Dia do Comerciante mostra por que vender mais não basta para aumentar o lucro

Dia do Comerciante mostra por que vender mais não basta para aumentar o lucro

Fluxo de caixa, margem de contribuição, capital de giro e rentabilidade revelam mais sobre a saúde financeira de uma empresa do que apenas o faturamento

Celebrado em 16 de julho, o Dia do Comerciante chama a atenção para um desafio que faz parte da rotina de milhares de empresas brasileiras: muitos empresários sabem exatamente quanto vendem, mas não conseguem responder quanto realmente ganham. Em um momento em que o varejo enfrenta oscilações no consumo, indicadores como fluxo de caixa, margem de contribuição, capital de giro e rentabilidade tornaram-se essenciais para uma gestão financeira eficiente. Em abril de 2026, o volume de vendas do comércio varejista brasileiro recuou 1,5% em relação ao mês anterior, segundo o IBGE, reforçando que preservar a saúde financeira da empresa depende muito mais do que aumentar o faturamento.

Para Vanderlei Goulart, contador e diretor-presidente da Meta Assessoria Empresarial, empresa especializada em soluções contábeis, fiscais e de gestão para empresas, um dos erros mais frequentes entre comerciantes é usar apenas o faturamento como referência para avaliar o desempenho do negócio. Segundo ele, decisões estratégicas exigem o acompanhamento de indicadores financeiros que mostram a capacidade da empresa de gerar lucro, manter o capital de giro e crescer com segurança.

“O faturamento não é sinônimo de lucro. O empresário pode vender mais todos os meses e, ainda assim, terminar o período com menos dinheiro disponível para investir ou até para manter a empresa funcionando. A gestão financeira começa quando se entende quanto realmente sobra depois de todos os custos da operação”, afirma.

Números que mostram se uma empresa realmente dá lucro

Na prática, cada indicador responde a uma pergunta diferente sobre o negócio. Enquanto o fluxo de caixa mostra a capacidade da empresa de cumprir seus compromissos financeiros, a margem de contribuição ajuda a identificar quais produtos ou serviços realmente geram lucro. Já o capital de giro garante continuidade às operações, e a rentabilidade revela se o retorno obtido compensa os investimentos realizados.

Na avaliação do contador, acompanhar esses números permite identificar desequilíbrios antes que eles comprometam a operação. “Quem monitora esses indicadores consegue perceber rapidamente quando os custos começam a crescer acima das receitas e pode corrigir a rota antes que o problema afete o caixa”, explica.

Erros que reduzem o lucro sem o comerciante perceber

Grande parte das dificuldades financeiras não começa quando as vendas caem, mas muito antes disso. Definir preços olhando apenas para a concorrência, manter estoques acima da necessidade, retirar recursos do caixa para despesas pessoais ou deixar de revisar custos operacionais são práticas que reduzem a rentabilidade de forma gradual e dificultam o crescimento da empresa.

Segundo o consultor empresarial, empresas que acompanham apenas o faturamento costumam descobrir tarde demais que a operação perdeu eficiência. “Quando o empresário conhece seus custos e acompanha os indicadores corretos, ele deixa de administrar pela intuição e passa a identificar com clareza onde a empresa ganha dinheiro e onde está perdendo margem.”

Como aumentar o lucro sem depender apenas de vender mais

Entre as medidas que mais contribuem para fortalecer a gestão financeira e aumentar a lucratividade, Vanderlei destaca:

  • Acompanhar diariamente o fluxo de caixa para antecipar períodos de menor liquidez;
  • Revisar periodicamente a margem de contribuição dos produtos e concentrar esforços naqueles que realmente geram resultado;
  • Manter um capital de giro compatível com a necessidade da operação, reduzindo a dependência de crédito;
  • Atualizar a política de preços sempre que houver mudanças relevantes nos custos;
  • Transformar os indicadores financeiros em parte da rotina de gestão, utilizando essas informações para orientar decisões sobre compras, investimentos e crescimento.

Para Goulart, empresas que incorporam esses controles ao dia a dia conseguem tomar decisões mais seguras e aumentar a competitividade. “O lucro normalmente está escondido dentro da própria operação. Quando o empresário passa a acompanhar os indicadores financeiros certos, ele encontra oportunidades de melhorar os resultados sem depender exclusivamente de vender mais”, conclui.

Crédito da foto: Freepik

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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