Aluguel no Brasil está em média 76% acima do valor que o consumidor pode pagar

Levantamento com dados de mais de 905 mil pessoas de todos estados do Brasil, mostra distância entre o valor que o consumidor consegue pagar e os preços dos imóveis anunciados
Boa parcela da população que procura um imóvel para alugar está encontrando preços significativamente acima do orçamento. É o que mostra um levantamento do DataLais, frente de inteligência de dados da Lastro, infraestrutura de inteligência artificial para o mercado imobiliário, que cruzou o orçamento declarado por 905.466 pessoas em conversas pelo WhatsApp com 1.500 imobiliárias clientes da Lais, entre 23 de março e 16 de setembro de 2026, com o aluguel pedido em 118 mil apartamentos anunciados por essas mesmas imobiliárias.
O descompasso aparece num momento em que o aluguel segue subindo acima da inflação. Segundo o Índice FipeZAP, o preço dos novos aluguéis residenciais acumulou alta de 9,16% nos 12 meses até agosto, contra 4,22% do IPCA no mesmo período. O índice acompanha o preço dos aluguéis anunciados. O levantamento do DataLais mede o outro lado da conta: quanto quem procura diz conseguir pagar.
No conjunto dos dados analisados, o orçamento mediano declarado por quem procurava um aluguel foi de R$1.700, enquanto o valor mediano dos apartamentos anunciados pelas imobiliárias chegou a R$3.000. Na prática, o aluguel anunciado está 76% acima do valor que o consumidor diz conseguir pagar.
A diferença também aparece de forma expressiva quando os dados são observados por cidade. Em Balneário Camboriú (SC), o aluguel anunciado ficou 131% acima do orçamento projetado pelo consumidor. Em Porto Alegre, a diferença chegou a 100%, enquanto Campinas (SP) registrou 90%, Itajaí, 88%, e Ribeirão Preto (SP), 87%.
Também foram identificadas diferenças relevantes em São José dos Campos (SP), com 84%, São Paulo (SP), que apresentou descompasso de 80%, Belo Horizonte (MG), com disparidade de 76%, e Londrina (PR), com 63%.
O levantamento cruza o orçamento informado pelos consumidores durante as conversas da Lais, inteligência artificial desenvolvida pela Lastro usada no atendimento das imobiliárias, com o aluguel pedido nos anúncios dessas mesmas imobiliárias.
“Os dados mostram uma distância importante entre aquilo que o consumidor sinaliza como possível para o seu orçamento e o que está disponível no mercado. Isso ajuda a explicar por que tantas buscas não necessariamente se transformam em visitas, propostas ou contratos”, afirma Allan Paladino, CEO e cofundador da Lastro.
O cenário também chama atenção porque o problema não está restrito às cidades tradicionalmente associadas aos aluguéis mais caros. A diferença aparece tanto em grandes mercados, como São Paulo e Belo Horizonte, quanto em cidades do interior e em polos regionais, como Ribeirão Preto e Londrina.
Para a Lastro, o cruzamento desses dados permite identificar um dos principais desafios do mercado de locação: a necessidade de aproximar a oferta disponível da realidade financeira de quem está procurando um imóvel. Ao transformar as conversas entre consumidores e imobiliárias em dados estruturados, a tecnologia também pode ajudar as empresas a entender com mais precisão quais faixas de preço têm demanda e onde existe maior dificuldade de conversão.








