Alta de brasileiros contratados por empresas estrangeiras impulsiona demanda por contas globais

Fintech desenvolve soluções para facilitar o recebimento em moeda estrangeira por profissionais que trabalham remotamente para companhias internacionais
O avanço da inteligência artificial e a busca por profissionais especializados em tecnologia têm ampliado as oportunidades no mercado internacional. Empresas estrangeiras, especialmente dos Estados Unidos, vêm recorrendo a talentos brasileiros para compor suas equipes, num modelo que permite trabalhar para o exterior sem sair do país e receber em dólar. Desenvolvedores estão entre os principais perfis nesse movimento e buscam soluções capazes de simplificar o recebimento, a conversão e a gestão de recursos em moeda estrangeira.
Foi nesse mercado que a fintech Ruvo encontrou um de seus primeiros públicos de maior aderência. A empresa oferece uma conta global que integra Pix, stablecoins e infraestrutura de pagamentos, permitindo que profissionais recebam recursos do exterior e decidam quando e como utilizá-los.
A companhia se insere num mercado que reúne mais de 2 milhões de empregos formais no Brasil. Segundo levantamento da Brasscom, o macrossetor de TIC encerrou 2025 com 2,125 milhões de empregos formais. Dentro desse universo, 58,8% dos profissionais de TI estão concentrados em desenvolvimento de sistemas. A função de analista de desenvolvimento de sistemas, sozinha, reunia 253,2 mil trabalhadores em 2025.
“Entre os primeiros usuários estão justamente desenvolvedores que recebem pagamentos de empresas internacionais. A estratégia agora é conectar esse público às empresas que os contratam, ampliando a atuação da Ruvo no segmento corporativo”, afirma Alec Howard, cofundador e CEO da Ruvo.
Brasileiros buscam facilidade para receber em dólar
Relatos dos usuários ajudam a identificar algumas dificuldades. O designer Gabriel Bo, fundador da Job na Gringa, uma página voltada a vagas e oportunidades no mercado de trabalho internacional, conta que testou diversas carteiras digitais e sempre encontrou dificuldades durante as primeiras etapas de uso.
“Já testei diversas carteiras digitais e, em muitas delas, o onboarding acaba sendo uma etapa burocrática e demorada. Na Ruvo, foi diferente: consegui entender o processo rapidamente e concluir meu cadastro em muito menos tempo do que estava acostumado”, comenta.
Felipe Ramires Terrazas, gerente de Analytics e Inteligência Artificial em uma empresa americana, começou a receber em moeda estrangeira em 2025. Antes de conhecer a Ruvo, testou diferentes plataformas em busca de uma solução que combinasse praticidade e boas condições para movimentar seus recursos. Entre os fatores que pesaram na decisão pela plataforma, a experiência pelo aplicativo foi um dos principais diferenciais.
“Naquele momento, a taxa não foi o que mais pesou na minha decisão. O que me chamou atenção foi ter uma experiência completa pelo aplicativo, de uma forma simples e prática”, conta.
Hoje, a Ruvo possui as taxas mais competitivas do mercado, graças a um processo inovador: a companhia utiliza stablecoins, como USDC ou USDT, na movimentação do dólar. Isso reduz a incidência de custos e impostos envolvidos na transferência tradicional do dinheiro para o Brasil, permitindo que essa economia seja repassada ao usuário final. Para quem trabalha como Pessoa Jurídica (PJ), a taxa é de somente 0,3% para trazer seu salário dos Estados Unidos para o Brasil.
“Outro ponto que me chamou atenção foi o suporte. Quando tenho alguma dúvida ou problema, consigo falar com uma pessoa e ter ajuda de verdade. Esse atendimento mais próximo é difícil de encontrar em outras empresas e faz diferença, principalmente quando estamos falando de dinheiro”, completa Nathalia Garcia, que atua como designer de produto sênior para uma fintech sediada em Nova York.
Fintech prepara nova etapa de expansão
Criada em abril de 2025 por Alec Howard e Mike Mason, a Ruvo nasceu com a proposta de facilitar a movimentação de dinheiro entre Brasil e Estados Unidos por meio de uma conta global que conecta Pix, stablecoins, ACH, Wire e Visa. Depois de uma rodada de US$ 4,6 milhões liderada pela 1confirmation, com participação de Coinbase Ventures, Rebel Fund e outros investidores, a empresa entrou em uma nova fase de crescimento: desde fevereiro, o volume mensal de transações cresceu 4,1 vezes e a fintech já atende mais de 3.000 clientes. Mais de 50% da base chega por indicação.
Agora, a fintech amplia sua atuação para além do público inicialmente concentrado em desenvolvedores e profissionais que recebem pagamentos do exterior. A empresa também mira software houses, agências de marketing, marketplaces de freelancers e plataformas que precisam fazer pagamentos para profissionais brasileiros, atendendo a uma demanda crescente de empresas que mantêm operações financeiras recorrentes entre diferentes países.
A expansão também passa pela ampliação da infraestrutura internacional. Nas próximas semanas, a Ruvo deve oferecer suporte ao envio e recebimento de euros e libras, além de transferências internacionais via SWIFT, uma das principais demandas identificadas entre os clientes corporativos. O objetivo, porém, não termina no recebimento de pagamentos, e a companhia está preparando uma evolução do portfólio.
“Queremos evoluir para uma plataforma financeira mais completa, capaz de atender outras necessidades de quem movimenta recursos entre o Brasil e o exterior, com soluções de rendimento, investimentos e crédito”, afirma Lorenzo Ferraz, da equipe de Growth da Ruvo.








