Varejo vê perdas avançarem 15,3% e aposta em IA para proteger rentabilidade

Prejuízos crescem mais que o faturamento do setor
As perdas no varejo brasileiro cresceram mais que o dobro do faturamento do setor em 2025. Segundo dados apresentados no Fórum ABRAPPE 2026, enquanto as vendas avançaram 6,4% e alcançaram R$ 2,55 trilhões em movimentação, o impacto financeiro das perdas aumentou 15,3%, em relação ao ano anterior. No mesmo período, o índice médio de perdas passou de 1,51% para 1,65%. O cenário tem levado redes varejistas a ampliar investimentos em inteligência artificial e análise de dados para proteger margens e aumentar a eficiência operacional.
Os números reforçam um desafio histórico do setor, mas que vem ganhando relevância diante da pressão sobre margens, do aumento dos custos operacionais e da necessidade de maior eficiência nas operações. Para Rodrigo Tessari, CEO da Deconve, startup especializada em soluções de prevenção de perdas no varejo físico, o tema não é mais restrito às áreas de segurança e hoje ocupa espaço estratégico dentro das empresas.
“Em um cenário de margens mais pressionadas, preservar resultados se tornou tão importante quanto aumentar vendas. A prevenção de perdas impacta diretamente a rentabilidade porque atua na proteção dos recursos que a empresa já conquistou”, afirma.
O real impacto financeiro das novas tecnologias
A adoção de soluções baseadas em inteligência artificial já começa a apresentar resultados mensuráveis no varejo brasileiro. Atualmente, a Deconve monitora cerca de 550 unidades varejistas em diferentes regiões do país e processa mais de 5 mil alertas por mês. Segundo a empresa, a tecnologia permite evitar, em média, 21 tentativas de furto por loja mensalmente.
Entre os casos acompanhados pela companhia está o de uma grande rede varejista da região Sul, que registrou economia de R$ 25 milhões e redução de 17% nas perdas totais após a adoção da solução.
O uso da inteligência artificial também avança na prevenção de fraudes financeiras. Soluções de autenticação por reconhecimento facial desenvolvidas pela empresa processam atualmente mais de 20 milhões de biometrias por ano e cerca de 2 milhões de autenticações por mês em operações varejistas.
Para Tessari, o cenário indica que a prevenção de perdas continuará ganhando protagonismo nas estratégias do varejo nos próximos anos. “O futuro da área passa pela combinação entre inteligência artificial, análise de dados e automação. As empresas que conseguirem transformar informações em ações rápidas e assertivas estarão mais preparadas para reduzir perdas, aumentar eficiência e proteger sua rentabilidade”, conclui.
IA não é mais diferencial, é necessidade
Entre os principais pontos discutidos por especialistas, está o crescimento dos investimentos em tecnologias voltadas à prevenção de perdas. Soluções baseadas em reconhecimento facial, inteligência artificial e Business Intelligence (BI) aparecem entre as prioridades das empresas associadas à entidade.
Segundo Tessari, o mercado vive uma mudança de maturidade em relação à adoção dessas ferramentas.
“Percebemos que as empresas já não estão interessadas apenas em conhecer novas tecnologias. As conversas giram em torno de aplicação prática, retorno sobre investimento e ganhos operacionais. Existe uma busca cada vez maior por ferramentas que entreguem inteligência em tempo real e apoiem a tomada de decisão”, explica Tessari.
A tendência acompanha uma realidade comum no varejo de operações mais complexas e equipes mais enxutas. Nesse contexto, cresce a demanda por sistemas capazes de automatizar análises, monitorar indicadores e identificar riscos com maior velocidade.
Dados passam a orientar a prevenção de perdas
Outro movimento observado no setor é a consolidação do uso de dados como ferramenta de gestão. Para Tessari, as empresas mais maduras já tratam a prevenção de perdas como uma atividade orientada por indicadores e inteligência operacional, abandonando modelos exclusivamente reativos.
“A prevenção de perdas moderna precisa atuar de forma preditiva. O uso de dados permite identificar padrões, antecipar riscos e direcionar recursos para onde existe maior probabilidade de ocorrência. Isso gera mais eficiência e melhores resultados para a operação”, destaca.
Imagem ilustrativa feita com IA








