Anbima lança Agenda para fortalecer o mercado de capitais e ampliar investimentos no Brasil

Anbima lança Agenda para fortalecer o mercado de capitais e ampliar investimentos no Brasil

Documento será apresentado aos assessores econômicos dos candidatos à Presidência

Em um momento decisivo para a definição dos rumos econômicos do país, a Anbima (Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais) lança uma agenda para ampliar o papel do mercado de capitais no desenvolvimento do Brasil. O documento será apresentado aos assessores econômicos dos candidatos à Presidência da República e servirá de base para uma série de encontros com os assessores econômicos das campanhas.

O documento reúne os posicionamentos da Anbima para temas estratégicos e indispensáveis a uma agenda de longo prazo, como financiamento da economia, ambiente institucional e regulatório, ampliação da base de investidores, educação financeira, transformação digital e incorporação dos princípios ESG.

A agenda da Anbima também traz recomendações para temas emergentes e cada vez mais relevantes para a competitividade da economia, como inteligência artificial, ativos virtuais, cibersegurança e sustentabilidade.

“A Anbima não pode se abster aos debates que antecedem um momento tão decisivo para o futuro do nosso país. Essa agenda é um convite ao diálogo. Queremos intensificar a interlocução do mercado de capitais com toda a sociedade, contribuindo para uma agenda econômica que favoreça o desenvolvimento do Brasil”, afirma Roberto Paris (foto), presidente da Anbima.

Para levar os seus posicionamentos e debater as propostas dos candidatos à Presidência da República, a associação iniciou uma rodada de encontros com os assessores econômicos dos principais candidatos. O objetivo não é discutir candidaturas, mas debater visões e prioridades. Participam destes encontros membros da diretoria da Anbima e do Grupo Consultivo Macroeconômico, formado por 25 economistas-chefes das principais instituições associadas.

“O mercado de capitais ganha cada dia mais espaço no financiamento ao setor produtivo, mostrando-se como alternativa ou complemento ao financiamento bancário ou de agentes de fomento. Para dar continuidade a esse movimento é fundamental que se crie um ambiente de negócios compatível aos desafios atuais e futuros”, afirma Paris.

O documento parte do entendimento de que os avanços alcançados nas últimas décadas criaram uma base sólida para o desenvolvimento do mercado de capitais, mas ainda existe espaço para ampliar sua contribuição ao crescimento econômico. Para isso, a associação defende medidas que reduzam o chamado Custo Brasil, aumentem a previsibilidade regulatória, fortaleçam a segurança jurídica e estimulem investimentos de longo prazo.

Acesse aqui a íntegra do estudo: Link

Financiamento chega às pequenas e médias empresas

A expansão do mercado de capitais também tem alcançado empresas de menor porte, principalmente por meio de instrumentos como FIDCs, notas comerciais, crowdfunding de investimento e fundos de participações (FIPs).

As pequenas e médias empresas respondem por 65% dos empregos formais no Brasil, o equivalente a aproximadamente 26,1 milhões de trabalhadores. Elas também concentram a maior parte dos empregos em setores como serviços, comércio, indústria e agricultura. Na prática, a securitização de recebíveis foi um dos principais caminhos para ampliar o acesso dessas companhias ao mercado.

Os FIDCs financiavam 2.913 empresas em dezembro de 2025, enquanto os FIPs tinham empresas investidas principalmente em segmentos como varejo, construção, indústria digital, bens de capital, energia e serviços profissionais.

O estudo inédito também destaca o potencial de instrumentos mais recentes. O crowdfunding de investimento permite captações de até R$ 40 milhões por meio de plataformas regulamentadas pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM). Já o Regime Fácil foi criado para empresas com faturamento de até R$ 500 milhões.

Mercado privado pode ajudar a fechar um déficit de R$ 206 bilhões

A infraestrutura tem potencial para uma elevação dos investimentos dos atuais 2,2% para cerca de 4% do PIB nos próximos anos no Brasil. O setor privado já responde por 83,9% dos investimentos em infra, enquanto a participação pública é de 16,1%.

O estudo aponta um déficit especialmente expressivo em transporte e logística. Em 2025, foram investidos R$ 76,5 bilhões no segmento, mas seriam necessários R$ 282,5 bilhões, o que representa um hiato de R$ 206 bilhões.

As debêntures incentivadas já desempenham papel relevante nesse financiamento. Entre 2018 e 2025, esses títulos levantaram aproximadamente R$ 497,1 bilhões, dos quais 86% foram direcionados à infraestrutura, especialmente energia elétrica, transporte, logística, saneamento e telecomunicações.

Além do efeito direto sobre projetos, os investimentos em infraestrutura movimentam toda a economia. Para cada R$ 1 milhão investido, o efeito total estimado é de:

  • R$ 2,86 milhões em produção nos setores de eletricidade, gás, água, esgoto e resíduos;
  • R$ 3,04 milhões na construção civil;
  • R$ 3,34 milhões em transporte, armazenagem e correio;
  • R$ 2,99 milhões em informação e comunicação.

Na geração de empregos, cada R$ 1 milhão investido pode criar até 33,25 postos de trabalho na construção civil, considerando efeitos diretos, indiretos e de renda. Em transporte, o multiplicador chega a 31,77 empregos.

Agronegócio já movimenta R$ 1,37 trilhão em títulos

O agronegócio representa aproximadamente 29,4% do PIB brasileiro e responde por 26,35% da população ocupada. O mercado de capitais vem ampliando sua participação no financiamento da cadeia, que inclui produtores, cooperativas, empresas de insumos, agroindústrias e prestadores de serviços.

O estoque de títulos bancários e não bancários com lastro agropecuário alcançou R$ 1,373 trilhão em dezembro de 2025. A soma dos CRAs e dos ativos reais dos Fiagros correspondia a 33% do crédito rural em mercado, ante 19% em 2021. Apesar do avanço, os ativos ligados ao agronegócio ainda representam apenas 2,5% do mercado de capitais, indicando espaço significativo para crescimento.

Tecnologia, sustentabilidade e educação financeira no centro da agenda

A evolução da inteligência artificial, dos ativos digitais, das plataformas online e do open finance ampliam as oportunidades do mercado, mas também exigem maior atenção à governança e à cibersegurança.

Em 2026, foram publicadas diretrizes com normas para a custódia de ativos virtuais, incluindo segregação patrimonial, gestão de chaves privadas, definição de responsabilidades e prova de reservas.

A agenda sustentável também ganhou dimensão financeira. A padronização de informações é apontada como essencial para evitar o greenwashing e permitir que investidores avaliem adequadamente riscos e oportunidades associados a aspectos ambientais, sociais e de governança.

Outro desafio é ampliar o conhecimento da população. Apenas 36% dos brasileiros investem em produtos financeiros, enquanto 31% não possuem reserva para imprevistos. Além disso, somente 11% das pessoas que investem apontam a aposentadoria como principal objetivo.

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *