Descontos na compra de imóveis ganham força e voltam à máximas históricas

Descontos na compra de imóveis ganham força e voltam à máximas históricas

Desconto médio chegou a 14%, equiparando-se a níveis vistos em 2016 e 2020

O mercado imobiliário brasileiro entra no segundo semestre de 2026 com sinais de cautela, mas também com uma forte disposição para a negociação. É o que mostra a Pesquisa Raio-X FipeZAP do segundo trimestre, realizada pela Fipe em parceria com o Grupo OLX, com a participação de 1.252 respondentes entre 6 e 31 de julho.

Um dos destaques é a redução da participação de compradores. O grupo de pessoas que adquiriu um imóvel nos últimos 12 meses caiu de 12% para 10% da amostra, abaixo da média histórica de 11%. Entre as compras realizadas, os imóveis usados continuam dominando, representando 74% das transações, enquanto os novos respondem por 26%.

A maior parte das aquisições teve como objetivo a moradia, responsável por 61% das compras. Os investimentos representaram 39%. Entre os investidores, a estratégia predominante é a geração de renda por meio do aluguel, escolhida por 75%, enquanto 25% apostaram na revenda futura após uma possível valorização.

Apesar da menor proporção de compradores efetivos, o interesse futuro permanece elevado. A intenção de adquirir um imóvel nos próximos três meses ficou em 38%, exatamente em linha com a média histórica. Entre esses potenciais compradores, 49% preferem imóveis usados, 43% são indiferentes entre novos e usados e apenas 8% procuram exclusivamente imóveis novos.

Outro dado que chama atenção é o peso da negociação. Em junho de 2026, 65% das transações registraram algum tipo de desconto, acima dos 63% observados um ano antes e próximo do maior nível da série histórica. O desconto médio foi de 9% considerando todas as transações e chegou a 14% entre aquelas em que efetivamente houve redução do preço anunciado.

O levantamento também mostra que aumentou a percepção de que os imóveis estão caros. A parcela dos entrevistados que considera os preços residenciais altos ou muito altos passou de 71% para 73% em um ano. Ao mesmo tempo, caiu de 6% para 4% a fatia daqueles que consideram os preços baixos ou muito baixos.

As expectativas para os próximos 12 meses, porém, revelam maior incerteza. A parcela que espera aumento dos preços caiu de 42% para 39%, enquanto os que projetam queda passaram de 10% para 11%. Já os que não souberam responder aumentaram de 22% para 26%. Na média, os entrevistados projetam valorização nominal de 2,6% para os imóveis residenciais nos próximos 12 meses.

Os números desenham um mercado em que o interesse pelo imóvel continua relevante, especialmente para moradia e geração de renda, mas no qual preço e capacidade de negociação ganham importância. Para compradores, o cenário reforça a necessidade de pesquisar e negociar. Para vendedores, evidencia que a definição de preços compatíveis com a realidade do mercado pode ser decisiva para transformar intenção em negócio.

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *