Nova corrida da Inteligência Artificial acelera demanda por data centers mais sustentáveis

Tecnologias modernas de resfriamento e gestão energética transformam infraestrutura digital e reduzem uso de recursos naturais
A Inteligência Artificial está transformando profundamente a economia mundial e inaugurando uma nova Revolução Industrial baseada em dados, conectividade e automação. Essa transformação vem elevando o nível de eficiência de praticamente todos os setores produtivos, dos bancos digitais ao comércio eletrônico, passando por aplicativos, sistemas industriais, logística e serviços públicos.
Por trás dessa revolução tecnológica existe uma intensa corrida global por infraestrutura digital. Empresas e governos ampliam investimentos em data centers, computação em nuvem e algoritmos capazes de sustentar o crescimento acelerado da IA e da digitalização da economia.
Ao mesmo tempo em que essa expansão abre enormes oportunidades de desenvolvimento econômico e inovação, surge também uma preocupação central: como garantir que esse crescimento aconteça de forma ambientalmente sustentável?
Data centers representam 1,5% do consumo global de eletricidade
Essa discussão é legítima e necessária. Afinal, os data centers são estruturas fundamentais para o funcionamento da economia digital e demandam grande capacidade energética para processar, armazenar e transmitir informações em tempo real. Segundo estimativas internacionais, os data centers já representam cerca de 1,5% do consumo global de eletricidade — percentual que tende a crescer rapidamente com a expansão da Inteligência Artificial e da computação em nuvem.
No entanto, é importante compreender que a própria evolução tecnológica trouxe soluções muito mais eficientes e sustentáveis do que aquelas utilizadas nas gerações anteriores de infraestrutura digital.
Fernando Palamone, CEO da RT-One, empresa global de tecnologia que atua nos setores de inteligência artificial, cibersegurança e computação em nuvem, conta que os data centers mais antigos utilizavam sistemas de resfriamento semelhantes aos de grandes edifícios comerciais, baseados em torres evaporativas que consomem grandes volumes de água para dissipar o calor gerado pelos servidores. O executivo destaca ainda que nesse modelo tradicional, o consumo pode chegar a cerca de 1,5 litro de água por quilowatt-hora (kWh), podendo aumentar ainda mais em períodos de temperaturas elevadas.
“Os projetos modernos já incorporam tecnologias muito mais avançadas, capazes de reduzir drasticamente o consumo de recursos naturais. Uma das principais inovações é o sistema de resfriamento líquido em circuito fechado, conhecido como direct-to-chip”, conta Palamone.
O CEO conta que nesse modelo, o líquido circula diretamente nos componentes que mais geram calor, como processadores e chips de alta performance e, posteriormente, passa por trocadores térmicos que dissipam essa energia para o ambiente externo.
“O funcionamento é semelhante ao sistema de arrefecimento de um automóvel: um fluido circula continuamente em circuito fechado, remove o calor do motor e o dissipa por meio do radiador. O líquido não é consumido nem evaporado durante o processo, permanecendo em constante recirculação. Como resultado, o consumo de água se torna praticamente zero, exigindo apenas reposições pontuais para manutenção”, destaca.
IA e o aumento do impacto ambiental
Esse avanço demonstra que a expansão da Inteligência Artificial não precisa ocorrer de forma proporcional ao aumento do impacto ambiental.
Tecnologias recentes, especialmente nas áreas de resfriamento de alta eficiência, uso de energia renovável e gestão inteligente de recursos naturais, já permitem ampliar rapidamente a infraestrutura digital necessária para a IA de maneira muito mais sustentável do que no passado.
A boa notícia é que essas soluções já estão disponíveis e vêm sendo incorporadas desde a concepção de novos empreendimentos. Isso permite que os data centers da nova geração sejam planejados com elevados padrões de eficiência energética, sustentabilidade e responsabilidade ambiental.
Fernando ressalta que nesse contexto, a RT-One busca trazer ao Brasil exatamente esse novo modelo de infraestrutura digital, alinhado às melhores práticas internacionais e às tecnologias mais modernas do setor. O objetivo é contribuir para o desenvolvimento sustentável da infraestrutura digital brasileira, conciliando inovação tecnológica com responsabilidade ambiental.
“A nova geração de data centers nasce, portanto, mais preparada para atender às demandas da economia digital sem repetir os modelos de alto consumo do passado. Conciliar a expansão da computação em nuvem e da Inteligência Artificial com responsabilidade ambiental deixou de ser apenas uma possibilidade tecnológica. Hoje, já é um caminho viável, e necessário, para garantir infraestrutura digital de alta capacidade, preservando ao mesmo tempo os recursos naturais e o bem-estar das comunidades locais”, finaliza.








