Dólar fecha acima de R$ 5,00 e Bolsa tem queda de 1,8%

Notícia de que Flavio Bolsonaro negociou R$ 134 milhões com o banqueiro Daniel Vorcaro, do Master, para financiar um filme sobre Jair Bolsonaro provocou forte reação no mercado
A reportagem publicada no Intercept Brasil sobre ligações entre o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o ex-dono do banco Master, Daniel Vorcaro, caiu como uma bomba no mercado financeiro brasileiro. O dólar disparou durante a tarde desta quarta-feira e fechou novamente acima dos R$5,00. A moeda norte-americana no câmbio comercial foi cotada ao final do dia a R$ 5,009, com alta de 2,31% em relação ao dia anterior. Esse foi o maior reajuste percentual em um único dia desde 5 de dezembro do ano passado, quando o dólar subiu 2,34%. No ano, o dólar acumula baixa de 8,80% em relação ao real.
O Ibovespa fechou o pregão com queda de 1,80%, aos 177.098,29 pontos. Entre os destaques da Bolsa brasileira foram as ações de varejistas de moda, que caíram em bloco. Os papéis de C&A (CEAB3) e Lojas Renner (LREN3), ambas da carteira do índice recuaram 4,74% e 3,58%, respectivamente. As ações da Riachuelo (RIAA3), que não fazem parte do índice, registraram queda de 4,64%
Cenário externo
O cenário externo desfavorável também pressionou os mercados.Os índices de inflação ao consumidor e ao produtor dos Estados Unidos vieram acima do esperado, reforçando a percepção de que o Federal Reserve deverá manter os juros elevados por mais tempo. Em paralelo, as tensões entre EUA e Irã mantêm o petróleo elevado — o Brent segue acima dos US$ 107 —, reduzindo o apetite por ativos de risco em mercados emergentes e pressionando o real desde a abertura.
Ao longo da tarde, o noticiário político doméstico aprofundou as perdas, ao lançar dúvidas sobre a candidatura do principal nome de oposição. A reação reflete o aumento da incerteza eleitoral, que foi suficiente para provocar ajuste de posições. O EWZ, principal ETF brasileiro negociado em Nova York, chegou a cair 3,39% e a curva de juros longos abriu de forma expressiva e setores sensíveis a juros lideraram as perdas.








