Dívidas da empresa afetam os bens dos sócios?

Dívidas da empresa afetam os bens dos sócios?

Empresários devem compreender os efeitos jurídicos de uma crise antes que o problema avance

O avanço da inadimplência empresarial coloca em evidência uma dúvida recorrente entre empresários que enfrentam dificuldades financeiras: até onde vão as responsabilidades da empresa e em que momento os bens pessoais dos sócios podem ser atingidos? Em julho de 2026, o Brasil chegou a 9,2 milhões de empresas inadimplentes, novo recorde da série histórica da Serasa Experian, com R$ 238,6 bilhões em dívidas. O cenário é especialmente relevante para micro e pequenas empresas, que concentravam 8,7 milhões dos CNPJs negativados, e reforça a necessidade de compreender os efeitos jurídicos de uma crise antes que o problema avance.

Advogado, professor e pesquisador em Direito Empresarial, Agenor de Lima Bento, que também atua como administrador judicial e perito judicial em processos de recuperação, insolvência e falência, explica como funciona a separação entre o patrimônio empresarial e o patrimônio pessoal dos sócios.

“O empresário precisa compreender que as dívidas da empresa não se confundem automaticamente com seu patrimônio pessoal. Em momentos de crise, conhecer os limites dessa responsabilidade é fundamental para tomar decisões com segurança e evitar tanto a exposição indevida dos bens particulares quanto práticas que possam caracterizar fraude ou confusão patrimonial”, afirma Bento.

A discussão ganha ainda mais importância diante do aumento da utilização dos mecanismos de reorganização empresarial. Segundo a Serasa Experian, 977 processos de recuperação judicial foram registrados em 2025, envolvendo 2.466 empresas, o maior número de CNPJs atingidos pela recuperação judicial em toda a série histórica.

No início de 2026, o movimento permaneceu em patamar elevado, com 53 processos envolvendo 126 empresas somente em janeiro. Nesse contexto, a pauta pode esclarecer o que acontece com os bens dos sócios durante uma recuperação judicial ou falência, quais situações podem levar à responsabilização pessoal e qual é o papel de garantias, como avais e fianças, na exposição do patrimônio particular.

Para Bento, compreender essas diferenças antes de uma crise mais grave pode ser determinante para preservar tanto a empresa quanto os próprios empresários. “Também considero importante que o empresário procure orientação antes que a crise se agrave, porque as decisões tomadas durante esse período podem fazer grande diferença na preservação do patrimônio e na própria possibilidade de reorganização ou encerramento adequado da atividade”, avalia.

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 52 anos na área de jornalismo, sendo 50 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Há 25 anos é professora titular do curso de Jornalismo da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas do Paraná, São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 19 anos de blog, mais de 50 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 21 prêmios, com destaque para Embrapa Floresta (Menção Honrosa em 2025); VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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