Geração Z transforma criptomoedas em porta de entrada para uma nova era dos investimentos digitais

Geração Z transforma criptomoedas em porta de entrada para uma nova era dos investimentos digitais

Jovens investidores enxergam criptoativos como infraestrutura financeira global e impulsionam mudanças no comportamento do mercado

 A Geração Z está redefinindo a relação com o dinheiro e acelerando a adoção de criptomoedas como parte de uma nova infraestrutura financeira digital. No Brasil e no exterior, jovens investidores veem os ativos digitais não apenas como instrumentos de especulação, mas também como ferramentas de autonomia financeira, acesso global e participação em uma economia conectada, disponível 24 horas por dia. O movimento tem chamado a atenção do mercado financeiro, de empresas de tecnologia e de reguladores, que acompanham a consolidação desse novo perfil de investidor digital.

Para Cleverson Pereira, head educacional da OnilX, as criptomoedas têm funcionado como a principal porta de entrada da Geração Z para o universo dos investimentos. Segundo ele, a facilidade de acesso por meio de aplicativos, carteiras digitais e plataformas especializadas aproxima os jovens do mercado financeiro e reduz barreiras que historicamente afastavam novos investidores. “A Geração Z não enxerga as criptomoedas apenas como um ativo financeiro. Ela vê a tecnologia como parte de uma nova infraestrutura econômica, mais digital, global e acessível. Isso explica por que muitos jovens chegam ao mercado financeiro por meio dos criptoativos antes mesmo de conhecer produtos tradicionais de investimento”, afirma.

Dados recentes mostram que a cultura de investimentos segue em expansão entre os brasileiros. Segundo o estudo Raio X do Investidor Brasileiro, realizado pela ANBIMA em parceria com o Datafolha, 36% da população possui algum tipo de investimento financeiro, o equivalente a 60,6 milhões de pessoas. Entre os jovens da Geração Z — grupo formado por pessoas de 16 a 29 anos em 2025 — o percentual de investidores também alcança 36%, demonstrando uma participação semelhante à observada entre millennials, geração X e baby boomers.

Quando o assunto são criptomoedas, a presença dos jovens é ainda mais expressiva. Pesquisa global realizada pela Gemini com 7.205 consumidores em seis países revelou que 48% da Geração Z já possui ou já possuiu ativos digitais. O índice se aproxima dos 52% registrados entre millennials e reforça o protagonismo dos jovens na expansão do mercado cripto. Nos Estados Unidos, levantamento do Pew Research Center aponta que 26% dos adultos entre 18 e 29 anos já investiram, negociaram ou utilizaram criptomoedas.

O comportamento desse novo investidor também apresenta características distintas das gerações anteriores. Levantamento realizado pela Coinbase em parceria com a Ipsos mostra que investidores jovens possuem maior exposição a ativos alternativos e maior disposição para experimentar novas tecnologias financeiras. Entre as principais características observadas estão o perfil digital-first, com uso predominante de aplicativos para investir; social-first, com forte influência das redes sociais na tomada de decisão; além de maior autonomia, abertura para ativos emergentes e interesse por tendências de inovação financeira.

“Diferentemente das gerações anteriores, que costumavam iniciar sua jornada financeira pelos produtos oferecidos pelos bancos tradicionais, a Geração Z começa pelo ambiente digital. São investidores que aprendem, pesquisam e tomam decisões dentro de aplicativos e redes sociais. Isso cria um perfil mais autônomo, aberto à inovação e disposto a explorar novas classes de ativos, mas também exige maior atenção à qualidade das informações consumidas”, complementa o especialista.

No Brasil, o cenário se mostra especialmente favorável ao crescimento desse mercado. O país figura entre os líderes globais em adoção de criptomoedas, segundo levantamento da Chainalysis, consolidando-se como um dos principais mercados da América Latina. A região registrou crescimento anual de 63% no valor recebido em transações on-chain, demonstrando o avanço da economia digital e da utilização de ativos digitais em diferentes perfis de usuários.

O ambiente regulatório também avança. “O Banco Central estabeleceu novas regras para prestadores de serviços de ativos virtuais, incluindo exigências relacionadas à governança, segurança, transparência, prevenção à lavagem de dinheiro e autorização para funcionamento. As principais normas entraram em vigor em fevereiro deste ano, trazendo maior previsibilidade para investidores e empresas do setor”, explica Pereira.

Outro fator determinante para compreender o novo perfil de investidor digital está nos canais de informação utilizados pelos jovens. Dados da ANBIMA apontam que 35% dos investidores brasileiros utilizam o YouTube para buscar informações financeiras, enquanto 27% recorrem ao Instagram. Além disso, 9% já utilizam ferramentas de inteligência artificial para esclarecer dúvidas e acompanhar tendências do mercado.

Segundo Cleverson Pereira, essa mudança exige uma nova abordagem por parte das instituições financeiras e empresas do setor. “Não basta apenas oferecer informação. É preciso traduzir temas complexos de forma clara, transparente e compatível com a linguagem digital. A nova geração busca autonomia, mas também quer contexto para tomar decisões mais conscientes”, explica.

Apesar do avanço da adoção de ativos digitais entre os jovens, Cleverson alerta para os riscos associados à falta de informação qualificada e ao consumo excessivo de conteúdos financeiros sem embasamento técnico. O relatório da FINRA Foundation identificou uma relação significativa entre investimentos de alto risco e comportamentos ligados a apostas entre jovens investidores. Entre os participantes da Geração Z que afirmaram apostar com frequência, 70% também investem em criptomoedas e 38% em NFTs.

“O crescimento da participação dos jovens no mercado cripto é positivo porque amplia o acesso aos investimentos. Porém, autonomia sem conhecimento pode gerar decisões impulsivas. O desafio do setor é oferecer educação financeira clara, transparente e compatível com a linguagem digital dessa geração”, completa Pereira.

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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