Quer chegar à liderança? Veja o que fazer e o que evitar desde o estágio

Quer chegar à liderança? Veja o que fazer e o que evitar desde o estágio

Especialista em recrutamento explica como jovens profissionais podem acelerar a carreira sem queimar etapas

Em processos seletivos para estágio, não é raro encontrar candidatos que já declaram abertamente o sonho de crescer na carreira e chegar à posição de diretoria. Mas, entre a vontade e a conquista de um cargo de liderança, há um caminho que exige estratégia, autoconhecimento e paciência.

Para contextualizar esse cenário, uma pesquisa da Deloitte sobre as gerações Z e Millennial mostra que, apesar de 69% dos jovens brasileiros da geração Z manifestarem interesse em assumir posições de chefia em algum momento, apenas 6% apontam isso como uma prioridade imediata, revelando que o equilíbrio entre vida pessoal e profissional é o fator que mais pesa na balança.

Jéssica Gondim, gerente da área de contratos da Companhia de Estágios, líder em recrutamento e seleção de estagiários, trainees e jovens aprendizes, acompanha esse movimento de perto e tem conselhos práticos para quem quer acelerar sem tropeçar.

Desenvolva competências além da sua área

Para quem deseja acelerar o crescimento profissional, a dica é não se limitar ao escopo principal da sua área de atuação. Isso não significa deixar de lado as responsabilidades principais, mas sim executar com excelência o básico e, ao mesmo tempo, buscar ampliar conhecimentos e experiências.

De acordo com Jéssica, a trajetória profissional não é mais estritamente linear como antigamente. “Em algumas empresas, há chances de saltos mais rápidos na carreira. Você pode iniciar como estagiário, tornar-se analista e, em seguida, assumir posições de maior responsabilidade, sem necessariamente percorrer todas as etapas tradicionais”, destaca.

Esses saltos, no entanto, só são possíveis para quem já domina perfeitamente as atividades essenciais do cargo. Antes de buscar novos desafios, é preciso demonstrar consistência na execução, responsabilidade e capacidade de gerar resultados.

Com essa base sólida garantida, o próximo passo é ampliar o repertório profissional para além do que o curso ou a função exige. “Quanto mais preparado o jovem estiver para atuar em diversos cenários, maior a chance de ter uma curva de aprendizagem mais rápida e de se destacar para futuras posições de liderança”, afirma Jéssica.

Não pule o operacional

Um erro comum entre profissionais em início de carreira é querer chegar rapidamente às atividades mais estratégicas sem antes vivenciar as etapas operacionais do trabalho. Para Jéssica, essa pressa pode comprometer o desenvolvimento profissional.

“Não tem como deixar de vivenciar essa parte. Entender que processos existem, que o operacional é importante, até para conhecer bem e conseguir propor automações e evoluções que façam sentido. Faz parte do aprendizado e formação de qualquer profissional”, afirma.

Isso significa buscar habilidades complementares após consolidar as obrigatórias, para ampliar a visão de negócio, como é o caso de um profissional de RH que entende de dados, ou de um analista financeiro que investe em oratória. Experiência em ligas acadêmicas, projetos voluntários e cursos fora da área de formação entram nessa conta.

Busque oportunidades para ser visto

Construir uma carreira de liderança também passa por desenvolver visibilidade profissional. Isso não significa buscar protagonismo a qualquer custo, mas encontrar oportunidades para demonstrar interesse, iniciativa e capacidade de gerar valor para o negócio.

Para Jéssica, muitos jovens deixam de aproveitar oportunidades por medo de errar ou de se expor. “O estagiário que fica sempre em silêncio, que não compartilha ideias ou não participa das discussões, pode acabar ficando fora do radar quando surgem projetos estratégicos ou oportunidades de efetivação”, explica.

Muitas vezes, as oportunidades surgem para quem demonstra disposição para aprender e coragem para sair da zona de conforto. “É importante levantar a mão, mesmo com medo”, afirma Jéssica.

Comunique suas ambições com transparência

Ter clareza sobre os próprios objetivos é importante e precisa ser compartilhado. Conversar abertamente com o gestor sobre onde se quer chegar, pedir feedbacks e entender o que ainda falta para desenvolver é um caminho mais eficiente do que esperar ser reconhecido em silêncio.

“Ser ambicioso na carreira é bem-visto, porque você está trabalhando com uma pessoa que quer se desenvolver e crescer dentro da empresa”, reforça Jéssica. O problema aparece quando a pessoa acredita estar pronta sem ter uma visão clara das competências  que ainda precisa desenvolver.

Gestão de pessoas não se aprende no curso

Das competências que exigem mais tempo de maturação, liderar pessoas é a mais difícil de antecipar. “Você vai aprender fazendo”, diz Jéssica. “Não é do dia para a noite que você vai saber delegar, acompanhar o desenvolvimento de outras pessoas e conduzir conversas difíceis e feedbacks delicados.”

A sugestão é se preparar antes mesmo de ter liderados: estudar o tema, observar líderes próximos e buscar mentorias  dentro ou fora da empresa.

“Desenvolver uma visão de liderança também significa aprender a enxergar o impacto do próprio trabalho nos resultados da empresa. É importante entender qual é a meta da área, como ela se conecta aos objetivos do negócio e por que aquilo é relevante para a organização como um todo”, ” acrescenta.

Trainee: comportamento vale mais do que certificados

Para quem mira programas de trainee como um caminho mais curto para conquistar um cargo de liderança, Jéssica tem um alerta: as empresas costumam valorizar mais competências comportamentais do que técnicas na seleção. Comunicação, inteligência emocional, raciocínio lógico e capacidade de resolver problemas pesam mais do que uma lista de cursos no currículo.

“O conhecimento técnico a empresa consegue desenvolver ao longo da jornada. Já as competências comportamentais e alinhamento de cultura e valores costumam ser os grandes diferenciais na hora de identificar profissionais com potencial de crescimento e liderança “, conclui.

Essa lógica faz sentido porque líderes são constantemente desafiados a influenciar pessoas, lidar com situações complexas, tomar decisões sob pressão e navegar por cenários de mudança. Por isso, desenvolver essas habilidades desde o estágio pode ser tão importante quanto adquirir conhecimento técnico.

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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