Saída de 4 milhões de trabalhadores por ano pode reduzir em até 10% a força de trabalho das empresas até 2027

Saída de 4 milhões de trabalhadores por ano pode reduzir em até 10% a força de trabalho das empresas até 2027

Renovação das lideranças e representatividade devem ganhar protagonismo nas empresas nos próximos anos

Investir e capacitar lideranças para o cenário de transformações globais do mercado de trabalho é prioridade para o segundo semestre de 2026. Isso porque, até 2027, o público boomer deixará uma lacuna de 4 milhões de trabalhadores, reduzindo em até 10% a força de trabalho das organizações nos próximos anos, de acordo com a Clarkston Consulting, via relatório “Diversity, Equity, and Inclusion: 2026 trends”.

O fenômeno iminente tem preocupado os conselhos administrativos e cargos de alta gestão dentro das empresas. Diante da necessidade de desenvolver ‘competências’ em novos líderes, a reformulação no quadro de funcionários também destacou outra mudança: a possível “retomada histórica” nos indicadores de Diversidade e Inclusão (D&I) dentro das organizações.

O momento é propício para que os novos líderes capacitados possam dar destaque para grupos historicamente sub-representados. A bandeira também é hasteada pelo quadro de funcionários. Segundo dados recentes da Catalyst e o Meltzer Center for Diversity, Inclusion, and Belonging, a maioria dos funcionários quer apoiar (69%) e trabalhar em (74%) organizações que mantenham um compromisso com a inclusão.

“Em muitos casos, o desafio já não está apenas na formulação de diretrizes ou no reconhecimento dos problemas, mas na capacidade de transformar compromissos e normativas em ações concretas, acessíveis e capazes de produzir mudanças reais na vida das pessoas. Diversidade, equidade, inclusão e direitos humanos são temas que atravessam diferentes realidades, gerações, experiências e visões de mundo. Estamos observando a saída dos Baby Boomers e a consolidação da Geração Z no centro do trabalho, e com eles, novas formas de enxergar o mundo e mais vontade de ver os seus pares, sub-representados, até então, com respeito, escuta, diálogo e disposição para a troca”, afirma Suzana Coelho, consultora em direitos humanos e CEO do Instituto Afetto.

Suzana relembra que já se passou uma década desde que a McKinsey popularizou a importância da paridade de gênero para a economia global, com US$ 28 trilhões em jogo. “Esse é o preço a não se pagar por ambientes de trabalho representativos, e não me refiro apenas às mulheres, como no estudo. Pessoas com deficiência, o público LGBTQIAPN+, pessoas negras, idosos(as), adolescentes e demais grupos vivenciam espaços de maneiras diferentes. Incorporar essas perspectivas durante o planejamento contribui para a construção de soluções mais efetivas, legítimas e alinhadas às necessidades da sociedade e do futuro das organizações para 2027”, explica.

Com repertório internacional, após atuar na Angola como gestora e assistente social do “Grupo Aldeia”, Suzana afirma que é possível transformar ‘desafios sociais’ complexos em estratégias capazes de gerar impacto positivo para organizações, comunidades e territórios. À frente do Instituto Afetto, as iniciativas conduzidas pela profissional chegaram a impactar cinco mil pessoas diretamente, inclusive, através da formação de líderes. “Em um momento que os Boomers estão de saída, o estudo da Clarkston deixou evidente a lacuna em cargos executivos (C+), devido à falta de preparação da liderança. A solução apresentada, em todo caso, é a de upskilling e reskilling, justamente através de programas de capacitação”, elucida.

O esforço, no entanto, não se resume às capacitações. Utilizando uma metodologia própria, Suzana elenca outras práticas de D&I para o segundo semestre de 2026: fortalecimento de iniciativas voltadas ao cuidado, inclusão e à ampliação do acesso a direitos para públicos em situação de vulnerabilidade social; qualificação profissional para atuação em temas relacionados aos direitos humanos, diversidade, equidade racial, acessibilidade e saúde mental; desenvolvimento de metodologias e ferramentas de monitoramento de indicadores sociais.

Como solucionar gargalos em empresas?

Ainda de acordo com Suzana, o caminho atual das organizações passa menos pela criação de novas pautas e mais pelo fortalecimento da capacidade de implementar, monitorar, avaliar e aprimorar aquilo que já foi conquistado. À frente do Instituto Afetto, que possui em seu portfólio marcas como IFood, VINCI Airports, a Plan International Brasil e o Grupo JCPM, além do ciclo de formação junto ao STF em letramento racial para gestores e líderes, a especialista destaca a procura pela consolidação das práticas de D&I, letramento racial e direitos humanos.

Entre os cases que auxiliam a mapear a importância do D&I nas empresas, Suzana destaca o desenvolvimento de iniciativas para o iFood voltadas ao cuidado, fortalecimento das redes de apoio, inclusão produtiva e desenvolvimento humano de entregadores e parceiros. Já no campo da cooperação internacional, a gestora traz a sua assinatura no Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) e Plan International Brasil, contribuindo em projetos voltados à promoção do desenvolvimento humano e proteção de direitos. Outro exemplo que destaca o D&I e como a prática auxilia a solucionar gargalos em diversos setores é a atuação junto a VINCI Airports, voltada a estratégias socioassistenciais para identificação, acolhimento e encaminhamento de pessoas em situação de vulnerabilidade social presentes no contexto aeroportuário, posteriormente ampliada para outras áreas.

“Os cases ajudam a mapear como está a procura do mercado, já que, até 2027, os desafios devem se intensificar. A solução é fortalecer a capacidade de conectar pessoas, instituições, territórios em torno de objetivos comuns”, conclui Suzana.

Crédito da foto: Magnific

 

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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