Produtividade sob pressão acelera uso de inteligência artificial nas empresas

Com menos dias úteis e custos elevados, companhias recorrem à tecnologia para sustentar eficiência e proteger margem
A inteligência artificial deixou de ser pauta futura e passou a ocupar espaço direto na operação das empresas brasileiras em 2026. Pressionadas por um calendário com menos dias úteis, juros elevados e maior cobrança por resultado, companhias buscam tecnologia não apenas para crescer, mas para sustentar eficiência diante de uma rotina mais restritiva.
Para Ravell Nava, estrategista empresarial e fundador da BRL Educação, o avanço da IA não é mais uma escolha tática, mas uma resposta direta ao novo momento econômico. “2026 não é um ano em que as empresas conseguem crescer só aumentando esforço ou equipe. Existe uma pressão real por produtividade, e a inteligência artificial entra como forma de fazer mais com o mesmo recurso”, afirma.
Relatório global State of Generative AI in the Enterprise, da Deloitte, publicado em 2025, aponta que empresas que já avançaram na adoção da tecnologia relatam ganhos em produtividade, velocidade de execução e melhoria de processos, reforçando a mudança de postura no setor corporativo.
IA avança sobre áreas críticas do negócio
Na prática, o movimento ocorre em áreas centrais da operação. Ferramentas de análise de dados ajudam a prever demanda, revisar campanhas comerciais e identificar desperdícios financeiros. No atendimento, sistemas inteligentes aceleram respostas e padronizam processos. No marketing e nas vendas, recursos de IA passaram a apoiar segmentação, produção de conteúdo e leitura de comportamento do consumidor.
O movimento ganha força em um momento em que a eficiência passou a ser determinante para o resultado. A taxa Selic está em 14,25% ao ano, após decisão recente do Comitê de Política Monetária do Banco Central, mantendo o crédito em nível elevado e pressionando o custo financeiro das empresas. Ao mesmo tempo, companhias enfrentam despesas maiores com folha, aluguel, fornecedores e aquisição de clientes.
“Quem ainda trata a inteligência artificial como tendência está atrasado. Hoje ela já faz parte da operação. A diferença é que algumas empresas usam para ganhar eficiência, enquanto outras continuam absorvendo prejuízo sem perceber”, diz Nava.
Segundo ele, o principal erro ainda é tratar inteligência artificial como solução isolada. “Não adianta contratar ferramenta sem revisar processo. A empresa precisa entender onde perde tempo, onde erra mais e onde existe lentidão decisória. A IA potencializa gestão organizada, não substitui desorganização”, afirma.
Copa, eleições e feriados ampliam pressão por produtividade
Outro fator que acelera esse uso é a dinâmica específica de 2026. A concentração de feriados, somada a eventos como eleições e a Copa do Mundo, tende a reduzir dias efetivos de operação em diversos setores. Para empresas dependentes de vendas diárias, menos tempo produtivo aumenta a pressão por eficiência.
Para Nava, isso exige uma mudança direta na forma de operar.
“Quando a empresa tem menos dias para produzir, cada hora precisa render mais. Não existe espaço para processo lento, retrabalho ou decisão atrasada”, afirma.
Na avaliação do executivo, companhias que saem na frente são as que conectam tecnologia a metas concretas. “Quem usa IA para vender melhor, atender com mais velocidade e proteger margem vai atravessar 2026 com vantagem competitiva. Quem adiar essa adaptação tende a trabalhar mais e ganhar menos”, diz.
O avanço da inteligência artificial, portanto, deixa de ser apenas tema de inovação e ocupa o centro da gestão empresarial. Em vez de substituir pessoas, a tecnologia é usada para ampliar capacidade, acelerar decisões e tornar a operação mais eficiente.
Para o especialista, a próxima disputa no ambiente corporativo tende a acontecer menos pela capacidade de vender e mais pela capacidade de operar com eficiência. “Não vai vencer só quem cresce. Vai crescer quem consegue transformar produtividade em resultado real e consistente”, conclui.








