Golpe com falsas páginas de NFe usa arquivos maliciosos para atacar empresas

Golpe com falsas páginas de NFe usa arquivos maliciosos para atacar empresas

Campanha explora a rotina de áreas fiscais, financeiras e contábeis e recomenda atenção a links, anexos e domínios recebidos por canais digitais

Empresas e profissionais das áreas fiscal, financeira e contábil devem redobrar a atenção com mensagens relacionadas à emissão, consulta e autenticação de Notas Fiscais Eletrônicas (NFe). Uma infraestrutura de phishing identificada no fim de julho de 2026 imitava páginas associadas à NFe, Secretarias da Fazenda (SEFAZ) e Gov.br para induzir usuários a baixar arquivos potencialmente maliciosos. O alerta é da LC SECespecializada em cibersegurança e compliance, que recomenda tratar os indicadores observados como suspeitos e reforçar os mecanismos de monitoramento e proteção.

A infraestrutura analisada utilizava o subdomínio sorrystorage[.]duckdns[.]org e apresentava diferentes alternativas para a entrega de arquivos, incluindo atalhos do Windows no formato LNK, páginas HTA e imagens ISO. Segundo uma investigação pública divulgada pelo pesquisador conhecido como @akaclandestine, a página oferecia aproximadamente 20 métodos de distribuição sob o pretexto de disponibilizar um “documento autenticado”. Até o momento, entretanto, não há confirmação independente sobre a família de malware eventualmente distribuída pela infraestrutura.

Essa estratégia explora uma rotina comum no ambiente corporativo, em que mensagens sobre notas fiscais, cobranças, documentos autenticados ou pendências tributárias fazem parte do cotidiano de áreas como financeiro, contabilidade, compras, logística e administração. Ao utilizar temas familiares e páginas visualmente semelhantes a serviços legítimos, criminosos podem reduzir a percepção de risco e induzir o destinatário a clicar em links, abrir anexos ou executar arquivos que não esperava receber.

Formato de arquivos

Além disso, formatos de arquivos LNK podem funcionar como atalhos capazes de executar comandos ou direcionar o sistema para recursos externos. Arquivos HTA podem utilizar componentes do próprio Windows para executar conteúdo, enquanto imagens ISO podem ser montadas pelo sistema e apresentar arquivos internos ao usuário. A presença dessas extensões não significa, por si só, que um arquivo seja malicioso, mas o recebimento inesperado de conteúdos desse tipo em uma comunicação fiscal deve ser investigado.

Para Luiz ClaudioCEO e fundador da LC SEC, a principal vulnerabilidade explorada nesse tipo de campanha está na familiaridade que o assunto desperta entre os profissionais.

“A engenharia social funciona justamente quando uma mensagem maliciosa se mistura à rotina. Uma NFe, uma cobrança ou um documento fiscal não parece necessariamente suspeito para quem recebe dezenas dessas comunicações todos os dias. Por isso, os criminosos podem utilizar assuntos comuns para induzir o usuário a abrir um arquivo ou acessar uma página sem verificar a origem”, afirma.

Uma investigação de abril de 2026 sobre uma campanha brasileira de phishing relacionada a NFe identificou o uso combinado de encurtamento de links e da reescrita de endereços pelo Microsoft Safe Links, fazendo com que o usuário visualizasse inicialmente um endereço associado à proteção da Microsoft antes de ser direcionado ao destino fraudulento. O caso reforça que HTTPS, o cadeado no navegador ou um domínio intermediário conhecido não garantem a legitimidade de uma página, especialmente diante da rapidez com que páginas fraudulentas podem ser configuradas com certificados digitais. Da mesma forma, serviços de DNS dinâmico têm aplicações legítimas, mas podem ser abusados para hospedar infraestruturas temporárias, tornando necessária a análise dos indicadores específicos de cada campanha.

Caso um usuário execute conteúdo malicioso, o equipamento pode ter credenciais, sessões de navegador, documentos e outros dados expostos. Dependendo da ameaça, uma conta corporativa comprometida também pode ser utilizada para enviar novas mensagens fraudulentas a clientes e fornecedores, aumentando a credibilidade dos golpes. Em ambientes corporativos, o comprometimento inicial ainda pode abrir caminho para movimentação lateral, acesso indevido a sistemas internos, fraude financeira e vazamento de informações.

Entre as medidas recomendadas estão consultar notas fiscais somente em portais oficiais acessados manualmente, evitar a instalação de programas ou supostos visualizadores recebidos por e-mail e investigar anexos inesperados nos formatos LNK, HTA, ISO, JS e outros tipos de scripts. Também é importante revisar o uso de PowerShell e ferramentas administrativas por usuários comuns, manter sistemas e soluções de proteção atualizados e utilizar autenticação multifator em e-mails, sistemas financeiros e acessos remotos.

Custo da violação de dados

No Brasil, o relatório de 2025 da IBM estimou em R$ 7,19 milhões o custo médio de uma violação de dados, enquanto o uso de inteligência de ameaças foi associado a uma redução média de R$ 655.110 nesses custos, reforçando a importância de identificar domínios falsos e infraestruturas maliciosas antes de um ataque. A LC SEC recomenda ainda que organizações utilizem canais para denúncia de mensagens suspeitas, treinamentos específicos para equipes fiscais, financeiras e contábeis e a consulta a registros de DNS, proxy, e-mail e proteção de endpoint para verificar possíveis comunicações com o indicador sorrystorage[.]duckdns[.]org. Caso seja identificado contato, a orientação é acionar a equipe de segurança e investigar o equipamento envolvido.

Segundo o especialista, a prevenção precisa combinar controles técnicos, processos internos e capacitação dos funcionários. “A empresa não pode depender apenas da capacidade do colaborador de reconhecer uma fraude. É necessário combinar filtros de e-mail, proteção de endpoints, autenticação multifator, restrições à execução de scripts, monitoramento de domínios e um processo claro para comunicar mensagens suspeitas. Quanto menor o intervalo entre a identificação e a resposta, menor tende a ser o impacto de um eventual comprometimento”, explica Luiz Claudio.

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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