Vendas diretas movimentam R$ 50 bilhões no Brasil com força de redes sociais e comunidades

Vendas diretas movimentam R$ 50 bilhões no Brasil com força de redes sociais e comunidades

Quase 80% das vendas diretas são realizadas pelo whatsapp

O Brasil é o 7º maior mercado de vendas diretas do mundo e o maior da América Latina. O setor movimenta cerca de R$ 50 bilhões por ano em produtos e serviços comercializados por aproximadamente 3 milhões de empreendedores em todo o país. Segundo os próprios empreendedores do setor, a maior parte das transações acontece pelo WhatsApp (79,9%), pelas mídias sociais (71,3%) e pessoalmente (46,4%), revelando um segmento que soube se adaptar ao comportamento do consumidor sem abrir mão do seu principal diferencial histórico: o relacionamento humano.

Segundo a Associação Brasileira de Empresas de Vendas Diretas (ABEVD), o crescimento do setor está diretamente ligado à capacidade das empresas de fortalecer suas redes e criar ambientes de desenvolvimento coletivo. Por trás desses números, existe um fator comum entre as organizações mais bem-sucedidas: a capacidade de construir comunidades fortes, sustentáveis e engajadas.

“As vendas diretas oferecem uma oportunidade real de desenvolvimento, protagonismo e construção de uma trajetória própria. O que sustenta tudo isso é a comunidade, o sentimento de pertencer a algo maior, de ter apoio, de crescer junto. As empresas que entendem isso e investem na gestão das suas redes são as que constroem ecossistemas duradouros”, afirma Adriana Colloca, presidente da ABEVD.

Um dos principais fatores que sustentam o crescimento das vendas diretas é a capacidade das empresas de construir redes engajadas e manter essas comunidades ativas no longo prazo. Mais do que a comercialização de produtos, o setor opera a partir de relacionamento, identificação com as marcas e desenvolvimento constante de consultores e distribuidores.

Na Herbalife, Nathalia Senna lidera uma organização com mais de 1.500 distribuidores independentes desde 2013 e afirma que o senso de pertencimento tem impacto direto na retenção e na produtividade da rede.

“Quando falamos de positividade, disciplina, diversão e senso de família, as pessoas se sentem mais motivadas a permanecer no negócio. Cria-se um ambiente onde as pessoas se ajudam, compartilham e querem ver o outro prosperar”, afirma.

Segundo Nathalia, organizações estruturadas como comunidade conseguem aumentar os índices de retenção. Na rede que lidera, cerca de 80% dos distribuidores participam semanalmente de algum tipo de capacitação, que inclui treinamentos, trocas de experiências e acompanhamentos individuais adaptados à rotina de cada consultor.

Diferenciais

O relacionamento com os produtos também é apontado como um diferencial importante para a sustentabilidade das redes. No segmento de cosméticos e cuidados pessoais, que representa 42,7% das vendas do setor, a experiência pessoal dos consultores influencia diretamente a confiança do consumidor e a fidelização dos clientes.

Na Hinode, presente em sete países, a estratégia de fortalecimento da rede passa por programas contínuos de formação e desenvolvimento. Um dos principais exemplos é o Programa Pérolas, criado por mulheres e para mulheres, que completa 10 anos promovendo capacitações em liderança, gestão de equipes e desenvolvimento pessoal.

Segundo a empresa, o Programa Pérolas já impactou mais de 460 mil mulheres no Brasil e em outros sete países da América Latina. A operação conta com 242 Treinadoras Pérolas atuando em diferentes regiões, mais de 825 cursos realizados por ano e cerca de 3 mil horas de capacitação.

Os resultados aparecem também no desempenho da rede: empreendedoras participantes registram ticket médio mais de 200% superior em relação às consultoras que não passaram pela iniciativa. Além da capacitação técnica, a iniciativa também atua no desenvolvimento de liderança e autonomia financeira.

“A consistência e o aprendizado em comunidade sustentam os resultados. O desenvolvimento das líderes reflete diretamente na solidez das redes que elas constroem”, afirma Crisciane Rodrigues.

Além da capacitação, ações de reconhecimento também fazem parte das estratégias de engajamento das redes. Encontros presenciais, viagens, premiações e momentos de integração ajudam a fortalecer vínculos entre distribuidores de diferentes perfis e faixas etárias.

O Programa Pérolas, da Hinode, recebeu o Prêmio Ouro em Impacto Feminino da ABEVD, reconhecimento que reforça o avanço de iniciativas voltadas ao desenvolvimento humano dentro do setor.

Propósito, identificação com os produtos, capacitação contínua e reconhecimento formam a base das redes mais estruturadas das vendas diretas. Em um mercado cada vez mais orientado por conexão e experiência, as empresas do segmento encontram na gestão de comunidades um dos principais fatores para sustentar crescimento, retenção e desenvolvimento de longo prazo.

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *