Alcance e cliques já não bastam e marcas cobram marketing por rentabilidade

Alcance e cliques já não bastam e marcas cobram marketing por rentabilidade

Pressão por retorno, jornadas de consumo complexas e avanço da IA ampliam o papel das agências, que passam a integrar estratégia, dados, tecnologia e operação

Alcance, cliques e geração de leads estão deixando de ser suficientes para justificar investimentos em marketing. Com a cobrança por resultados de negócio mais concreta, marcas passam a considerar indicadores como custo de aquisição de clientes (CAC), valor gerado ao longo da relação com o consumidor (LTV) e rentabilidade para avaliar o desempenho das estratégias.

“Não sentamos mais em uma reunião para comemorar alcance ou clique se o CAC estiver estourando ou se não trouxer retorno real de negócio. A cobrança hoje é por rentabilidade rastreável”, afirma Melissa Pio, CEO da TEC4U.

A mudança acontece em paralelo à transformação da jornada do consumidor. Uma pessoa pode conhecer uma marca por um anúncio, pesquisar no Google, conversar pelo WhatsApp, visitar uma loja física e só concluir a compra dias depois. Com diferentes pontos de contato influenciando a decisão, analisar cada canal isoladamente pode dificultar a identificação do que efetivamente contribuiu para a conversão.

“O consumidor dá voltas. Se a gente trabalhar o marketing em silos, a atribuição de resultados falha. Corremos o risco de cortar a verba de um canal de topo de funil achando que ele não vende, sem perceber que era ele quem alimentava as buscas orgânicas que geram a conversão”, explica Melissa.

Essa lógica também muda de acordo com o modelo de negócio. No e-commerce, a conversão pode ser uma compra no site; no varejo físico, uma visita à loja; no B2B, o avanço de uma negociação; e, na geração de leads, a qualidade e evolução dos contatos no processo comercial.

“Não adianta entregar mil formulários preenchidos se o time comercial não consegue fechar nenhum. O foco precisa estar em atrair o decisor certo, com real potencial de conversão”, afirma.

IA amplia capacidade de análise

Nesse cenário, a inteligência artificial ganha espaço para além da geração de textos e imagens. A tecnologia pode apoiar a análise de dados, identificação de padrões, personalização de comunicações, atendimento e otimização de campanhas.

Entre as aplicações observadas pela TEC4U estão modelos capazes de identificar comportamentos e antecipar possíveis ações do consumidor, além da otimização dinâmica de criativos, com testes de diferentes combinações de mensagens e imagens para determinados perfis.

O avanço, porém, não elimina a necessidade de estratégia. Um dos riscos apontados pela empresa é utilizar IA apenas para ganhar escala, sem considerar o problema que precisa ser resolvido ou a identidade da marca.

“O que vejo como hype é achar que a IA substitui a identidade da marca. Se a gente usa a ferramenta só para gerar volume, sem treinar com o tom de voz do cliente, a marca fica com uma comunicação robótica, genérica e perde a diferenciação”, diz Melissa.

Outro ponto é a qualidade dos dados. “Sem dados bons, qualquer IA fica cega”, afirma. Informações próprias, atualizadas e integradas a sistemas como CRM são importantes para que a tecnologia consiga gerar análises e recomendações contextualizadas.

Menos operação, mais estratégia

A automação de tarefas como ajustes de mídia, testes de segmentação e fluxos de comunicação também modifica o papel das agências. Com menos tempo dedicado à operação das ferramentas, aumenta a importância da análise de comportamento, interpretação de dados e identificação de gargalos na jornada.

“As agências deixam de ser fábricas de entregáveis. O tempo que era gasto operando a ferramenta agora vai para a análise de comportamento e curadoria de dados”, afirma Melissa.

Nesse novo cenário, a atuação integrada ganha relevância. Para a TEC4U, oferecer diferentes serviços não significa necessariamente conectá-los. A integração acontece quando as especialidades partem do mesmo diagnóstico e trabalham em torno de um objetivo comum.

“Oferecer vários serviços significa ter especialistas disponíveis. Integrá-los significa fazer com que todos partam do mesmo diagnóstico, conheçam o objetivo da marca e atuem sobre prioridades comuns”, explica.

A mudança aponta para uma nova cobrança sobre as agências: não apenas entregar campanhas, mas entender o negócio, acompanhar a jornada do consumidor e demonstrar como marketing, tecnologia e dados contribuem para o resultado.

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 52 anos na área de jornalismo, sendo 50 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Há 25 anos é professora titular do curso de Jornalismo da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas do Paraná, São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 19 anos de blog, mais de 50 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 21 prêmios, com destaque para Embrapa Floresta (Menção Honrosa em 2025); VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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