Brasil quer aporte árabe em fertilizantes para impulsionar produção nacional

MAPA diz que esforço para reduzir dependência externa do insumo não limita mercado de fornecedores árabes e abre espaço para investimento
O governo brasileiro quer investidores árabes engajados no esforço de ampliar a produção de fertilizantes no Brasil e reduzir a dependência externa do insumo, essencial à produtividade do agronegócio.
O secretário-adjunto de Comércio e Relações Internacionais do Ministério da Agricultura, Rafael Requião, afirmou que o incentivo à produção vai abrir espaço para investimentos árabes no segmento e não vai limitar o acesso ao mercado brasileiro para as empresas do bloco fornecedoras do insumo.
“Contamos com investimentos árabes para o Brasil ser capaz de produzir fertilizantes. Não vemos isso [esforço para elevar a produção interna] como uma ameaça, mas como uma oportunidade”, disse Requião em fala no Fórum Econômico Brasil-Países Árabes, realizado pela Câmara de Comércio Árabe-Brasileira. “Queremos reduzir o que importamos, mas ainda vamos precisar de muito fertilizante. Nossa necessidade vai aumentar pelo menos até 2050”, seguiu Requião. “Ainda há a possibilidade de aumentarmos a importação”, afirmou. “Nossa ideia de ser autossuficiente é, portanto, relativa, não absoluta”.
Depois do petróleo, os fertilizantes são o segundo produto mais exportado pelos países árabes globalmente, e o Brasil é um dos maiores mercados mundiais para o produto. De acordo com dados do próprio governo brasileiro, o país é o quarto maior consumidor global do insumo, depois de China, Índia e Estados Unidos.
Com as próprias reservas, no entanto, o Brasil consegue suprir apenas 20% de sua demanda. Por essa razão, recorre à oferta externa e, em 2025, adquiriu 45,5 milhões de toneladas de fertilizantes no exterior, sendo 20% desse volume de países árabes, de acordo com a plataforma ComexStat.
Na sua fala, Requião reiterou o papel estratégico dos fertilizantes árabes na relação comercial do Brasil com o bloco. Ele lembrou que o insumo é essencial à produção competitiva de alimentos, inclusive os que contribuem para garantir a segurança alimentar dos povos árabes.
“O resultado desse fertilizante [árabe] na nossa terra é que enviamos de volta carne, açúcar, milho”, afirmou o secretário. “É uma situação ganha-ganha. Fazemos nossas economias mais resilientes com essa parceria, que se alinha, ainda, em outros temas relevantes.”








