Veja como a tecnologia está profissionalizando o trabalho dos motoboys no Brasil

Veja como a tecnologia está profissionalizando o trabalho dos motoboys no Brasil

Aplicativos, rastreamento inteligente, manutenção preventiva e plataformas digitais mudam a rotina dos entregadores

A imagem do motoboy improvisando rotas pelas ruas das grandes cidades começa a dar lugar a uma operação cada vez mais profissionalizada, conectada e tecnológica. Impulsionado pelo crescimento do delivery, pela expansão do comércio eletrônico e pela digitalização da logística urbana, o setor de entregas por motocicleta vive uma transformação silenciosa no Brasil, com mais tecnologia embarcada, controle operacional e modelos de gestão semelhantes aos de empresas de mobilidade e logística.

Os números ajudam a explicar o movimento. Dados divulgados pela Amobitec e pelo Cebrap mostram que o número de entregadores por aplicativo cresceu 18% no Brasil entre 2022 e 2024. Já o Banco Central aponta que o total de trabalhadores por aplicativos cresceu 170% na última década, ultrapassando 2 milhões de pessoas em 2025.

Ao mesmo tempo, o mercado de motocicletas também disparou. Segundo a Abraciclo, o Brasil registrou cerca de 2,1 milhões de motos vendidas em 2025, crescimento de 17,1% em relação ao ano anterior. Pela primeira vez, as vendas de motocicletas superaram as de carros no país.

Mudança

Por trás desse crescimento, existe uma mudança importante no perfil da atividade. O trabalho dos entregadores deixou de depender apenas de aplicativo e GPS. Hoje, empresas do setor passaram a investir em tecnologia de rastreamento, gestão de frota, análise de desempenho, manutenção preventiva e inteligência operacional para reduzir riscos e aumentar a previsibilidade financeira.

É assim que surgem empresas como a Byker, criada para operar com um modelo digital de locação de motos voltado à mobilidade urbana e contribuir com quem trabalha com mercado de entregas. A empresa aposta em uma plataforma própria para conectar franqueados, locatários, frota e gestão financeira em tempo real, utilizando rastreamento, acompanhamento operacional e manutenção inteligente.

Para Geraldo Carneiro, fundador da Byker, a profissionalização do setor está diretamente ligada ao avanço tecnológico.

“O motoboy deixou de ser visto apenas como alguém que faz entregas. Hoje ele faz parte de uma engrenagem logística extremamente importante para a economia urbana. E, como qualquer operação logística, isso exige tecnologia, previsibilidade, gestão e eficiência”, afirma Carneioro

Segundo ele, a tecnologia também ajuda a reduzir um dos principais problemas históricos do setor: a informalidade operacional.

“Antigamente, muitos profissionais dependiam exclusivamente da própria moto, sem qualquer tipo de suporte ou controle operacional. Hoje existe rastreamento, manutenção programada, monitoramento em tempo real e sistemas que ajudam até na prevenção de perdas e roubos. Isso traz mais estabilidade para quem trabalha com entrega”, explica.

Última milha

A pressão por entregas cada vez mais rápidas também acelerou esse processo. O crescimento do e-commerce e dos aplicativos transformou a chamada “última milha” em uma das etapas mais estratégicas da experiência do consumidor. Estimativas do setor apontam que o e-commerce brasileiro deve movimentar até R$ 260 bilhões em 2026, impulsionando ainda mais a demanda logística urbana.

Com isso, empresas passaram a enxergar os entregadores como parte essencial da cadeia operacional, e não apenas como mão de obra temporária.

“O mercado amadureceu muito rápido. Hoje já existe uma visão mais estruturada sobre frota, segurança, desempenho e rentabilidade. A tecnologia ajuda tanto o operador quanto o entregador a trabalharem de forma mais eficiente”, diz Carneiro.

Outro fator que contribui para essa profissionalização é a expansão das locadoras de motos voltadas especificamente para entregadores. O modelo cresceu nos últimos anos justamente porque muitos trabalhadores passaram a enxergar a locação como alternativa para entrar rapidamente no mercado sem assumir financiamento ou custos elevados de aquisição.

Crescimento deve continuar

Para ele, empresas de locação de motos para entregadores vêm registrando crescimento acelerado em diversas regiões do país, acompanhando a expansão estrutural do delivery. O setor ainda está longe do limite de crescimento.

“A motocicleta se tornou uma ferramenta de geração de renda para milhões de brasileiros. Mas o mercado não cresce mais só em volume. Ele cresce em sofisticação operacional. Hoje existe muito mais tecnologia, inteligência e gestão por trás de uma entrega do que as pessoas imaginam”, afirma.

O fundador explica que isso significa que o trabalho dos motoboys também começa a ganhar características mais próximas das operações modernas de mobilidade e logística urbana, impulsionadas por dados, conectividade e eficiência operacional.

“E, em um país onde as entregas rápidas se tornaram parte da rotina de consumo, a tendência é que essa transformação continue acelerando nos próximos anos”, conclui.

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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