Varejo de moda avança em iniciativas de circularidade e reaproveitamento de resíduos

Varejo de moda avança em iniciativas de circularidade e reaproveitamento de resíduos

ABVTEX reúne cases que mostram como sustentabilidade e operação caminham juntas no setor

O avanço da economia circular vem transformando a forma como o varejo de moda lida com resíduos, descarte e reaproveitamento de materiais. Em um setor historicamente desafiado pelo alto volume de resíduos têxteis, grandes redes varejistas têm ampliado investimentos em iniciativas que unem reciclagem, logística reversa, redesign de processos e engajamento do consumidor.

No Dia Mundial da Reciclagem, celebrado neste domingo, 17 de maio, a ABVTEX (Associação Brasileira do Varejo Têxtil), entidade que representa mais de 100 marcas da moda nacional, destaca exemplos práticos desenvolvidos por associadas que mostram como sustentabilidade deixou de ser apenas uma agenda institucional para se tornar parte da estratégia operacional e de negócio das empresas.

“O setor vem amadurecendo iniciativas concretas que reduzem desperdícios, ampliam o reaproveitamento de materiais e estimulam novos modelos de consumo. Mais do que um movimento conceitual, são práticas que já são realidade no cotidiano das empresas e geram impacto ambiental, social e econômico”, afirma Edmundo Lima, diretor executivo da ABVTEX.

Entre os destaques estão projetos ligados à reciclagem têxtil, reuso criativo, logística reversa, transformação de resíduos em novos produtos e substituição de materiais de difícil reciclagem:

AZZAS 2154 aposta em circularidade

No AZZAS 2154, diferentes marcas do grupo vêm estruturando iniciativas voltadas à circularidade e gestão de resíduos têxteis. Um dos projetos é o de doação de tecidos excedentes para grupos artesanais e cooperativas em diferentes estados do país. Em 2025, a iniciativa destinou 27,8 toneladas de tecidos, com valor estimado em R$ 2,1 milhões, para reaproveitamento criativo, sendo transformados em produtos como nécessaires, capas para notebook, puffs e acessórios, beneficiando 303 artesãs e gerando impacto social e econômico em comunidades locais. Além disso, 2,8 toneladas de tecidos foram utilizadas pela Associação das Escolas de Samba Mirins do Rio de Janeiro na produção de fantasias e alegorias para mais de 14 mil crianças.

A companhia também mantém frentes de reciclagem de resíduos têxteis industriais, com 2.161 toneladas reinseridas na cadeia produtiva em 2025, além de iniciativas de logística reversa, reaproveitamento de joias, serviços de reparo e ajustes em lojas e programas de coleta de roupas usadas. Entre eles está o Reserva Circular, programa que recebe peças e calçados em fim de uso para reciclagem, coprocessamento e desenvolvimento de novos produtos. Outro exemplo é a plataforma de moda circular da marca Animale que incentiva clientes a devolverem peças usadas. As roupas arrecadadas passam por triagem para revenda em canais vintage ou doação para projetos sociais. Em 2025, a iniciativa arrecadou 215 mil peças, comercializou 43 mil itens e movimentou R$ 52,8 milhões.

“Falar de economia circular na indústria da moda é falar de corresponsabilidade. A gestão adequada dos resíduos têxteis e o incentivo à circularidade são caminhos concretos para reduzir impactos e engajar toda a cadeia produtiva. Iniciativas como as que desenvolvemos reforçam que a transformação do setor passa por ações práticas e colaborativas”, afirma Suelen Joner, Head de Sustentabilidade da AZZAS 2154.

VESTE transforma resíduos têxteis em reciclagem

Na VESTE, dona das marcas Le Lis, Dudalina, John John, BO.BÔ e Individual, a agenda de sustentabilidade ganhou força a partir de iniciativas desenvolvidas pelas equipes operacionais da companhia, especialmente dentro da fábrica da empresa localizada no Paraná. Um dos projetos implementados desde 2024 estruturou a separação técnica de resíduos têxteis por cor e tipo de material, permitindo ampliar o reaproveitamento e melhorar a destinação para reciclagem. Desde o início da iniciativa, já foram recicladas 37 toneladas de tecidos. Os resíduos são encaminhados para uma empresa recicladora, que transforma o material em novos insumos utilizados por outras indústrias, incluindo enchimentos para almofadas e componentes da cadeia automotiva.

Além do impacto ambiental, o projeto também passou a gerar impacto social direto. A receita obtida com a comercialização dos resíduos, é integralmente revertida para ações sociais na própria comunidade local, incluindo doação de equipamentos para instituições de apoio a idosos e crianças com necessidades especiais.

Outra frente da companhia envolve a substituição de plástico bolha por soluções desenvolvidas a partir de papelão reciclado e a ampliação do uso de plástico reciclado pós-consumo em embalagens destinadas ao e-commerce. Em 2025, a empresa atingiu a meta de eliminar 100% dos plásticos considerados problemáticos nas embalagens o cliente final.

Compensação ambiental

Desde 2022, a VESTE é parceira da EuReciclo, com a solução de compensação ambiental, em que garante que seja reciclado 100% do mesmo volume e mesmo material das embalagens entregues aos clientes, tanto nas lojas físicas como no e-commerce. Desde o início da parceria, houve a reciclagem de 792 toneladas de papel e 403 toneladas de plástico.

As iniciativas das varejistas reforçam um movimento crescente na moda brasileira: o de integrar sustentabilidade à operação cotidiana das empresas, conectando eficiência, responsabilidade ambiental e impacto social.

Segundo a ABVTEX, a tendência é que temas ligados à circularidade, rastreabilidade e reaproveitamento ganhem ainda mais relevância, impulsionados tanto por mudanças regulatórias quanto pela transformação do comportamento de consumo e pela necessidade de redução dos impactos ambientais da cadeia da moda.

 

 

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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