Shopee anuncia mudanças no modelo fiscal a partir de 1º de agosto

Shopee anuncia mudanças no modelo fiscal a partir de 1º de agosto

Para especialistas em marketplace, a adequação era necessária, mas a execução transfere ao vendedor uma carga burocrática que ele não estava preparado para absorver

A plataforma de e-commerce Shopee comunicou aos afiliados e vendedores que, a partir do início de agosto, as comissões extras pagas por marcas passarão a exigir a emissão de Recibo de Pagamento Autônomo (RPA), para afiliados pessoas físicas, ou nota fiscal, no caso de pessoas jurídicas.

Na prática, o controle e a cobrança dessa documentação deixam de ser responsabilidade da Shopee e passam a ser geridos diretamente entre afiliado e vendedor.

Para Lucas Schwichtemberg, fundador e CEO da HimmelCorp, consultoria especializada em operações de marketplace, a mudança era inevitável do ponto de vista fiscal. orém, a forma como está sendo implementada revela um problema de sequenciamento que vai onerar quem já opera no limite da capacidade.

“Foi uma adequação fiscal necessária. O afiliado recebia comissão e, na prática, boa parte não declarava nada. Esse problema precisava ser corrigido. O erro está na execução. A Shopee transferiu o controle de recebimento de notas fiscais dos afiliados para o vendedor, e isso deveria ter vindo em fases: primeiro profissionalizar o afiliado, só depois implementar a exigência”, diz o consultor.

Vale lembrar que, no contexto do e-commerce, afiliado é um criador de conteúdo, por exemplo, que esteja gerando vendas para o vendedor através do programa de afiliados da plataforma, ou seja, uma comissão.

Custo invisível

A mudança cria um processo operacional para o vendedor: apurar quanto cada afiliado vendeu, gerar o RPA correspondente, enviar ao afiliado, aguardar que o afiliado repasse ao contador e que a documentação retorne validada. Em operações com dezenas de afiliados ativos, esse ciclo representa horas de trabalho por mês que não existiam antes.

“O impacto financeiro não está só no tributo que o afiliado paga sobre a nota. Está no tempo do vendedor. Cada hora gasta lidando com a nota fiscal de afiliado é uma hora que ele não está negociando com fornecedor, pensando em produto novo ou otimizando a operação. Isso é perda de dinheiro, mesmo sem aparecer numa planilha de custo”.

O alerta de Schwichtemberg é especialmente relevante para operações enxutas e empreendedores solo, perfil predominante entre os vendedores de marketplace no Brasil, que não dispõem de equipe administrativa para absorver a nova demanda.

Algumas recomendações do consultor sobre o que o vendedor deve fazer agora:

  • Estruturar internamente o fluxo de apuração, geração de RPA e controle de recebimento de documentação por afiliado;
  • Suspender temporariamente o programa de afiliados até que o processo esteja organizado;
  • Aceitar que uma parcela dos afiliados não enviará a documentação e definir como lidar com isso do ponto de vista fiscal;
  • Avaliar a migração de afiliados-chave para contratos fixos, reduzindo a variável documental da equação.

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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