Varejo alimentar sente os efeitos das chuvas e registra queda no volume de vendas

O varejo alimentar brasileiro registrou crescimento de +3,3% no faturamento em mesmas lojas em setembro de 2026, na comparação com o mesmo mês do ano anterior. O resultado, porém, foi sustentado pelo aumento de +5,7% no preço médio por unidade, enquanto a quantidade de produtos vendidos recuou -2,2%. Os dados são da nova edição do Radar Scanntech, que destaca a influência das condições climáticas sobre o desempenho do setor.
As chuvas intensas registradas no Sul e no Sudeste contribuíram para reduzir a circulação de consumidores e afetaram especialmente as vendas de bebidas. O fluxo nas lojas caiu -2,9%, parcialmente compensado pelo aumento de +0,7% no número de itens por compra. Considerando também a expansão da rede de estabelecimentos (total de lojas), o faturamento total avançou +4,5%.
No acumulado de janeiro a setembro, o faturamento em mesmas lojas apresenta crescimento de +2,7%, com alta de +3,9% nos preços e retração de -1,1% nas unidades comercializadas. A comparação mostra que setembro aprofundou a perda de consumo, apesar da aceleração das receitas nominais.
Chuvas afetam consumo e pressionam preços de alimentos
Na visão dos especialistas, o comportamento das categorias foi fortemente influenciado pelo clima. Perecíveis liderou o crescimento em faturamento, com avanço de +6,5%, impulsionado pelo aumento de +8,1% no preço médio, mesmo diante da queda de -1,4% nas unidades vendidas.
Entre os principais destaques estão os legumes, que registraram alta de +31,8% em valor, apesar da retração de -9,7% em unidades. Batata e tomate tiveram aumentos expressivos nos preços médios em relação a setembro de 2025, de +97,3% e +65,1%, respectivamente. Segundo o levantamento, as chuvas prejudicaram a produção e contribuíram para essa valorização. A cesta Pet foi a única a apresentar crescimento na quantidade comercializada, de +6,6%.
Na direção oposta, Mercearia Básica permaneceu como a cesta de pior resultado, com queda de -4,2% nas vendas em valor. Açúcar (-20,3%), café (-15,8%) e óleo (-11,4%) estiveram entre os principais responsáveis pela retração. Ainda assim, o desempenho foi menos negativo que em agosto, quando a cesta havia recuado -7,3%, favorecido pela recuperação dos preços do arroz.
Bebidas apresentou crescimento de apenas +1,6% em faturamento e queda de -4% nas unidades, refletindo a menor demanda nas regiões mais atingidas pelas chuvas. Ponto interessante de ser observado principalmente pois, em julho, o calor atípico favoreceu o segmento de bebidas, que cresceu consideravelmente em diversas regiões do país.
Norte e Nordeste apresentam maior resistência na quantidade vendida
Todas as regiões brasileiras registraram crescimento do faturamento em setembro, mas somente Norte e Nordeste apresentaram avanço no número de unidades comercializadas.
O Norte liderou a expansão das vendas em valor, com alta de +6,7%, acompanhado de crescimento de +0,5% nas unidades. O Centro-Oeste veio em seguida, com avanço de +6,1% no faturamento, sustentado pelo maior aumento de preço médio do país, de +7,3%. No Nordeste, o crescimento foi de +5% em valor e +0,4% em unidades.
Nas regiões mais afetadas pelas chuvas, os resultados foram diferentes. São Paulo apresentou o menor crescimento de faturamento, de +1,3%, e a maior retração na quantidade vendida, de -4,3%. Em Minas Gerais, Rio de Janeiro e Espírito Santo, a queda nas unidades chegou a -3,1%, enquanto no Sul foi de -1,7%.
O impacto também foi observado nos formatos de loja. Todos registraram retração em unidades, especialmente os supermercados de uma a quatro lojas, nos quais as bebidas têm maior participação nas vendas.
Inflação acelera e promoções perdem eficiência
A inflação mensal medida pela Scanntech chegou a 0,91% em setembro, após registrar 0,1% em agosto. A cesta básica apresentou elevação de +1,61%, influenciada principalmente pelos alimentos frescos. Na comparação com agosto, tomate e batata ficaram 54,3% e 42,7% mais caros, respectivamente.
Em 12 meses, a inflação Scanntech acumulou 4,19%. Com o avanço dos preços superando o crescimento do faturamento nominal, o estudo aponta retração das vendas em termos reais.
Para estimular o consumo, o varejo ampliou a participação das promoções, que passaram a representar 26,2% das vendas, aumento de 1,2 ponto percentual em relação a setembro de 2025. O desconto médio chegou a 20,5%.
Apesar desse esforço, o desempenho promocional perdeu força: o indicador de vendas incrementais recuou 3,9 pontos percentuais na comparação anual, sinalizando menor retorno das ações comerciais.
Estoques aumentam diante da menor demanda
A desaceleração do consumo também se refletiu nos indicadores operacionais. A ruptura, que mede a indisponibilidade de produtos, caiu para 4,7%, redução de 0,5 ponto percentual em relação a setembro de 2025.
Em contrapartida, a não venda aumentou para 11,7%, enquanto o prazo médio de estoque chegou a 46 dias, seis a mais que no ano anterior. Os números indicam maior permanência de mercadorias nas lojas, mesmo com a melhora da disponibilidade nas gôndolas.
Em São Paulo, por exemplo, os estoques de bebidas aumentaram nove dias, influenciados principalmente por cervejas e sucos. No Nordeste, onde as condições climáticas favoreceram o consumo de algumas bebidas, o aumento foi de apenas meio dia.
O conjunto dos indicadores aponta, como principal sinal, que o faturamento do varejo alimentar continua avançando, mas a combinação de preços mais altos, condições climáticas desfavoráveis e menor circulação de consumidores intensifica os desafios para recuperar o volume de vendas.
O relatório completo do Radar Scanntech de setembro pode ser acessado AQUI.








