Pessimismo entre executivos e empresários do Paraná com economia brasileira atinge marco histórico de 61%

Índices dos últimos quatro anos de sondagem do IBEF-PR e DataCenso apontam crescimento constante da cautela
A maioria dos empresários e executivos do Paraná espera piora ou dificuldades em relação à economia brasileira nos próximos 12 meses: o nível de pessimismo subiu de 58% para 61% em um ano, segundo sondagem realizada pelo Instituto Brasileiro de Executivos de Finanças do Paraná (IBEF-PR) em parceria com o DataCenso. O levantamento revela que a cautela com o cenário macroeconômico atingiu o recorde de executivos que se declaram “muito pessimistas” na série de quatro edições (18%). Ao mesmo passo, o pessimismo chegou ao patamar mais alto quando o assunto são as perspectivas para os segmentos das empresas, saltando de 31% para 40% em um ano. Pela primeira vez na história da sondagem, o percentual de lideranças muito otimistas com seus setores de atuação zerou.
Nas expectativas sobre o desempenho dos próprios negócios, a confiança ainda se mantém como a resposta mais expressiva (40%), embora tenha registrado leve recuo frente aos 41% observados no levantamento anterior. Ao mesmo tempo, o pessimismo dentro das companhias avançou de 21% para 25%, e a neutralidade oscilou de 27% para 25%. Qualitativamente, a apreensão interna também se intensificou: a parcela de respondentes muito pessimistas com a própria organização dobrou de 3% para 6% em um ano, enquanto o grupo de muito otimistas caiu para a mínima histórica de 1%.
Os dados foram coletados entre 17 de junho e 31 de julho de 2026 e apresentados pelo responsável técnico da sondagem e CEO do DataCenso, Claudio Shimoyama, durante encontro promovido pelo IBEF-PR em Curitiba.
“Os empresários estão fazendo o que podem para manter seus negócios e buscar resultados positivos. Existe uma preocupação e um desconforto em relação à economia e às taxas de juros, que impactam no desenvolvimento das organizações”, avalia Shimoyama.
Na comparação com o levantamento anterior, a fatia de executivos otimistas com a economia brasileira passou de 8% para 15%. Apesar da variação positiva de 7 pontos percentuais, o índice permanece restrito a uma parcela minoritária da amostragem, enquanto a percepção favorável se restringe ao ambiente de governança direta das diretorias. “O empresário enxerga mais risco no cenário macroeconômico por lidar com variáveis que fogem ao seu controle, como juros elevados e instabilidade regulatória”, esclarece Shimoyama, que complementa: “O empresário está preocupado com o seu negócio, mas segue operando de forma resiliente”.
A Sondagem do Índice de Confiança dos Executivos de Finanças do Paraná chega à sua quarta edição em 2026 e consolida uma série histórica voltada a mapear as decisões de capital e crédito no estado. “Apresentamos em primeira mão informações sobre a realidade dos executivos do Paraná e suas expectativas futuras, servindo como base técnica para a tomada de decisões estratégicas das lideranças empresariais”, destaca a vice-presidente de comunicação do IBEF-PR, Heleni Harumi Katto.
Perfil dos entrevistados
O levantamento consultou uma amostra qualificada de 88 lideranças corporativas e tomadores de decisão financeira no Paraná. Mais da metade dos participantes (53%) são CEOs ou sócios-fundadores, 23% ocupam cadeiras de CFO ou diretoria administrativa-financeira, 14% atuam como gerentes financeiros e 5% são conselheiros de administração.
Entre as companhias representadas, 84% operam há mais de dez anos no mercado, 66% pertencem ao segmento de médio ou grande porte e 97% possuem estrutura de capital fechado. A composição multissetorial concentra indústria, consultoria empresarial, varejo e serviços, que juntos somam 53% da base consultada.
O evento contou com o patrocínio de Gaia Silva Gaede Advogados, TOTVS, PwC e C6 Bank, e como media partner a Gazeta do Povo.

Crédito da imagem: Magnific








