Queda dos juros muda estratégia das empresas e amplia espaço para investimentos

Queda dos juros muda estratégia das empresas e amplia espaço para investimentos

Mais do que baratear o crédito, novo ciclo da Selic influencia decisões sobre expansão, capital de giro e estrutura financeira das companhias

 O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) decidiu nesta quarta-feira (5) reduzir a taxa básica de juros da economia, a Selic, em 0,25 ponto percentual, de 14,25% para 14% ao ano. A expectativa de um novo ciclo de redução da taxa Selic volta a colocar a política monetária no centro das decisões empresariais e especialistas destacam que os efeitos das mudanças nos juros vão muito além do custo do crédito e podem alterar a forma como empresas planejam investimentos, administram caixa e estruturam seu crescimento.

Segundo Gabriel Timm, diretor de Investimentos da Trio, empresa especializada em tecnologia para pagamentos, o impacto da Selic deve ser analisado dentro de um contexto mais amplo. “Mais importante do que a decisão sobre aumentar, manter ou reduzir a Selic é entender quais sinais o Banco Central transmite sobre os próximos meses da economia. É essa leitura que influencia as expectativas de crédito, investimento e crescimento e serve de base para o planejamento das empresas”, afirma.

Para o especialista, a redução dos juros costuma indicar um ambiente econômico mais favorável para a atividade produtiva, ampliando a confiança de empresários e investidores. “Projetos de expansão normalmente são planejados olhando para os próximos anos, e não apenas para o momento atual. Quanto maior a previsibilidade do cenário econômico, maior tende a ser a disposição das empresas para investir”, explica.

Crédito mais barato é apenas parte da mudança

Embora a queda da Selic seja frequentemente associada ao acesso a financiamentos mais baratos, Timm ressalta que empresas financeiramente estruturadas enxergam oportunidades que vão além da contratação de crédito. “Quando o custo do dinheiro diminui, muitas empresas passam a revisar investimentos que haviam sido adiados em um ambiente de juros elevados. Projetos de expansão, modernização tecnológica, aumento da capacidade produtiva e iniciativas voltadas para ganho de eficiência podem voltar a fazer sentido porque o custo de financiá-los mudou”, afirma.

Segundo ele, esse cenário também favorece a revisão da estrutura financeira das organizações. “Muitas companhias aproveitam momentos como esse para renegociar contratos, substituir operações contratadas em condições menos competitivas e melhorar a eficiência da estrutura de capital. O objetivo não é apenas reduzir despesas financeiras, mas criar espaço para crescer de forma sustentável”, explica.

Na avaliação do diretor da Trio, empresas com maior maturidade financeira tendem a reagir de forma diferente às mudanças no cenário macroeconômico.

“Organizações mais estruturadas não tomam decisões apenas porque os juros caíram. Elas analisam como esse novo ambiente se conecta aos objetivos estratégicos da companhia, avaliando se faz sentido acelerar investimentos, preservar liquidez, revisar o perfil das dívidas ou reorganizar sua estrutura financeira”, avalia Timm.

Essa mudança de perspectiva faz com que a discussão deixe de estar centrada apenas na taxa de juros. “A pergunta deixa de ser quanto custa o crédito e passa a ser qual é a forma mais eficiente de financiar o próximo ciclo de crescimento da empresa. Essa é uma decisão de alocação de capital, não apenas de financiamento”, afirma.

Para Timm, empresários e gestores financeiros devem acompanhar não apenas a decisão anunciada pelo Copom, mas principalmente o conteúdo do comunicado divulgado pelo Banco Central. “O mercado normalmente já precifica parte da decisão sobre a Selic. O que realmente faz diferença são as perspectivas apresentadas para inflação, atividade econômica e política monetária. Essas informações ajudam empresas a revisar projeções de investimentos e preparar diferentes cenários para o planejamento financeiro”, explica. Segundo o especialista, essa postura reduz decisões reativas e fortalece a capacidade das organizações de aproveitar oportunidades em momentos de mudança econômica.

Planejamento financeiro ganha protagonismo

Com um ambiente de juros potencialmente menos restritivo, cresce também a importância de contar com uma estrutura financeira preparada para responder rapidamente às mudanças do mercado. Na avaliação da Trio, empresas que possuem processos financeiros integrados, maior capacidade de análise e infraestrutura tecnológica conseguem transformar movimentos macroeconômicos em vantagem competitiva.

“Independentemente do ciclo econômico, as empresas que conseguem crescer de forma consistente são aquelas que alinham estratégia financeira com capacidade de execução. A redução dos juros amplia possibilidades, mas o diferencial continua sendo a qualidade das decisões tomadas a partir desse novo cenário”, conclui Timm.

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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