o desempenho.”

Colaboração, confiança e escala passam a definir resultados

À medida que os desafios se tornam mais complexos, cresce também a necessidade de colaboração entre áreas. Soluções deixam de ser individuais e passam a depender da integração de diferentes perspectivas. Isso exige maior capacidade de articulação, mas também ambientes baseados em confiança. “Sem confiança, o trabalho se torna mais lento e defensivo. As pessoas deixam de colaborar de forma aberta e passam a se proteger, o que impacta diretamente o resultado”, afirma Carol. “Ao mesmo tempo, com o apoio da tecnologia, tudo ganha escala rapidamente. Uma decisão tomada por uma área pode impactar toda a organização, ampliando a responsabilidade sobre a qualidade dessas deliberações.”

O que já está sendo exigido, e não é mais tendência

A transformação provocada pela inteligência artificial já é visível na rotina das empresas. O que se observa é uma mudança gradual e, muitas vezes, silenciosa nas exigências do trabalho. Habilidades como pensamento sistêmico, alfabetização em inteligência artificial, capacidade de lidar com complexidade, colaboração entre áreas, construção de confiança, people skills e resolução de problemas em escala já começam a definir o desempenho profissional. “Muita gente ainda acha que precisa apenas aprender a usar uma nova ferramenta ou fazer um MBA. Mas o que está em jogo é a forma de trabalhar. E isso exige ajustes mais profundos no dia a dia”, alerta Carol Garrafa. “Profissionais que conseguem perceber esse movimento mais cedo tendem a se adaptar com mais consistência e ter mais sucesso”, completa.

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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