Com a indústria 5.0, empresas buscam equilibrar tecnologia e capital humano em uma nova fase da transformação digital

Com a indústria 5.0, empresas buscam equilibrar tecnologia e capital humano em uma nova fase da transformação digital

Companhias enfrentam paradoxo de acelerar investimentos em tecnologias sofisticadas e lidar com desafios relacionados à qualificação profissional

A transformação digital chegou a um novo momento. Depois de anos de avanços impulsionados pela automação, análise de dados e inteligência artificial, pilares da Indústria 4.0, empresas começam a discutir a Indústria 5.0, conceito que propõe uma relação mais integrada entre tecnologia e pessoas.

Diferentemente da etapa anterior, em que o foco esteve principalmente na eficiência operacional e automação de processos, a Indústria 5.0 coloca o ser humano novamente no centro da estratégia, defendendo que máquinas, sistemas inteligentes e profissionais trabalhem de forma complementar. Segundo a Comissão Europeia, esse novo modelo é baseado em três pilares principais: centralidade humana, sustentabilidade e resiliência.

Para Daniel M. Campos Neto, CEO da EDC Group, EDC Group, multinacional brasileira especializada em consultoria e outsourcing de RH, a discussão ganha relevância devido ao paradoxo do cenário.

“As empresas investem cada vez mais em tecnologias capazes de aumentar produtividade, mas, ao mesmo tempo, enfrentam dificuldades para encontrar e preparar profissionais com as competências necessárias para trabalhar nesse novo ambiente”, afirma Campos Neto.

O desafio não é implementar tecnologia, mas preparar pessoas

Além de transformar processos, a adoção de inteligência artificial, robótica e sistemas automatizados também transforma as habilidades exigidas dos profissionais. Funções operacionais passam a demandar maior capacidade analítica, interpretação de dados e interação com ferramentas digitais, enquanto líderes precisam desenvolver novas formas de gestão em ambientes mais tecnológicos.

O Future of Jobs Report 2025, do Fórum Econômico Mundial, aponta que a lacuna de competências é uma das principais barreiras para a transformação das empresas. O levantamento mostra que quase 40% das habilidades exigidas no mercado devem mudar até 2030, impulsionadas principalmente por avanços tecnológicos, e destaca o aprendizado contínuo (lifelong learning) como uma das estratégias centrais para adaptação profissional.

Para o CEO da EDC Group, o principal desafio da Indústria 5.0 é evitar que a transformação digital seja tratada apenas como uma agenda de tecnologia.

“A implementação de novas ferramentas é apenas uma parte da transformação. O verdadeiro desafio está em preparar as pessoas para utilizar essas tecnologias, tomar melhores decisões e atuar em conjunto com sistemas inteligentes. A empresa que investir apenas na máquina e esquecer o desenvolvimento humano terá uma transformação incompleta”, explica.

Alta performance exige uma nova relação entre tecnologia,pessoas e alta liderança

Na prática, a Indústria 5.0 muda também o conceito de produtividade. A busca por alta performance deixa de estar relacionada apenas à velocidade ou redução de custos e passa a envolver fatores como capacidade de adaptação, inovação, colaboração e desenvolvimento das equipes.

Nesse contexto, o papel da liderança ganha ainda mais importância. Gestores precisam criar ambientes em que profissionais tenham espaço para aprender, testar novas ferramentas e desenvolver competências continuamente. A tecnologia pode ampliar capacidades, mas depende de pessoas preparadas para interpretar informações, resolver problemas complexos e transformar dados em decisões.

Capacitação contínua passa a ser parte da estratégia industrial

Com a evolução tecnológica acelerada, empresas precisam repensar seus modelos de desenvolvimento profissional. Programas de treinamento pontuais dão espaço para uma cultura de aprendizado contínuo, com iniciativas de upskilling e reskilling para preparar colaboradores para novas demandas.

Segundo o Mapa do Trabalho Industrial 2025–2027, elaborado pelo SENAI, o Brasil precisará qualificar 14 milhões de trabalhadores em ocupações industriais no período, sendo 11,8 milhões relacionados a treinamento e desenvolvimento de profissionais que já estão no mercado e precisam se atualizar.

“Esse movimento reforça que o capital humano será um diferencial competitivo na próxima fase da indústria. A empresa que conseguir unir tecnologia, conhecimento técnico e capacidade humana de adaptação estará mais preparada para responder às mudanças do mercado. A Indústria 5.0 aumenta a necessidade de profissionais mais preparados”, conclui.

EDC Insights debate os desafios da Indústria 5.0

O tema será discutido na próxima edição do EDC Insights, série de encontros promovida pela EDC Group, com o episódio “Indústria 5.0: capital humano no centro e os dilemas da alta performance”.

Conduzido por Daniel M. Campos Neto, CEO da EDC Group, o encontro contará com a presença de André Flavio, analista de qualidade da Volkswagen Brasil, para discutir como empresas podem equilibrar automação, inteligência artificial e desenvolvimento humano em um cenário de transformação acelerada.

 

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 52 anos na área de jornalismo, sendo 50 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Há 25 anos é professora titular do curso de Jornalismo da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas do Paraná, São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 19 anos de blog, mais de 50 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 21 prêmios, com destaque para Embrapa Floresta (Menção Honrosa em 2025); VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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