Dia dos Pais coloca a operação de pagamentos do varejo à prova

Dia dos Pais coloca a operação de pagamentos do varejo à prova

Especialista aponta que a diversidade de meios de pagamento aumenta a complexidade operacional justamente em períodos de maior volume de vendas

O Dia dos Pais, celebrado em 9 de agosto, concentra em poucos dias um volume de vendas que muitos varejistas distribuem ao longo de semanas. Neste ano, o principal desafio da data vai além de atrair consumidores: está em garantir que cada intenção de compra consiga ser concluída, independentemente da forma de pagamento escolhida.

Levantamento da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e do SPC Brasil, em parceria com a Offerwise Pesquisas, divulgado em 30 de julho, mostra que 81% dos consumidores pretendem pagar suas compras à vista — principalmente por Pix (52%) e cartão de débito (17%). Ao mesmo tempo, 41% apontam intenção de parcelar, sendo o cartão de crédito a principal escolha (30%), com média de 3,4 parcelas.

Para Rodrigo Graça de Melo, vice-presidente de Produtos e Negócios da Multipagamentos, esses números mostram que o consumidor deixou de seguir um único padrão de pagamento.

“O consumidor já não chega ao checkout com uma forma de pagamento definida. Essa decisão acontece no momento da compra e muda conforme o valor, o produto ou até a conveniência. Para o varejo, isso reduz a previsibilidade sobre a distribuição das transações e exige uma infraestrutura capaz de sustentar diferentes meios simultaneamente, sem perda de desempenho.”

O próprio levantamento reforça essa mudança de comportamento. Além da compra distribuída entre lojas físicas (72%) e comércio eletrônico (47%), a facilidade de pagamento aparece entre os principais critérios de escolha do estabelecimento, ao lado de preço, qualidade dos produtos, frete grátis e rapidez na entrega.

Desafio

É justamente nesse ponto que o desafio deixa de ser comercial e passa a ser operacional.

Cada meio de pagamento percorre uma infraestrutura diferente até a aprovação da transação. Cartões dependem de emissores, adquirentes e arranjos de pagamento. O Pix depende da disponibilidade das instituições participantes. Carteiras digitais e outros meios seguem fluxos próprios. Em períodos de grande volume, todas essas operações acontecem simultaneamente e precisam responder com rapidez e estabilidade.

Segundo Rodrigo, é nesse momento que o gerenciamento inteligente das rotas de pagamento passa a fazer diferença.

“Quando uma autorização falha ou demora além do esperado, uma venda deixa de acontecer. E, se essa perda não é medida, é como se o erro nunca tivesse existido. É receita deixada na mesa sem visibilidade. Por isso, a capacidade de redirecionar uma transação deixa de ser um detalhe operacional e passa a impactar diretamente a conversão.”

O crescimento do Pix amplia ainda mais essa necessidade. Dados do Banco Central mostram que o sistema registrou 43,9 bilhões de transações no primeiro semestre de 2026, um crescimento de 19,3% em relação ao mesmo período de 2025. Em valores movimentados, a alta foi de 28%.

Aumento o mix

Ao aumento de volume soma-se a ampliação do próprio mix. Além dos meios já consolidados, marketplaces e grandes plataformas passaram a oferecer linhas de crédito próprias no momento da compra, acrescentando mais uma jornada às que o varejo precisa sustentar simultaneamente.

Quanto mais jornadas coexistem, mais a operação precisa definir qual delas privilegiar. Para Rodrigo, essa escolha raramente é tratada como decisão de estratégia.

“Orquestrar pagamento não é apenas manter todos os meios disponíveis. É acomodar duas coisas que não coincidem: a experiência que o cliente quer ter e a estratégia que a empresa quer operar. O meio que o consumidor prefere não é necessariamente o que faz mais sentido para o negócio em custo ou em prazo de liquidação, e é a operação que precisa resolver esse descompasso sem transferir o atrito para o checkout.”

As diferenças de fluxo e de prazo entre os meios, no entanto, não se encerram quando a venda é aprovada. Elas reaparecem nos dias seguintes à data, quando parte das compras é revertida — e é nesse ponto, segundo o executivo, que o planejamento costuma parar de olhar.

“A operação de uma data como o Dia dos Pais não termina no dia 9. Os dias seguintes concentram trocas e devoluções, e cada meio de pagamento tem um caminho diferente de volta — o estorno de um Pix não segue o mesmo fluxo do cancelamento de uma compra parcelada no crédito. Quem dimensiona a data apenas até a venda costuma descobrir o gargalo quando o cliente já está de volta na loja”, conclui.

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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