Segurança digital se consolida como prioridade estratégica nas empresas brasileiras

Segurança digital se consolida como prioridade estratégica nas empresas brasileiras

75% das empresas já possuem área dedicada à cibersegurança e 53% atribuem prioridade máxima ao tema no orçamento atual

A segurança digital consolidou-se como um pilar estratégico e habilitador de negócios no Brasil, e não mais como um mero centro de custos. É o que revela a terceira edição do Barômetro da Segurança Digital, estudo encomendado pela Mastercard ao Instituto Datafolha. A pesquisa, realizada com tomadores de decisão da área de TI de empresas de pequeno, médio e grande porte dos setores de varejo, tecnologia, telecom, finanças, seguros, saúde e educação, aponta uma evolução significativa na maturidade, nos investimentos e na preparação das empresas contra ameaças cibernéticas nos últimos anos.

Comparando os dados de 2025 com os da última edição do estudo (2022), o avanço é notável em todos os portes. A existência de departamentos próprios para cibersegurança saltou de 35% para 75% no total da amostra — com destaque para as pequenas empresas, onde o índice saltou de 23% para 66%. A prioridade máxima no orçamento atual também mais que dobrou globalmente (de 23% para 53%), e nas grandes empresas já atinge 54%. Já a adoção de um planejamento anual para a área cresceu de 26% para 56% no total, chegando a 80% no setor de tecnologia e telecom.

“Os dados do Barômetro mostram uma transformação profunda na mentalidade do mercado brasileiro. A segurança digital migrou da periferia para o centro das decisões estratégicas”, comenta Daniel Vilela, VP de Prevenção a Fraude e Compliance da Mastercard Brasil.

“As empresas não enxergam mais esse investimento apenas como uma despesa necessária, mas como um motor para gerar confiança, credibilidade, resiliência e inclusão digital levando à continuidade e expansão dos negócios. É um sinal claro de maturidade e uma resposta direta ao cenário de ameaças cada vez mais sofisticadas”, destaca Daniel Vilela

Confiança e credibilidade: os principais benefícios percebidos

O estudo identificou que os principais benefícios atribuídos ao investimento em cibersegurança são a confiança para a gestão dos negócios e a credibilidade diante de clientes e parceiros (71%). A percepção de que as empresas de seus setores são alvos de fraudes e de ataques digitais com alta ou média frequência saltou de 64% em 2022 para 78% em 2025, indicando um aumento da consciência do risco.

Em resposta a esse cenário, as empresas têm intensificado medidas concretas — 96% realizam testes de segurança regularmente, 86% possuem um plano de resposta a incidentes e 75% já adotaram simulações de ataques nos últimos três meses.

 Pequenas empresas aceleram na adoção de estrutura e práticas de segurança

A evolução foi notável em todos os tamanhos, com destaque para a aceleração nas empresas de pequeno porte (10 a 49 funcionários), que representam 20% da amostra:

  • A criação de áreas próprias para cibersegurança disparou de 23% (2023) para 66% (2025).
  • A prioridade máxima (notas 9-10) no orçamento atual subiu de 19% para 42%.
  • A realização de simulações de ataques nos últimos 3 meses saltou de 31% para 63%.

As empresas de médio (50 a 99 funcionários – 28% da amostra) e grande porte (mais de 100 funcionários – 52% da amostra) também apresentam índices elevados. Nas grandes empresas, 87% consideram o tema “muito importante”, 90% possuem plano de resposta a ataques e 83% fizeram simulações recentes.

Tecnologia e telecom lideram em maturidade

A análise por setor de atuação revela diferentes níveis de maturidade, com o segmento de tecnologia + telecom se destacando consistentemente:

  • Prioridade Orçamentária: 72% atribuem prioridade máxima (notas 9-10) ao tema no orçamento atual.
  • Preparo:  64% se consideram muito preparados (notas 9-10) para um ataque cibernético.
  • Estrutura: 80% possuem planejamento anual para a área, e 98% têm um plano pronto de resposta a ataques.
  • Práticas: 100% realizam testes de segurança regularmente e 92% fizeram simulações de ataques nos últimos 3 meses.

O segmento financeiro + seguros também apresenta índices robustos, com 80% afirmando que o tema é “muito discutido” no setor e 90% possuindo plano de resposta a ataques. O varejo mostra grande avanço, com 73% já tendo área própria de cibersegurança. A saúde se destaca pela frequência de avaliações de riscos de terceiros e simulações. Educação, embora com indicadores um pouco abaixo da média geral, também registrou crescimento significativo em vários aspectos desde 2021.

Concentração nas Regiões Sudeste e Sul

A amostra da pesquisa teve a seguinte distribuição geográfica:

  • Sudeste: 42% das entrevistas.
  • Sul: 21% das entrevistas.
  • Nordeste: 21% das entrevistas.
  • Norte/Centro-Oeste: 16% das entrevistas.

Os dados consolidados apresentados no estudo representam, portanto, uma visão nacional, com peso proporcional à presença das empresas nas diferentes regiões.

Desafios persistentes e adoção tecnológica

Apesar dos avanços, desafios permanecem. Encontrar profissionais qualificados ainda é considerado “muito difícil” por 25% das empresas (uma em cada quatro).

Na outra ponta, a adoção de tecnologias avançadas acelerou: 73% atribuem grande relevância à biometria, 47% à Inteligência Artificial/Machine Learning e 58% à criptografia. O uso intensivo (“utiliza muito”) de biometria para diminuir a utilização de senhas por clientes já é realidade para 52% das empresas. Essa adoção tecnológica é um dos pilares para a construção de um ecossistema digital mais seguro.

 

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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