Inovação silenciosa: como produtos básicos evoluem e ganham valor no cotidiano

Inovação silenciosa: como produtos básicos evoluem e ganham valor no cotidiano

O papel higiênico é um exemplo de como itens do dia a dia podem receber pequenas, mas significativas melhorias visando a experiência do consumidor

Embora a inovação seja frequentemente associada a tecnologias disruptivas e lançamentos revolucionários, grande parte das transformações de mercado acontece de forma silenciosa — por meio do aperfeiçoamento contínuo de produtos já consolidados no cotidiano. Em categorias como a de papel higiênico, pequenas mudanças em desempenho, conforto e sustentabilidade têm redefinido a percepção de valor do consumidor e elevado o padrão de exigência.

Ao longo dos anos, a categoria passou por avanços em aspectos como maciez, resistência, absorção, rendimento e sustentabilidade, impulsionados por investimentos constantes em pesquisa e desenvolvimento. Essas evoluções, ainda que pouco perceptíveis no uso diário, tornam-se evidentes na comparação histórica e na crescente exigência dos consumidores.

Para Denise Pires, gerente de Marketing da Mili, indústria paranaense de produtos de higiene e limpeza, esse movimento reflete um consumidor mais atento e exigente, que influencia diretamente a cadeia produtiva.

“O consumidor brasileiro, em especial, sempre esteve atento à qualidade dos produtos de uso cotidiano. Nos últimos anos, ele passou a valorizar atributos que antes eram pouco percebidos, como desempenho, conforto e sustentabilidade”, destaca.

De item básico a item de bem-estar

Antes de se tornar um item presente na rotina moderna, o papel higiênico passou por uma longa evolução histórica. Registros indicam que diferentes civilizações utilizaram materiais como pedras, madeira e tecidos para higiene pessoal, até a consolidação do produto como conhecemos hoje a partir do século XIX, com a produção em massa.

De um item básico de higiene, o produto hoje apresenta diferentes variações, de acordo com o público a que se destina. Ao longo dos anos, a categoria evoluiu em maciez, resistência, absorção, rendimento e número de folhas, por exemplo.

“A inovação incremental é fundamental para setores maduros. No caso do papel higiênico, pequenas mudanças em tecnologia de fibras, processos produtivos e design do produto geram ganhos reais em eficiência, percepção de valor e de sustentabilidade por parte de um consumidor que, além de mais exigente, é bem informado”, afirma Denise Pires.

Qualidade além do preço

O consumidor brasileiro está mais atento à qualidade dos produtos de uso cotidiano e passou a valorizar atributos como desempenho, conforto e sustentabilidade. Esse movimento pressiona toda a cadeia produtiva a investir continuamente em pesquisa e desenvolvimento.

“A decisão de compra deixou de ser baseada apenas no preço. Hoje, fatores como experiência de uso, rendimento e impacto ambiental têm peso crescente, mesmo em categorias consideradas básicas”, destaca Denise Pires.

Estudos recentes sobre o comportamento do consumidor brasileiro indicam um movimento de maior racionalização das decisões de compra. Segundo a McKinsey, em seu estudo mais recente de tendências de consumo, o consumidor está mais criterioso, comparando preços e revisitando escolhas em busca de valor real.

Ao mesmo tempo, observa-se um padrão de consumo mais híbrido: há redução de gastos em algumas categorias, enquanto outras recebem maior investimento quando há percepção de desempenho e qualidade — o que ajuda a explicar a crescente valorização de atributos como conforto, rendimento e eficiência até mesmo em produtos de uso cotidiano.

 

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *