Bancos investirão R$ 50,4 bilhões em tecnologia este ano

Bancos investirão R$ 50,4 bilhões em tecnologia este ano

Pesquisa Febraban mostra avanço dos canais digitais e prioridade para IA e cibersegurança

Pesquisa Febraban de Tecnologia Bancária 2026, realizada pela Deloitte, acaba de mostrar o tamanho da aposta dos bancos brasileiros em tecnologia: o setor prevê investir R$ 50,4 bilhões neste ano, alta de 8% em relação a 2025. Em cinco anos, esse orçamento cresceu 58%.

Os dados também mostram para onde esses investimentos estão indo. Inteligência artificial generativa e cloud estão entre as prioridades para 84% das instituições pesquisadas; já a cibersegurança aparece como tema de relevância alta ou média para 100% delas. Ao mesmo tempo, experiência do cliente, personalização e uso de dados ganham espaço na estratégia dos bancos.

Para especialistas em reputação e comunicação, esse movimento coloca uma segunda questão em meio à transformação digital do setor: não basta desenvolver novas soluções. É preciso fazer com que o cliente confie nelas. Isso vale para experimentar novos serviços, interagir com inteligência artificial, compartilhar informações e autorizar o uso de dados em jornadas cada vez mais personalizadas.

A discussão ganha ainda mais espaço às vésperas do Febraban Tech 2026, que acontece entre 24 e 26 de agosto, em São Paulo, e deve reunir algumas das principais lideranças do mercado financeiro para discutir tecnologia, inovação e os próximos passos do setor.

Para Luciana Lima, sócia da Elementar Comunicação, assessoria especializada em gestão de reputação e posicionamento de lideranças e empresas, quanto mais tecnologia entra na relação entre bancos e consumidores, maior também fica a necessidade de comunicação clara.

“Uma instituição pode desenvolver uma solução excelente do ponto de vista tecnológico, mas o cliente precisa entender por que deve usá-la e se sentir seguro nesta relação. Quanto mais digital fica a experiência financeira, mais confiança, transparência e clareza passam a fazer parte do próprio produto”, afirma Luciana.

E essa relação já acontece, em grande parte, pelo celular. Em 2025, o sistema financeiro brasileiro registrou 240,8 bilhões de transações bancárias. Só o mobile banking respondeu por 187,5 bilhões de operações. Em cinco anos, o volume de transações pelo celular cresceu 169%.

Os canais digitais já concentram 83% das transações bancárias do país. Entre os clientes digitais, 76% fazem mais de 80% de suas operações por esses canais.

Quanto mais digital a relação, mais pontos de contato com a reputação

Ninguém duvida que a digitalização também aumentou a frequência com que as pessoas se relacionam com seus bancos. Para muitos clientes, abrir o aplicativo, receber uma mensagem, fazer um Pix ou conversar com um chatbot já faz parte da rotina.

É nesse conjunto de pequenas interações que a percepção sobre uma instituição também começa a ser formada.

Para Leandro Herculano, sócio da Elementar, a reputação não aparece apenas em campanhas institucionais, entrevistas ou momentos de crise.

“Em um ambiente cada vez mais digital, a percepção sobre uma empresa é formada todos os dias. Está na mensagem que o cliente recebe, na forma como um problema é explicado, na comunicação sobre segurança e também na maneira como as lideranças se posicionam diante de temas que afetam seus públicos”, diz Herculano.

A inteligência artificial deve aumentar ainda mais esses pontos de contato. Apesar de já aparecer entre as prioridades dos bancos, cerca de 60% das instituições ainda estão em fases iniciais de adoção da tecnologia, segundo a pesquisa.

Isso significa que boa parte das mudanças ainda vai chegar ao consumidor, seja no atendimento, na análise de informações, na personalização de produtos ou na automação de processos.

A experiência do cliente já aparece entre os principais caminhos de diferenciação para os bancos. Oito em cada dez instituições colocam esse tema entre suas prioridades estratégicas.

Personalização depende de dados e de confiança

Um dos números da pesquisa ajuda a mostrar por que confiança e tecnologia estão cada vez mais ligadas. Entre os bancos pesquisados, 68% priorizam a personalização de produtos e serviços como forma de diferenciação. Para isso, dados e inteligência artificial ganham espaço.

Ao mesmo tempo, 47% das instituições querem aumentar o número de consentimentos para compartilhamento de dados. É aí que a discussão deixa de ser apenas tecnológica. Para oferecer determinados serviços, personalizar experiências e aproveitar melhor recursos como o Open Finance, o banco precisa que o cliente aceite compartilhar suas informações.

E essa decisão passa, inevitavelmente, pela confiança. Para Luciana, a comunicação precisa entrar nessa discussão antes que uma nova solução chegue ao público.

“Se uma mudança depende da adesão do cliente, comunicação não pode aparecer só no lançamento. É preciso entender antes quais dúvidas essa novidade pode gerar, quais receios precisam ser respondidos e como mostrar de forma clara o valor daquela transformação”, avalia.

O Open Finance mostra a dimensão desse movimento. A pesquisa aponta 102,8 milhões de consentimentos ativos, crescimento de 122% em um ano.

À medida que serviços financeiros se tornam cada vez mais personalizados e dependentes do uso de dados, a credibilidade construída pelas instituições tende a pesar também na disposição dos clientes para aderir a essas novas experiências.

Para Herculano, esse trabalho precisa começar antes de qualquer situação de pressão.

“Confiança é construída aos poucos. Quando uma empresa começa a trabalhar sua reputação apenas diante de uma crise, de uma resistência ou de um questionamento, ela já chega atrasada à conversa. No mercado financeiro, em que segurança e credibilidade fazem parte da decisão do cliente, esse trabalho precisa ser contínuo”, adiciona Herculano.

A Pesquisa Febraban de Tecnologia Bancária 2026 está em sua 34ª edição. A primeira etapa ouviu 25 bancos, responsáveis por cerca de 85% dos ativos da indústria bancária brasileira, além de 53 executivos das áreas de tecnologia. Novos dados do levantamento serão apresentados durante o Febraban Tech, em agosto.

O que muda para quem usa banco todos os dias

Para o cliente, essa transformação aparece em situações bastante concretas. O atendimento por inteligência artificial tende a se tornar mais comum, os aplicativos podem oferecer produtos cada vez mais personalizados e o compartilhamento de dados passa a influenciar desde ofertas de crédito até serviços construídos a partir do Open Finance.

Isso pode trazer mais agilidade e conveniência, mas também aumenta o número de decisões que o consumidor precisa tomar sobre seus próprios dados. Em muitos casos, será necessário entender quem terá acesso às informações, para qual finalidade elas serão utilizadas e qual vantagem existe em autorizar esse compartilhamento.

A confiança, portanto, deixa de aparecer apenas quando o cliente escolhe em qual banco abrir uma conta. Ela passa a interferir também em decisões menores e frequentes, como aceitar uma recomendação feita por inteligência artificial, responder a uma mensagem automatizada, permitir o acesso ao histórico financeiro ou aderir a uma nova funcionalidade no aplicativo.

Para Luciana, esse é um dos pontos que as instituições precisam considerar à medida que aceleram sua transformação digital.

“O consumidor não enxerga essa transformação em termos de cloud, infraestrutura ou estratégia de dados. Ele percebe quando recebe uma oferta mais adequada, quando o atendimento funciona ou quando precisa autorizar o uso de uma informação pessoal. É nessas experiências que ele decide, pouco a pouco, o quanto confia naquela instituição”, completa.

 

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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