Em pesquisa inédita, 58% dos executivos relatam aumento dos investimentos em inovação

Levantamento da Piera e da ADVB indica que falta de processos estruturados é o principal entrave à inovação e limita a geração de resultados
A inovação vem ganhando espaço na agenda das corporações em todo o mundo, mas ainda enfrenta desafios para sair do planejamento e se consolidar como prática permanente e sustentada de processos estruturados.
Em uma pesquisa inédita feita pela Piera, consultoria brasileira especializada em gestão e estratégias para inovação, e pela Associação dos Dirigentes de Vendas e Marketing do Brasil (ADVB), 58% de 167 executivos entrevistados afirmaram que as empresas em que trabalham aumentaram os investimentos em inovação em 2026 em relação ao ano anterior. Além disso, 55% disseram que o tema já faz parte da estratégia do negócio e conta com a participação da alta liderança.
Apesar desse avanço, 29% dos respondentes declararam que em seus locais de trabalho as inovações acontecem de forma espontânea ou reativa, enquanto 28% deles atuam em corporações em que os processos de gestão da inovação são formalizados, contínuos e mensuráveis, e colaboradores de todas as áreas podem contribuir.
“Existe dinheiro e vontade para inovar, inclusive há apoio das diretorias. O que está faltando é saber fazer, é ter um processo formalizado que possibilite a inovação acontecer de maneira estruturada e de forma a gerar resultado para as empresas”, comenta Valter Pieracciani, sócio-fundador da Piera.
Onde as empresas estão concentrando seus esforços?
Quando se fala em inovação voltada às áreas de Marketing e Vendas, 36% dos entrevistados informaram que a Experiência do Cliente (CX) é o principal foco das organizações em que atuam, indicando que elas têm direcionado seus investimentos para iniciativas mais conectadas à geração de valor para o consumidor final. Em seguida, 34% dos executivos ouvidos citaram Canais e Tecnologia e 21% citaram Modelos de Negócios e Precificação.
Gargalos na inovação empresarial
Segundo 30% dos profissionais ouvidos no levantamento, a principal barreira para a inovação acontecer dentro das companhias em que trabalham é a falta de recursos para projetos, enquanto para 20% deles é a dificuldade de estabelecer conexões com o ecossistema de inovação e para 16% é a ausência de um sistema de gestão permanente (16%). Ainda, 15% dos executivos citaram como barreira a falta de profissionais capacitados. Nesta questão, os entrevistados podiam escolher três de seis opções de respostas.
“Durante muito tempo, as empresas foram treinadas para evitar riscos. Mas, em um ambiente marcado por inteligência artificial, automação e mudanças cada vez mais rápidas, permanecer imóvel pode representar um risco ainda maior. As organizações que estão se destacando não são aquelas que eliminam as incertezas, mas as que desenvolvem capacidade para administrá-las e transformar inovação em vantagem competitiva”, explica Pieracciani.
Outro ponto que chama a atenção trata do tema dos incentivos governamentais. Para 36% dos executivos, eles são fundamentais e, quanto maiores, mais inovação geram. Outros 36% afirmaram que não usam incentivos e não pretendem usar. O principal motivo para a não utilização desses mecanismos, segundo 31%, é o desconhecimento sobre os incentivos disponíveis. Para 29% deles é a insegurança jurídica, enquanto 10% têm a percepção de que o uso do benefício é complicado.
“Com base nessa pesquisa, entendemos que existe uma lacuna imensa sobre o conhecimento em relação aos incentivos fiscais, pois o Brasil nunca teve tanto dinheiro disponível para inovação quanto agora. Há mais recursos, mais incentivos e mais instrumentos de apoio do que em qualquer outro momento da história recente. Mas existe uma questão que continua sendo ignorada por boa parte das organizações, o fato de o acesso a recursos não ser sinônimo de capacidade de inovar. Pela primeira vez, a inovação deixa de ser tratada apenas como uma aspiração corporativa ou um conjunto de iniciativas isoladas e passa a ser estruturada dentro de um sistema de gestão auditável, com critérios objetivos, responsabilidades definidas, mecanismos de controle e indicadores de desempenho”, finaliza Valter.
“Os dados dessa pesquisa inédita trazem um diagnóstico claro: o mercado brasileiro já compreendeu o valor estratégico da inovação, especialmente quando vemos que o principal foco de esforço está na Experiência do Cliente e nos Canais. O apetite do ecossistema de Vendas e Marketing para investir e evoluir é evidente. No entanto, o grande desafio atual não é mais convencer a alta liderança ou obter verba, mas sim criar uma cultura de processos estruturados. Sem uma gestão formalizada e contínua, o investimento corre o risco de virar apenas esforço isolado, sem se traduzir em resultado comercial sustentável e vantagem competitiva real. A ADVB, em parceria com a Piera, quer justamente apoiar as empresas a transformarem essa intenção em capacidade prática de execução,” diz Livio Giosa, presidente da ADVB.








