6 em cada 10 profissionais desligados no mundo mudam de ocupação

6 em cada 10 profissionais desligados no mundo mudam de ocupação

Mudanças nas competências e o avanço da Inteligência Artificial estão transformando as trajetórias de carreira de profissionais desligados

O mercado de trabalho passa por uma reconfiguração que está alterando não apenas as funções exercidas pelos profissionais, mas também os caminhos percorridos ao longo da carreira. É o que mostra o Relatório 2026 sobre Transições de Carreira da LHH, elaborado a partir de dados de mais de 418 mil profissionais apoiados pela consultoria após desligamentos em diferentes países onde a consultoria apoia seus clientes. Em 2025, 57,68% mudaram de ocupação após perder o emprego, mantendo uma taxa próxima de 60% pelo quarto ano consecutivo.

Segundo Patrícia Paniquar, diretora de Transição de Carreira da LHH, o resultado mostra que a transição profissional precisa ser compreendida dentro de um cenário mais amplo de transformação das organizações e das competências exigidas pelo mercado. Para ela, a transição de carreira está cada vez mais ligada à necessidade de os talentos responderem às mudanças contínuas do mercado, recalibradas pela IA, novas competências requeridas, digitalização e pelas transformações do negócio.

“Quando determinadas competências deixam de atender às novas necessidades do negócio, o profissional precisa identificar como sua experiência pode ser aplicada em outras funções e quais habilidades precisam ser desenvolvidas para acompanhar esse movimento”, afirma Patrícia.

Ela explica que essa transformação também aparece nas razões que levam as empresas a realizar desligamentos. Em 2026, Inteligência Artificial (IA), automação e incompatibilidade de competências aparecem empatadas, com 21% cada, entre os fatores apontados para os cortes, seguidas por fusões e aquisições, com 20%. “O cenário é diferente dos anos anteriores, quando excesso de contratações, desempenho individual e reestruturações estavam entre os principais motivos”, alerta Paniquar.

Competências

O avanço da IA, porém, não representa apenas uma substituição direta de funções. O relatório aponta para uma mudança na composição das competências valorizadas pelas organizações, onde 72% das vagas em ocupações com alta exposição à IA já exigem pelo menos uma competência de gestão, enquanto habilidades como julgamento, tomada de decisão, coordenação e liderança ganham importância em um ambiente no qual parte das tarefas pode ser automatizada.

O impacto dessa transformação varia de acordo com a ocupação. Entre os profissionais ouvidos pela LHH globalmente, 90% dos trabalhadores de operações de atendimento ao cliente mudaram de ocupação após o desligamento, a maior taxa registrada entre as funções analisadas. Em tecnologia, o movimento é diferente. Dos cerca de 63 mil desenvolvedores de software apoiados pela LHH nos últimos dois anos, 65% permaneceram na mesma ocupação, enquanto aproximadamente 35% migraram para outras funções ou setores. Entre os novos destinos aparecem posições como consultor de projetos, suporte técnico de TI, analista de sistemas e analista de dados.

De acordo com a diretora da LHH, os dados indicam, portanto, que a transição não significa necessariamente abandonar a experiência acumulada, mas encontrar novas formas de utilizá-la. Em diferentes ocupações, profissionais têm migrado para funções que aproveitam competências adquiridas anteriormente, ao mesmo tempo em que incorporam novas habilidades exigidas pelo mercado.

Preparação para a transição

No Brasil, esse movimento também apresenta uma taxa significativa, com 58,3% dos profissionais analisados no primeiro semestre de 2025 mudaram de ocupação após o desligamento, índice próximo à média global de 57,7% e superior ao registrado nos Estados Unidos, de 56,9%.

O desafio, porém, não está apenas na capacidade de realizar a transição. O relatório mostra que muitos profissionais ainda não sabem como se preparar para ela. No levantamento, 78% afirmam querer mudar de função, mas não sabem como fazer isso, enquanto 56% não sabem quais novas competências ou treinamentos poderiam ajudar em suas carreiras. Além disso, 51% têm medo de perder o emprego e 57% estão preocupados com os impactos de longo prazo de um desligamento.

“Esse cenário reforça a importância de transformar a mobilidade profissional em um processo mais estruturado. O profissional precisa ter clareza sobre suas competências e sobre onde elas podem gerar valor, enquanto as empresas precisam criar mecanismos para identificar talentos que podem ser preparados para novas funções antes que a mudança aconteça”, afirma Paniquar.

A dificuldade também aparece dentro das organizações. Segundo dados da Adecco, apresentados no relatório, 61% das empresas enfrentam dificuldades para movimentar profissionais para novas funções, enquanto 55% apontam as mudanças rápidas nas exigências de competências como uma barreira importante. O estudo recomenda que as organizações integrem transição de carreira e mobilidade interna às estratégias de desenvolvimento profissional, com maior visibilidade sobre as competências disponíveis e as necessidades futuras.

Ela chama a atenção para o fato de, nesse contexto, a transição de carreira deixar de ser apenas uma resposta a um desligamento e passa a fazer parte de uma discussão mais ampla sobre preparação para as mudanças no mercado de trabalho. “Para profissionais, isso significa compreender como suas competências podem ser transferidas para novas funções. Para as empresas, significa antecipar quais posições serão mais afetadas, identificar quem está preparado para se movimentar e oferecer suporte para quem precisa desenvolver novas capacidades”, conclui.

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 52 anos na área de jornalismo, sendo 50 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Há 25 anos é professora titular do curso de Jornalismo da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas do Paraná, São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 19 anos de blog, mais de 50 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 21 prêmios, com destaque para Embrapa Floresta (Menção Honrosa em 2025); VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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