Mercado de capitais bate recorde com captações acima de R$ 361 bilhões

Mercado de capitais bate recorde com captações acima de  R$ 361 bilhões

Alta nas captações amplia alternativas de investimento, mas escolha entre renda fixa, fundos e ações depende dos objetivos e dos riscos de cada aplicação

O mercado de capitais brasileiro registrou R$ 361,8 bilhões em captações no primeiro semestre de 2026, o maior volume para o período desde o início da série histórica da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima), em 2012. O resultado representa crescimento de 9,8% em relação aos primeiros seis meses de 2025 e reflete a expansão das operações de financiamento de empresas e projetos por meio do mercado.

A renda fixa concentrou a maior parte das captações, com R$ 288,8 bilhões. Os fundos de investimento imobiliário (FIIs) e os fundos ligados ao agronegócio (Fiagros) também ganharam espaço, com emissões de R$ 39,5 bilhões e R$ 8,3 bilhões, respectivamente.

Para Claudiner Sanches Junior, assessor de investimentos da WFlow Investimentos, o movimento é impulsionado pelos juros elevados, pela digitalização dos serviços financeiros e pelo maior conhecimento dos brasileiros sobre as alternativas de aplicação.

“De forma geral, percebemos um investidor mais informado, menos dependente da poupança e mais disposto a combinar segurança, geração de renda e diversificação”, afirma.

Juros favorecem a renda fixa

Com as taxas de juros em patamares elevados, títulos públicos, CDBs e debêntures seguem atraentes para quem busca remuneração previsível. Apesar de pertencerem à mesma classe de investimentos, esses produtos apresentam diferenças de prazo, liquidez e risco.

Nas debêntures, por exemplo, o investidor empresta dinheiro a uma empresa em troca de uma remuneração prevista nas condições da emissão. Como esses títulos não contam com a proteção do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), é necessário avaliar a capacidade de pagamento da companhia.

O prazo de vencimento também pesa na decisão. Em determinadas aplicações, recuperar o dinheiro antes da data prevista depende da venda do título no mercado, operação que pode resultar em perdas.

“A análise precisa ir além da rentabilidade anunciada. O primeiro ponto é entender se o retorno esperado está alinhado ao objetivo financeiro do investidor, seja para buscar uma rentabilidade acima da inflação ou utilizar um indicador de referência, como o CDI”, explica Sanches Junior.

Segundo o assessor, períodos prolongados de juros altos também podem pressionar as finanças das empresas. Por isso, a avaliação deve incluir a qualidade de crédito do emissor, as garantias disponíveis e as condições de resgate.

Fundos e ações ampliam as opções

A participação das pessoas físicas nas ofertas de FIIs e Fiagros também avançou. Segundo a ANBIMA, o volume aplicado por esse público passou de R$ 9,7 bilhões para R$ 20,7 bilhões em um ano, crescimento de 114,3%.

Os FIIs permitem investir em imóveis ou ativos financeiros ligados ao setor imobiliário, enquanto os Fiagros direcionam recursos a negócios relacionados ao agronegócio. Ambos podem distribuir rendimentos, mas estão sujeitos a oscilações no valor das cotas e a riscos associados aos ativos de suas carteiras.

No mercado de ações, as ofertas subsequentes realizadas por empresas já listadas em bolsa somaram R$ 22,2 bilhões no semestre. Para o investidor, a compra desses papéis oferece a possibilidade de participar dos resultados das companhias, mas envolve exposição às oscilações do mercado e ao risco de perda de capital.

A escolha entre essas modalidades depende da finalidade dos recursos. Uma reserva de emergência, por exemplo, exige liquidez e baixo risco, enquanto objetivos de longo prazo podem comportar aplicações sujeitas a maiores variações de preço.

“O ponto principal é entender que cada ativo pode cumprir uma função diferente dentro da carteira. O investidor pode aproveitar o retorno oferecido pela renda fixa sem necessariamente abrir mão de instrumentos voltados à geração de renda ou ao crescimento do patrimônio”, afirma o assessor da WFlow.

O recorde de captações indica maior atividade do mercado e amplia o universo de alternativas financeiras. Para quem investe, porém, aproveitar esse movimento depende menos de acompanhar as ofertas do momento e mais de selecionar produtos compatíveis com seus objetivos, prazos e capacidade de assumir riscos.

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 52 anos na área de jornalismo, sendo 50 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Há 25 anos é professora titular do curso de Jornalismo da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas do Paraná, São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 19 anos de blog, mais de 50 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 21 prêmios, com destaque para Embrapa Floresta (Menção Honrosa em 2025); VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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