Empresas sem atendimento humano no SAC podem ser punidas a partir de segunda-feira

Empresas sem atendimento humano no SAC podem ser punidas a partir de segunda-feira

Decreto limita a espera por telefone a 20 segundos na maioria das chamadas e mantém o uso de IA, com opção de falar com uma pessoa

Entra em vigor nesta segunda-feira, dia 2 de novembro, o Decreto nº 13.135/2026, que obriga empresas a manter atendimento humano por telefone e canais eletrônicos todos os dias da semana. A norma também fixa espera máxima de 20 segundos em pelo menos 80% das demandas atendidas por telefone. Para gestores consultados de empresas especialistas no segmento, a regra vale hoje apenas para alguns setores, mas indica uma tendência que deve chegar ao restante do mercado.

A partir de 2 de novembro, as companhias alcançadas pelo decreto terão de oferecer atendimento humano por telefone e canais eletrônicos das 8h às 20h, inclusive aos sábados e domingos. Casos urgentes exigem atendimento humano imediato, a qualquer hora. Pelo menos um canal eletrônico deverá funcionar 24 horas por dia, com no máximo cinco níveis de menu e opções de atendimento humano e de cancelamento em todos eles.

Nas ligações, a espera deverá ser de até 20 segundos em pelo menos 80% das demandas e de até cinco minutos nas demais; se a chamada cair, a empresa terá de retornar em até cinco minutos. O decreto também proíbe publicidade durante o atendimento, inclusive na espera, e determina a guarda de gravações e mensagens por, no mínimo, 90 dias.

Fiscalização

O decreto alcança fornecedores regulados pelo Poder Executivo federal, como os de telefonia, energia, aviação e planos de saúde, além de serviços financeiros digitais supervisionados pelo Banco Central. A fiscalização cabe à Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon), e os parâmetros de espera podem ser diferentes quando agências reguladoras tiverem regras específicas.

O texto reconhece o uso de inteligência artificial e de sistemas automatizados para triagem, distribuição interna e resolução de demandas, desde que o consumidor possa pedir atendimento humano em tempo real nos períodos previstos. A confiança nessas ferramentas, porém, ainda é limitada. Na pesquisa Atendimento ao Cliente 2025, da consultoria Hibou, com 1.926 consumidores, 89% já foram atendidos por robôs e 61% disseram que eles não resolvem o problema. Ao mesmo tempo, 92% acreditam que a IA tende a melhorar o atendimento se for aplicada com inteligência e humanização.

O levantamento também mostra a distância entre expectativa e experiência em setores regulados: 96% dos consumidores esperam bom atendimento dos planos de saúde, mas só 52% o avaliam positivamente.

Antecipando o futuro

Para Luiz Carlos Santin Junior, CEO e fundador da Nextcomm, empresa curitibana especialista em soluções para o relacionamento com o cliente, o decreto antecipa o que o mercado deve exigir nos próximos anos. “Hoje a regra vale para os setores regulados, mas a tendência é que o mercado inteiro siga o mesmo caminho. Quem começa a se preparar agora chega a esse padrão com mais tranquilidade do que quem deixar para a última hora”, afirma o executivo.

Santin destaca que o próprio decreto abre espaço para a tecnologia. “A inteligência artificial pode receber todos os clientes, resolver o que for possível e passar para a equipe apenas os casos que pedem um atendimento mais cuidadoso. O essencial é que o cliente nunca fique sem a opção de falar com uma pessoa”, reforça.

Segundo a Nextcomm, o Atendente de IA atende vários clientes ao mesmo tempo, sem travar a linha telefônica nem colocar ninguém em fila, e usa a mesma inteligência no telefone, no WhatsApp, no site e no aplicativo. Quando o cliente pede um atendente, a ferramenta faz a transferência na hora e envia à pessoa os dados já validados e um resumo do que foi tratado, o que evita que o consumidor tenha de repetir o problema, outra exigência do decreto. A empresa afirma que o sistema segue a LGPD e a norma ISO/IEC 42001, de gestão de sistemas de inteligência artificial.

A solução é desenvolvida sob medida para cada negócio. Além do SAC, a Nextcomm afirma que a ferramenta pode ser usada em prospecção, follow-up de vendas, análise de crédito em financeiras e avisos de entrega em cooperativas, entre outras aplicações. Segundo a empresa, setores em que o retorno ao cliente é mais urgente, como a saúde, são os que mais exigem agilidade. O prazo de implantação depende do tamanho da operação e da função da IA, e começa com uma consultoria que diagnostica pontos fortes e fracos do atendimento e define, em conjunto com a empresa, o novo modelo.

Crédito da imagem: Bing

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 52 anos na área de jornalismo, sendo 50 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Há 25 anos é professora titular do curso de Jornalismo da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas do Paraná, São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 19 anos de blog, mais de 50 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 21 prêmios, com destaque para Embrapa Floresta (Menção Honrosa em 2025); VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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